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Resgatando nosso altruísmo

Vida Saudável - Camila Napolitano - 30 de maio de 2017

Nascemos seres altruístas, mas conforme somos impactos pela cultura do meio em que vivemos, pelos ensinamentos dos nossos pais, pela escola, pelos amigos que vamos conhecendo, isso vai se tornando oculto, só se revelando, quando estamos ao lado de pessoas próximas, que conhecemos e que nos damos bem.

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Toda guerra é falta de amor

Felicidade - Jared Amarante - 7 de abril de 2017

Respira-se morte todos os dias na Síria. Respira-se morte todos os dias no Brasil. Respira-se morte todos os dias dentro de nós. Mas o que está acontecendo com o mundo? Alguém consegue responder tamanha e dolorosa questão? Compreendo que a existência é mais cheia de perguntas do que respostas. Porém tem horas que parece que não vamos suportar.

Não estou me referindo só às guerras, porque elas “nunca” vão cessar, e sim sobre a nossa postura diante de tudo que está a nossa frente. Quando abrimos os olhos o que  importa se temos orgulho de mais? Quando olhamos pro outro o que importa é o que ele tem para oferecer ou o tamanho de sua ferida? Quando penso que minha vida “está confortável”, por isso cada “um com seus problemas”, será que minhas orações fazem sentido?

Deus, os seres celestiais, as energias do bem, o universo, pode até escutar minhas preces, mas não se alegram. Porque estamos sendo muito incoerentes! Não vamos honrar com os lábios, pois palavras todos dizem. Vamos honrar com o coração.

Toda desgraça nessa terra acontece quando passamos a pensar só em nós mesmos. Quando queremos ser juízes ao invés de acolher. Quando queremos despejar, em cima do mais “fraco”, nossas ideologias.

Quantos de nós, dia a dia, pergunta como o outro está? E se este responde, será que realmente estamos ouvindo? Escutar todo mundo escuta, porque ouvir é só para quem está disposto a colocar sua dor no bolso e ajudar o outro a carregar a sua.

As maiores guerras são as internas, que geram, indiscutivelmente, as externas, sejam elas grandes ou pequenas, alguém sempre sai machucado.

Olhe para dentro de si. Não há motivos para forçar alguém a seguir nenhum caminho, porque você também está tentando encontrar o seu. Por isso, pratique o perdão e a empatia. Assim teremos paz. Pois, enquanto a guerra custa tanto, a paz não custa nada.

 

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Em tempos de incertezas, a fé na vida é nossa inspiração

Sustentabilidade - Chirles Oliveira - 9 de fevereiro de 2017

Você parou para pensar que a Fé é o nosso poder de transformar? É ela que movimenta nossa caminhada em direção ao crescimento, à evolução, à realização, à cura. A fé na vida é nossa inspiração para continuar lutando pelo que acreditamos.  Em tempos de incertezas, a fé na vida é nossa inspiração e fortaleza. Continuar Lendo

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Que venha a era do encontro! Cansei das velhas histórias!

Felicidade - Chirles Oliveira - 1 de dezembro de 2016

Um dia na história da civilização, criaram uma versão de mundo de que somos seres separados. Nós acreditamos e evoluímos nessa direção racional, materialista, mecanicista e desconectada. Mas a história da separação é uma inverdade, pois Todos Somos Um.

Tenho observado de que estamos vivendo um tempo de transição. Transição na política, na economia, nas relações com o outro e com a natureza. Como afirmou Charles Eisentein, em sua palestra no Sesc da Vila Mariana, no último dia 23 de dezembro, a próxima história será da Era do Encontro, das relações pautadas nos valores e no propósito de vida, na abundância e na interconexão,  no cuidado e no coração. Essa nova era cultural está baseada na consciência, na reflexão, na colaboração, na comunhão dos corações.

Então, para adentrarmos nesse novo tempo, permitamos – nos curar do desamor; permitamos – nos curar dos medos da escassez; permitamos- nos curar com a força da natureza que nos conecta com o sagrado que habita em nós. Essa força está no mar, nas montanhas, nas florestas, nas águas, no ar, nas flores, nos animais, insetos e na plantinha que está na minha janela ou na minha sala.

Há muita sabedoria no viver natural, na simplicidade elegante;

Há muita cura na entrega à natureza;

Há muita vida para se viver em plenitude na Era do Encontro;

E toda essa escolha depende de nós, das nossas reflexões que gerarão escolhas conscientes. Sejamos transparentes com o que pensamos!

