Especialista em felicidade corporativa, Chirles de Oliveira explica por que investir no bem-estar dos colaboradores é urgente, viável e estratégico para empresas que desejam crescer de forma sustentável.
Por que falar em felicidade no trabalho deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência estratégica?
Hoje, promover felicidade no ambiente corporativo não é mais um gesto simpático ou uma tendência “bonita”. É uma exigência estratégica. Empresas que colocam o bem-estar no centro das decisões crescem de forma mais sustentável, criam vínculos mais fortes com seus colaboradores e aumentam desempenho e lucro.
Há dados que comprovam essa relação entre felicidade e produtividade?
Sim. Um estudo da Universidade da Califórnia mostra que colaboradores felizes são 31% mais produtivos e geram 37% mais vendas. A pesquisa da Gallup também revela que empresas com alto índice de bem-estar têm 23% mais lucratividade e 78% menos absenteísmo. Não é sobre “alegria gratuita” — é sobre performance com saúde.
Como está o Brasil nesse cenário?
Infelizmente, ainda enfrentamos muitos desafios. O estudo Pluxee & The Happiness Index de 2024 mostrou que os profissionais brasileiros estão 9% mais infelizes que a média global. Além disso, lideramos o ranking mundial de rotatividade com 56%, segundo a Robert Half. E quando falamos de saúde mental, a situação é ainda mais alarmante: somos o país com maior número de casos de ansiedade e o segundo em burnout, atrás apenas do Japão.
O que, de fato, faz alguém se sentir feliz no trabalho?
Vai muito além do salário. São cinco fatores principais:
1. Propósito: sentir que o que faz tem um significado real;
2. Autonomia e responsabilidade: poder tomar decisões e ser dono da própria jornada;
3. Segurança emocional: liberdade para ter conversas francas e difíceis;
4. Relações saudáveis: um ambiente de respeito, escuta e acolhimento;
5. Desenvolvimento contínuo: crescer como profissional e como ser humano.
Existe alguma mudança na legislação que fortaleça esse olhar para o bem-estar no trabalho?
Sim. A partir de maio de 2025, entra em vigor a atualização da NR-1, que exige das empresas o gerenciamento de riscos psicossociais, como estresse, assédio moral e sobrecarga de trabalho. A saúde mental agora é uma responsabilidade legal. As organizações terão que registrar, prevenir e agir. Ignorar isso pode gerar penalidades.
Quais estratégias você recomenda para criar um ambiente mais feliz?
Não existem fórmulas mágicas, mas é possível começar com um compromisso diário. Algumas ações efetivas são:
- Incentivar uma cultura positiva;
- Investir em desenvolvimento profissional e pessoal;
- Oferecer flexibilidade real;
- Reconhecer de verdade o trabalho das pessoas;
E cuidar da saúde mental com programas de apoio, pausas conscientes, práticas como mindfulness e incentivo ao autocuidado — incluindo sono, alimentação e movimento do corpo.
Felicidade também virou pauta global, certo?
Sim. A ONU já reconhece a felicidade como pilar do desenvolvimento sustentável. Justiça social, igualdade e bem-estar são fundamentais para um mundo melhor. Quando uma empresa investe na felicidade de seus colaboradores, ela cresce, floresce — e ajuda a florescer tudo ao redor.
E para encerrar: o que você diria para líderes que ainda não enxergam a importância desse tema?
Eu diria que investir na felicidade dos funcionários é mais do que uma estratégia de gestão: é um gesto de futuro. Empresas felizes não apenas performam melhor — elas deixam um legado.
Por: Emiliano Macedo
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