Postagens sobre solidão

Felicidade fragmentada

Felicidade - Regina Hostin - 7 de março de 2019

Ao assistir o documentário Quanto tempo o tempo tem, disponível no Netflix, entendi um pouco mais a busca incessante pela felicidade, presente em nove em cada 10 conversas.

A aceleração das mudanças tecnológicas, resulta numa aceleração da vida de quem vive conectado, ou seja, milhares de pessoas. Estamos conectados ao outro, alimentando conversas paralelas no face, no whatsapp, por email. Mas não pessoalmente. No presencial, permanecemos sozinhos. Abrimos rapidamente cada mensagem ao aviso da máquina, na esperança de que uma resposta ou curtida possa mudar nosso sentimento. Mas isso é passageiro. Rapidamente se desvanece.

Somos uma multidão de buscadores. Os buscadores da felicidade (nesse caso sugiro outro documentário Happy). Mal sabemos que ela está tão próxima: do ladinho de dentro. Mas, infelizmente não conseguimos acessá-la com a mesma facilidade que fazemos com as mensagens que vem das máquinas.

Os cientistas do documentário reforçam três desaparecimentos: a divisão de manhã, tarde e noite porque muitos passam dias no quarto trabalhando ou jogando, sem perceber se o sol apareceu ou não; a divisão de estudar, trabalhar e se aposentar para ser feliz porque agora o que todos anseiam é pela felicidade no hoje e não nas férias, muito menos na aposentadoria; e o desaparecimento da disciplina da fábrica, aquela que nos dava horários rígidos de trabalho e era a única opção onde vendíamos o tempo e em troca, recebíamos dinheiro.

Como ser feliz nesse mundo instantâneo?

O que temos buscado constantemente, instantaneamente, são prazeres vindos geralmente com a compra de algo. Mas a felicidade genuína não tem relação com esse ciclo de carência e compra. Segundo Renan Carvalho, do Movimento Orgânico (orgânicas.org), a felicidade tem relação com a satisfação plena e está conectada com o momento presente e com as pessoas a nossa volta.

Na busca pela felicidade, Renan diz que nosso desafio é migrar das sensações de prazer momentâneos para sensações de felicidade. Como? Vivendo a nossa essência. Na prática Renan recomenda o ócio reflexivo, as atividades manuais e a prática de servir outras pessoas. Eu ainda acrescentaria: reconectar-se com a natureza, cozinhar, silenciar, praticar a gratidão, ter fé, prestar atenção na respiração, fazer exercícios físicos, livrar-se do que não quer mais e comprar menos.

Parece simples. E é. Mas nesses tempos de conexão instantânea é desafiador. Vale a pena tentarmos migrar aos poucos para tentar suavizar a sensação de solidão, a dependência das curtidas para mudar os sentimentos, a falta de sentido ou mesmo um insistente vazio habitando o nosso peito.

 

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*Image by rawpixel on Pixabay

 

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Por que esse desespero?

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 24 de novembro de 2016

Já parou para pensar sobre as coisas, nessa vida, que realmente importam? Já se deu conta de que todos os dias temos um espetáculo da natureza diante dos olhos e, por corrermos tanto, deixamos isso passar? Já se perguntou o porquê você está tão apegado a alguém que não tem tempo para você? Já se culpou pela rotina que leva? Por pegar o trem lotado? Por acordar cedo? Não se culpe. Há pessoas que só queriam acordar de um coma. Há pessoas que só queriam que alguma triste doença desaparecesse. Há pessoas, agora, em toda parte do mundo, lutando para sobreviver. Então, por que esse desespero?

Não se desespere por ter sido desacreditado, pois muitos gênios ouviram que suas invenções jamais dariam certo. Não se desespere se a pessoa amada não lhe corresponde, pois ela não é a única no mundo. Não se desespere se o seu coração foi partido um milhão de vezes, pois isso faz parte do amadurecimento e fortalecimento emocional. Não se desespere se você está com quase cinquenta anos e ainda não chego à lua, pois a vida é uma oportunidade nova a cada amanhecer.

Talvez, nessa existência, o mais importante seja sobreviver, porque sempre saímos vivos. No final tudo dá certo, não é mesmo? Mas e o que fica? Fica o aprendizado, a cicatriz, a lembrança, a certeza de que pagamos um alto preço para pertencer a nós mesmos e, sinceramente, ao olhar para trás, você verá que nada terá valido mais a pena do que se conhecer, se permitir, sobreviver, viver.

Pode parecer que a vida é uma grande tragédia, que já se anuncia com o tapa que levamos ao nascer. Contudo, você não deve se desesperar. Porque nada está tão escuro que não possa ter um ponto de luz. Nada está tão nublado que não possa ter um sol por trás. Nada está tão perdido que a sua fé não possa encontrar lucidez. Nada estará tão no fim se as esperanças se mantiverem de pé.

Por isso, se mantenha firme, sem esperar que a vida seja um mar de rosas, mas agradecendo por poder suportar os espinhos, lembrando, então, do que diz, sabiamente, Paulo Coelho: Quem deseja ver o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva. 

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Para viver a dois, antes, é necessário ser um

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 30 de setembro de 2016

Que todos desejamos assistir a um filme com alguém debaixo da coberta, isso é fato. Mas e quando as cenas do enredo são tão tristes quanto a insegurança que a companhia traz? E quando não sabemos o real motivo de não nos satisfazermos em assistir sozinhos? Seria esse um mal-estar do frágil coração? Diríamos que, para simplificar esse possível medo de estar só, revelam-se, no dia a dia, entregas prematuras, que geram mal-estar à alma, desaguando no corpo.

Aqui, pretende-se falar sobre os nossos sentimentos, uma vez que eles determinam o que há no coração. Ah, sim… Mas e se houver dentro de nós uma pessoa que queiramos chamar de tesouro? Poderia ser ela mais valiosa que o amor-próprio?

Há quem diga que essas perguntas podem ser respondidas com mil argumentos. No entanto, prefiro apostar na ideia de que somos um oceano, e que nem todos os que nos acompanham terão disposição para mergulhar, porque alguns nasceram apenas para ficar à margem, isto é, trazem-nos a percepção de força, que nada é mais do que olharmos para nós e percebermos que, se o outro quer ir, é seu esse direito, mas não é meu o direito de desistir de mim, achando que sem o outro – que é apenas o outro -, não serei feliz.

Todavia, diante do que discorri, não pretendo colocar o amor no banco dos réus, mas as milhões de formas como chamamos esse sentimento, ou seja, há pessoas chamando noites avulsas de sexo, de amor à primeira vista, enquanto outras chamam a companhia da balada de príncipe encantado. Ah, e tem aquelas que ainda dizem, após uma semana de contato, que já não vivem mais sem a outra parte da laranja. E olha que, às vezes, a laranja é limão.

Acredito que cada um tem o direito de escolher onde deseja ancorar seu barco, isto é, entregar seus sentimentos, o que precisamos saber é até quando nosso barco precisa ficar na encosta para amadurecer. Mas e se isso não acontecer? Teremos coragem de nos retirar do cenário ou viveremos “ancorados” – dependentes -, por medo da solidão?

Sei que é importante amar, mas mais importante ainda é sentir que alguém nos ama tal como amamos a nós mesmos, porque hoje – sem sensacionalismo, mas coerência -, estamos na época cujas pessoas estão preocupadas em se relacionar, mas, em contrapartida, estamos também rodeados por aquelas que querem apenas o momento. Eis então a mais significativa solução: refletir. Sendo assim, perante todo esse horizonte sentimental vale lembrar do que Fernando Pessoa disse:

Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

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