Ao ouvirmos a voz do coração estaremos prontos para servir às pessoas, para vivermos com o propósito da nossa alma, em comunhão, em conexão com todos e com o Todo. Eu topo abrir espaços em mim para que essa expressão do amor se manifeste. Vamos juntos nessa?

Nós iremos construir a Era do Encontro por meio das nossas atitudes no Agora. Usemos então nossa força mental, espiritual, emocional, afetiva para promover as mudanças que queremos ver no mundo.

 Você ouve a voz do seu coração?

Você permite dizer sim para aquilo que tem significado para você? Ou ainda está preso às convenções e a história da separação que nega seu verdadeiro chamado? Dizer um NÃO com alma e inteireza é melhor do que dizer um sim relutante, irreal, sufocante.

Precisamos respirar e nos perguntar. Com o que quero me conectar? O que eu realmente quero? O que traz sentido para minha vida? Como posso fazer algo significativo para mim e para o coletivo?

Quantas vezes negligenciamos nosso querer genuíno (não do ego), porque o outro não está na mesma sintonia?

Quantas vezes bloqueamos nossos talentos porque damos ao outro o poder de castrar nossos sonhos?

Quantas vezes nossas crenças do passado (ou da velha história contada há séculos) minam nossa energia de realização e nos impede de acessar o presente momento com inteireza?

Quando estamos na sintonia da reclamação da vida, do trabalho, do amor, estamos identificados com um passado de medos e de ignorância e talvez, seja a hora certa para mudar com o coração.

Por que culpamos os outros pela nossa infeliz situação? Por que dar tanto poder ao outro se a vida não é dele?

Por muitos anos me identifiquei com vários fatos do passado, neguei algumas dores, reneguei minha sombra e dessa forma, sofri com elas, pois as carreguei comigo como verdades imutáveis. Demorei quase uma vida para entender como transformar dor em amor, tristeza em força interior, frustrações em aprendizado para recomeçar com coragem para viver diferente.

A busca pelo autoconhecimento é a chave para vivermos a Era do Encontro, mas na maioria das vezes, nossas dores, culpas, desculpas, medos, mágoas, ou seja, nossas máscaras protetoras retardam e nos impedem de acessar nossa verdade maior, a verdade do amor, a voz do nosso coração.

Não é negando as dores que iremos solucioná-las. Somente quando mergulhamos nelas, enfrentamos os conflitos da nossa alma perdida. E aí começa o processo de perdoar, amar e agradecer, transformando as sombras em luz.

Ah, sei que não é nada fácil, sei que esse mergulho é revelador de sombras, mas nada melhor do que a liberdade depois desse trabalho de reconexão do eu. Ah, e também essa limpeza faz parte de um processo, que pode ser rápido, lento, eterno…só depende da nossa permissão consciente.

Convido a todos a abrirem mãos do sofrimento que carregam por dias, meses, décadas, vidas! Você quer continuar a ser vítima ou deseja ser protagonista da sua jornada!?

Não há receita, mas há o caminho do autoconhecimento aliado com o poder do seu coração! Então, medite, acredite, confie, esteja presente, vá em frente e dê vazão a sua VOZ interior! Coisas boas acontecerão com certeza!

Como afirma a querida Monja Coen:

“Não há uma pessoa má, um país inimigo. Existem situações frutos da ganância, raiva e ignorância: os três venenos que atacam o ser humano.

Contra a ganância, existe a doação: em vez de querer mais e mais, passamos a compartilhar, a doar. Contra a raiva: a compreensão, a compaixão e a tolerância. Contra a ignorância: a sabedoria iluminada”.

Assim seja! Assim É!

Abraços Fraternos! Namastê!

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O caminho do despertar…aos poucos e sempre!

Vida Saudável - Chirles Oliveira - 24 de novembro de 2016

No dia 9 de novembro passado escrevi esse texto e publiquei na minha página pessoal do Facebook sobre meu aprendizado nos últimos tempos. Sobre o caminho do meu despertar…que foi aos poucos, mas contínuo! E continuo nessa jornada! Continuar Lendo

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Para viver a dois, antes, é necessário ser um

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 30 de setembro de 2016

Que todos desejamos assistir a um filme com alguém debaixo da coberta, isso é fato. Mas e quando as cenas do enredo são tão tristes quanto a insegurança que a companhia traz? E quando não sabemos o real motivo de não nos satisfazermos em assistir sozinhos? Seria esse um mal-estar do frágil coração? Diríamos que, para simplificar esse possível medo de estar só, revelam-se, no dia a dia, entregas prematuras, que geram mal-estar à alma, desaguando no corpo.

