Postagens sobre novos tempos

Quando a amizade é verdadeira?

Felicidade - Chirles Oliveira - 26 de maio de 2017

Ao longo da vida encontramos pessoas que passam por nós por um instante, uma breve experiência, uma caminhada ou uma jornada. Por essas diferentes situações, o que torna uma amizade verdadeira?

Muitas pessoas tem a oportunidade de cultivar amigos desde a infância, os amigos de longa data; outras conseguem viver intensamente uma amizade pelo período de trabalho, de férias, de um retiro, pois algo é construído ali. Talvez sejam reencontros!

Na verdade, há muitas situações de encontros, sintonias, sincronicidades, e nenhuma fórmula ou explicação para os laços afetivos tecidos numa relação de amizade verdadeira.

E o que é amizade para você? É longevidade ou intensidade?

Muitas vezes, queremos uma vida permanente onde tudo é estável. Mas a vida e os grandes sábios tem nos mostrado exatamente o contrário, que crescemos quando mudamos. Quando permitimos dar um passo, depois outro, numa caminhada que precisa de fé, coragem, dedicação, e encontros, sejam eles um pouco mais duradouros, ou não.

Para mim, amizade é a capacidade de estar junto, de viver alegrias e tristezas, de celebrar a vida, de trocar experiências, de partilhar sentimentos e segredos, de acolhimento, de doação sincera do tempo, da capacidade de gerar e viver o amor fraternal. Dizem que a versão do amor mais desinteresseiro é a amizade. E acredito que seja realmente.

Quando amamos um amigo, queremos que ele fique bem, que ele conquiste seus sonhos e que na hora das dificuldades encontre um ombro amigo para desabafar. E mesmo que ele esteja distante, que ele faça uma caminhada solo, torcemos para que ele seja feliz!

Nem sempre poderemos estar juntos, de mãos dadas, pois os caminhos podem fluir para diferentes direções, e tudo bem, pois isso, necessariamente, não significa separação. É simplesmente o tempo das coisas.

O tempo nos faz seguir em frente e nessa jornada nos faz chegar e partir. Quantas vezes chegamos na vida de alguém e pensamos em ficar ali para sempre? Você lembra da sua primeira amiga do jardim ou do prezinho? E os amigos do colegial, da faculdade, do primeiro emprego, dos projetos sociais que você participou, dos cursos e imersões que realizou…onde estão todos eles?

Com certeza todos tem um lugar guardado em nossos corações. Todos deixaram algo em nós e levaram algo de nós também. E se deixaram um pouco de amor e levaram uma pitada de alegria, companheirismo, risadas, compreensão, então essa caminhada super valeu a pena.

No fim, tudo o que construímos baseado no amor e no afeto perdurará mesmo à distância. A impermanência da existência é que ditará as horas das chegadas e das partidas, as horas dos encontros e das despedidas. E assim, vamos tecendo uma teia da vida cheia de pontos, e que em cada ponto haja um enlace verdadeiro de amizade, de gentilezas, de atenção  e de conexões amorosas.

No mais, deixa a vida fluir como um rio livre até ele encontrar o vasto oceano de possibilidades.

Abraços Fraternos!

 

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POR QUE NÃO FAZEMOS A MUDANÇA QUE NOSSA ALMA DESEJA?

Felicidade - Chirles Oliveira - 22 de fevereiro de 2017

O título “Por que não fazemos a mudança que nossa alma deseja? ” foi a pergunta que abriu o bate papo que minha querida Andréa Bisker e eu conduzimos na 1a Confraria dos Repensadores de 2017, a semana passada.

Todos estamos vivendo um momento de transição de valores e crenças há uns bons anos. Sabemos que as mudanças são profundas e estão levando a sociedade para caminhos pouco conhecidos e, o que é pior, que elas chegaram à nossa mesa de jantar. Compreendemos já que não tem como fugir. Muito de nós vem estudando, lendo, ouvindo e discutindo para se informar e entender melhor o que se está passando no mundo. A cada palestra assistida, a cada livro lido, a cada workshop participado a experiência nos leva para a melhor compreensão daquilo que já sabemos. Vivemos reafirmando que precisamos mudar e não o fazemos. Porque?