Aqui, pretende-se falar sobre os nossos sentimentos, uma vez que eles determinam o que há no coração. Ah, sim… Mas e se houver dentro de nós uma pessoa que queiramos chamar de tesouro? Poderia ser ela mais valiosa que o amor-próprio?

Há quem diga que essas perguntas podem ser respondidas com mil argumentos. No entanto, prefiro apostar na ideia de que somos um oceano, e que nem todos os que nos acompanham terão disposição para mergulhar, porque alguns nasceram apenas para ficar à margem, isto é, trazem-nos a percepção de força, que nada é mais do que olharmos para nós e percebermos que, se o outro quer ir, é seu esse direito, mas não é meu o direito de desistir de mim, achando que sem o outro – que é apenas o outro -, não serei feliz.

Todavia, diante do que discorri, não pretendo colocar o amor no banco dos réus, mas as milhões de formas como chamamos esse sentimento, ou seja, há pessoas chamando noites avulsas de sexo, de amor à primeira vista, enquanto outras chamam a companhia da balada de príncipe encantado. Ah, e tem aquelas que ainda dizem, após uma semana de contato, que já não vivem mais sem a outra parte da laranja. E olha que, às vezes, a laranja é limão.

Acredito que cada um tem o direito de escolher onde deseja ancorar seu barco, isto é, entregar seus sentimentos, o que precisamos saber é até quando nosso barco precisa ficar na encosta para amadurecer. Mas e se isso não acontecer? Teremos coragem de nos retirar do cenário ou viveremos “ancorados” – dependentes -, por medo da solidão?

Sei que é importante amar, mas mais importante ainda é sentir que alguém nos ama tal como amamos a nós mesmos, porque hoje – sem sensacionalismo, mas coerência -, estamos na época cujas pessoas estão preocupadas em se relacionar, mas, em contrapartida, estamos também rodeados por aquelas que querem apenas o momento. Eis então a mais significativa solução: refletir. Sendo assim, perante todo esse horizonte sentimental vale lembrar do que Fernando Pessoa disse:

Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

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E quando não recebemos amor?

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 23 de setembro de 2016

Não importa o quanto tenhamos amor por alguém se esta pessoa não nos quer. Não importa o quão extensos sejam nossos desejos se a pessoa “amada” não nos quer. Não importa o tamanho e a força das nossas esperanças se o outro não se importa. Sabe o que é? Não podemos forçar ninguém a ser como gostaríamos, né? E a pergunta ressoa: o que fazer quando não recebemos amor?

Essa é uma verdade cruel de aceitar, mas a vida não é assim? Nunca saberemos se um relacionamento vai dar certo ou não, por isso precisamos correr o risco. Mas até quando? Por toda a vida, eu diria. Até mesmo porque cada pessoa é diferente. Ou será que ter medo de sofrer e ficar paralisado é, também, uma forma de negar o amor?

Precisamos parar com tanta idealização, pois expectativa sem sabedoria pode ferir. Mas como viver sem expectativas? Calma, não se trata de deixar de viver ou se relacionar, e sim de ter passos mais lentos, compreendendo que cada um tem uma forma de ser, de sentir, de demonstrar. Por que, então, nos desesperamos tanto?

O amor verdadeiro, sinceramente, só existe na reciprocidade, porque o contrário disso é absolutamente desgastante e desumano. Por isso, saiba ter paciência em um relacionamento, mas não aceite tudo. Saiba agradar, mas espere receber o mesmo, ou alguma coisa está errada. Saiba reconhecer as qualidades, sem ter que apontar os defeitos do outro em todas as brigas. Saiba ir embora se for necessário. O amor não existe nas migalhas.

Não se deve insistir quando o outro não quer. Não se trata de ser fraco, mas de ter amor-próprio. Olhe bem as coisas e você perceberá que quando alguém quer ir embora, esse, aos poucos, vai deixando de ligar, de perguntar do seu dia, de dizer que está com saudade, de demonstrar, até que um vazio se instala.

E aí você começa, depois de muitas tentativas, a cansar e decide ir embora, pois não aguenta sofrer por alguém que não tem olhos voltados para você, seus sonhos e sua vida. Desta forma, só se pode entender que o amor mais lindo é aquele retribuído, ou não fará bem.

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Se acostume: as pessoas vão embora

Colunistas - Jared Amarante - 9 de setembro de 2016

A vida é uma é uma grande e incansável roda gigante, girando e mudando as coisas dia após dia. Mas quantos de nós estamos preparados para essas voltas? Quantos de nós aceitamos o novo? Quantos de nós sabemos a hora de ir embora? Nosso desespero, por manter tudo no controle, o tempo todo, faz com que sejamos infelizes.

Você, com o passar o tempo, começa a perceber que não pode ter o domínio sobre todos os acontecimentos, imagina então sobre os sentimentos das pessoas e dos seus próprios? Impossível decifrar todas as coisas do coração. Mas não é tão difícil, embora seja doloroso, reconhecer o momento onde vemos que tudo que esperamos do outro não está acontecendo e que por isso é hora de ir.

Ir se encontrar com suas próprias verdades. Ir se libertar dos medos sociais. Ir amar outra pessoa. Ir cicatrizar seu coração. Ir realizar novos sonhos. Ir se perdoar. Ir fazer novas escolhas e jogar coisas velhas na lata do lixo. Ir descobrir que você pode ser inteiro sem alguém.

Há pessoas que vão querer que estejamos distantes, mas nem por isso perdemos nosso valor. Há lugares que já não seremos tão bem vindos como antes, mas nem por isso todos os outros lugares do mundo perderam a graça. Há corações que estarão trancados para nós, mas não quer dizer que um dia não terá um disposto a nos amar. Como disse Saint Exupéry: “É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou”.

Assim não são pessoas?

Nada que não for recíproco lhe fará bem. Será que você entende isso? Então, tenha mais coragem de se distanciar, para que haja mais paz do que razão em sua vida. Essa é uma troca maravilhosa. A escolha é apenas nossa. Contudo, a verdade é que deixar coisas, lugares e pessoas, pode, mais tarde, nos poupar de muitos machucados, pois quem quer ficar, sinceramente, arrumará um caminho, quem não quer, sinceramente, falará uma desculpa.

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O Valor da Oração

Vida Saudável - Chirles Oliveira - 8 de agosto de 2016

A oração é uma força na qual usamos a nossa vontade como impulso de ação para transformar a realidade e a nós mesmos. Tendemos a ver a oração como algo que está no âmbito do religioso, ou mesmo da superstição. A oração, porém, é uma ação, e como toda ação, tem o seu resultado. Continuar Lendo

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Lama Michel Rinpoche – “É importante ter um refúgio de amor”

Felicidade - Chirles Oliveira - 1 de março de 2016

Um paulistano de 32 anos que desde os 12 leva uma vida monástica, usa os característicos trajes de monge budista e viaja pelo mundo para levar ensinamentos. Parece intrigante? Então espere para saber que ele foi reconhecido por seus mestres como a reencarnação de um mestre tibetano, um fato importante, mas, segundo ele, não determinante na sua escolha pessoal por permanecer no caminho. Estamos falando do Lama Michel Rinpoche, com quem tivemos a sorte de conversar em nome do Nowmastê. Na breve, mas elucidativa entrevista, a impressão que ficou foi a de imediata familiaridade. O Lama fala sobre os fundamentos budistas com clareza e generosidade, o que tornou a sessão de perguntas e respostas um momento de reflexão para toda equipe do site. É essa experiência que queremos transmitir aos nossos leitores.

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Nowmastê – Lama Michel, nessa vida louca que levamos, cheia de questões controversas, desde as mais complexas até as cotidianas – como o trânsito paulistano-, como encontrar momentos de serenidade?

Lama Michel – A primeira coisa é nos fazermos perguntas. É a partir daí que abriremos espaço para encontrar as respostas. Ainda mais hoje que temos tanto acesso à informação, com a Internet e outros meios de comunicação. Nesse exemplo que você falou, do trânsito de São Paulo, desde que eu era menino e vivia na cidade o tema já era motivo de reclamação. Então a pergunta é: “Seria possível viver isso de uma forma melhor, me relacionando positivamente com o mundo?” Porque o sofrimento geralmente vem de uma expectativa (o trânsito não poderia existir). Bem, como diria meu mestre, “se é, é porque pode”, então é melhor usar esse tempo que você fica parado de uma forma positiva. Eu conheço pessoas que aproveitam para escutar música, palestras, ensinamentos. E até querem que o trânsito vá mais devagar para que ele possa ouvir mais. É uma questão de avaliar as causas e as condições para melhorar a situação.

Nowmastê – E a impotência que sentimos em relação a coisas que vemos diariamente? Por exemplo, as pessoas em situação de miséria, as crianças desamparadas e outras questões sociais?