Um motivo que está sendo bastante trabalhado é o medo, que eu chamo medo da escassez. Nossa mente é capaz de criar realidades de toda espécie, e quando se refere a nos prevenir, ela é experta o suficiente para criar aquela que mais nos apavora. Independente de qual seja a falta que mais te assusta, o medo de não ter, de não dar conta de uma necessidade, o medo de ser esquecido… ele supera a tua consciência da urgência em mudar.

Como segundo motivo identifico a consciência que estamos adquirindo que, para realizar a mudança teremos que modificar a referência de nós mesmos. E é aqui que creio estar um dos maiores nós. Fomos criados numa sociedade hierarquizada na qual o possuir era parâmetro de sucesso. O escalar hierarquias corporativas significava inteligência e brilhantismo. O empreender grandes e importantes negócios representava relevância social. O high society era o parâmetro do que é ser lindo e feliz. A nossa imagem tanto social como pessoal esteve, e ainda está, associada a estes modelos sociais. Podíamos aceitar que eles estavam longe de nós e buscar posições alternativas, mas aqueles ícones continuavam guiando a nossa avaliação sobre nós mesmos e sobre os outros.

Talvez em resposta à insatisfação que não calava dentro de nós, fomos valorizando o sentido de felicidade nestes tempos modernos e isso nos trouxe um olhar mais filosófico para nossa existência. Começamos a desmistificar o high society e tudo que esse reino distante representa, buscamos alternativas em modelos que consideramos mais modernos e cools; mas, ainda, no momento delicado e frágil em que nos colocamos perante o outro, as velhas e persistentes estruturas que dizem quem é uma pessoa de valor na sociedade, nos trazem segurança ou a tiram de nós.

Quem eu sou, passa pela minha identidade social, pela forma como os outros me vem e me avaliam. Ter o cuidado com essa avaliação considero normal já que somos seres sociais. O que devemos lembrar que se por um lado vivemos o conflito entre fazer o que nossa alma deseja e continuar o modelo social regente – a clássica ambiguidade dos tempos de transição – quando nos colocamos no papel de sociedade somos ferozes julgadores daqueles que como nós, só querem tentar novas formas de vida.

Há outra dor, talvez a mais profunda que nos impede de seguir os desejos da alma: o julgamento que fazemos com nós mesmos. Sim, a sociedade nos julga com parâmetros e estruturas obsoletas, que de tão velhas parecem as vezes até caricatas, mas o quanto cobramos de nós mesmos o sentido de sucesso e vitória prometido aos nossos pais, à vida, ao teu olhar no espelho? Este sim, acredito ser o nosso maior algoz. O quanto nosso sentido de vitória ainda está atrelado aos velhos modelos? O quanto o fracasso associado a esses modelos, te assustam?

O Movimentos Humano A Desestruturação está em nossa volta evidente e claro, nem preciso mais explicá-lo aqui; agora chegou a hora de deixá-lo agir nas nossas crenças que regem quem eu sou. As referências que guiam nossa identidade. Desestruture o conceito que você tem de você bem-sucedido na vida e deixe teu Sentir conduzir essa nova construção do Eu. Compreenda que o mundo mudou, que não há caminhos certos nem errados, e que todos nós estamos tentando, cada dia um pouco mais, viver o que nossa alma deseja.

Mulher, peruana radicada no Brasil desde 1985, casada pela segunda vez, sem filhos por opção, embora considere que a maternidade lhe faria uma pessoa melhor; dona de casa e empresária, viajante inveterada, espiritualista, admiradora da espécie humana e toda sua idiossincrasia. Da publicidade, sua profissão original, trouxe a criatividade para romper com formas e padrões da pesquisa tradicional aprendidos em quase 30 anos como pesquisadora; da pós graduação em marketing e administração, trouxe a estrutura para empreender no Brasil, criando a Behavior em 1997.

Esse texto foi compartilhado em parceria com a Behavior

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