Lama Michel  – É importante  ajudar os outros verdadeiramente. E isso pode acontecer de forma momentânea, como dar um moleton a quem está com frio, ou comida para quem tem fome, o que é louvável. Mas há algo ainda mais nobre que é ajudar a si mesmo e, aí sim, ter as condições de ajudar as outras pessoas. Porque, segundo os ensinamentos do budismo, você aprende primeiro sobre o amor próprio, depois sobre o amor ao próximo e depois chega à correta visão da realidade. A partir daí estamos prontos para ter mais compaixão, mais estabilidade e mais generosidade.

Ainda nesse tema, há duas coisas importantes. A primeira é que as pessoas dediquem um pouco do seu tempo e recursos para ajudar o próximo. Cada um deve respeitar os limites e reconhecer qual é a sua capacidade, que pode começar com uma coisa simples como doar uma quantia por mês, ou ser voluntário, ou ajudar uma pessoa em dificuldades. Nem muito, nem pouco. A segunda coisa fundamental é não cair na indiferença, mesmo quando achamos que não somos capazes. Se encontramos uma pessoa na rua e ela nos aborda é importante presenciar a sua presença. Um olhar, um sorriso, uma resposta é o que a outra pessoa espera de nós. Às vezes até mais do que dinheiro.

Nowmastê – Existe aquela máxima que diz que há duas formas de aprender: pelo amor e pela dor. Você concorda com isso? Quais são suas impressões sobre o assunto?

Lama Michel – Para mim faz sentido. Acredito que as minhas dificuldades foram sagradas. Os problemas foram sagrados. Mas não é qualquer dor que ensina. É preciso olhar nos olhos da dor, encarar de verdade, “pegar o boi pelos chifres”. E essa ação não é só física, mas sim mental. Eu conheço pessoas que passaram por dores terríveis e, quando pergunto se preferiam que fosse diferente, dizem que escolheriam exatamente as mesmas situações justamente para serem o que são hoje. O importante é não fugir, pois se você deixa passar, mais cedo ou mais tarde aquilo vai aparecer de novo, de outra forma, mas com as mesmas questões. Muitas vezes somos preguiçosos para mudar e é isso que causa o sofrimento. Quanto ao amor, o aprendizado é sempre pelo exemplo, então aquilo que é dado com amor a gente recebe e acolhe. O poder do amor é transformador, traz uma sensação de confiar e “ser confiado”. E para lidar com dificuldades é muito importante ter um refúgio de amor, uma base positiva onde a pessoa encontra os recursos para ir em frente.

Nowmastê – Você acredita que os nossos insights pessoais também servem para as outras pessoas? Vale a pena compartilhá-los?

Lama Michel – Quando temos uma experiência profunda é como tentar contar da experiência do sorvete de chocolate para quem não conhece nem sorvete, nem chocolate. A pessoa pode tentar entender, mas não vai ter graça. De qualquer forma, quando algo faz sentido é correto compartilhar, desde que sem tentar converter. Com o tempo, temos a sabedoria de passar as coisas da forma certa, no momento certo para quem quiser ouvir. E a responsabilidade é sempre de quem fala, se adequando a quem ouve. Cada um vai até onde quer ir.

Com essa conversa, sob medida para refletirmos e nos inspirarmos, encerramos as entrevistas de 2013 do Nowmastê. E desejamos muitas alegrias, paz e luz para todos os nossos leitores.

Sobre o Lama Michel

Nascido em  1981, na cidade de São Paulo, conheceu seu mestre, Lama Gangchen Rinpoche quando tinha cinco anos. Logo em seguida passou a viajar por lugares sagrados no Tibete, Índia, Nepal e Indonésia quando foi reconhecido como um Tulku, ou seja, a reencarnação de um mestre que viveu no Tibete. Aos 12 anos, inspirado pelo convívio com Lama Gangchen Rinpoche e diversos Lamas tibetanos, decidiu, por conta própria, seguir a vida monástica na Universidade Monástica de Sera Me, no Sul da Índia. Por 12 anos recebeu formação nas práticas e filosofia budista segundo a tradição Guelugpa do budismo tibetano. Desde 2006 reside na Itália, e tem passado três meses do ano dedicando-se aos estudos e práticas no Monastério de Tashi Lhumpo, em Shigatse, no Tibete.

Ensinamentos do Lama Michel

Para quem quer ouvir ensinamentos durante o trânsito, aqui vão os do Lama Michel para você copiar.

Texto publicado originalmente no site Nowmastê (nosso parceiro em espalhar as boas palavras, ideias e intenções no mundo!)

site http://www.nowmaste.com.br

fanpage: Nowmaste

Instagram @nowmaste

 

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