Indo além do muro

Há duas semanas calei a minha voz neste blog. Difícil escrever com tantos acontecimentos ruins em volta: a delicada situação de saúde da Maria Luisa (quer conhecer o que aconteceu com ela? clique aqui), bomba química lançada de um lado, resposta com mísseis de outro, testes nucleares, descobertas de níveis de corrupção que, mesmo conscientes que seja uma prática comum no mundo do poder – seja ele qual for – nos surpreende pelo volume e proporção. A tristeza me invadiu e me fez calar.

Mas a Quaresma passou, fui aos poucos rompendo com a inercia que me envolvia e na busca por temas para escrever, intencionalmente, longe dos temas que entristecem, naveguei por diferentes aspectos positivos que andam acontecendo e que parecem poucos dado o foco que damos ao negativo. Vendo a quantidade de movimentos, iniciativas, mudanças de atitudes que estamos vivendo na construção de uma sociedade mais próxima ao que queremos, ficou mais claro ainda que todos os acontecimentos de exercício de poder de subjugação – o poder sobre – exercidos no nosso pequeno cotidiano – aumento nos casos de machismo, estrupo e femicídio – até os mundiais vindo da Síria, USA, Rússia, Coréia do Norte, Venezuela e por ai vai; também são respostas à mudança no eixo de poder que estamos vivendo.

Desculpem os negativos de plantão – será que essa postura, “a sociedade não tem jeito” não é desculpa para não fazer a sua parte? – mas a força com que o poder sobre está se manifestando, só deixa claro para mim que o poder para está chegando com tudo. Ninguém gasta tanto esforço com aquilo que considera insignificante. Quer demonstrações em nosso cotidiano sobre o crescimento do Movimentos Humano Poder Isonômico (isonomia = direitos iguais para todos, não precisando todos serem iguais)? vamos lá, pense em como a hierarquia está diminuindo dentro das empresas. Pense nos jovens que não aceitam uma postura submissa para o poder hierárquico corporativo. Para eles o simples fato de uma pessoa ter um cargo elevado não significa mérito. Pense em como eles precisam – isso mesmo é uma necessidade – admirar seus líderes e não ter medo.

Como o cara poderoso para eles, é o cara que sabe, o cara que fez, o cara que realiza, o cara que inova. Pense nos chamados hackers do sistema, aqueles que estão quebrando as pernas da forma como o dinheiro gira, transita e se acumula – e creio que aqui é um dos grandes pontos de conflito, o dinheiro, claro! – Uber, Whatsapp, Catarse e Benfeitoria (os dois últimos Crowdfundings e financiamentos coletivos, estes sim revoluções maravilhosas!) que faz com que saiamos aos poucos, da saias das empresas e dos grandes patrocinadores. Não significa que eu esteja de acordo com com todos estes movimentos e empresas, como o Uber, por exemplo, mas sem dúvida empresas e ações como eles desestruturam um sistema organizado para o poder circular e se manter.

Tampouco acredito que as empresas e o mundo corporativo que elas criam, não serão, no futuro, necessárias nem seus apoios e patrocínios. Muito pelo contrário. Empresas ajudam muito a sociedade e elas são e serão necessárias. Mas esses movimentos estão fazendo com que aos poucos a concentração de poder – de informação, de mobilização, de pensamento… – se distribua. E o poder distribuído muda tudo.

Sexta-feira fui encontrar meu grupo da Escola Schumacher Brasil. Cada encontro recebo um banho de informação e conteúdo desses meus amigos que admiro e me fazem feliz. Sempre me surpreendo como eles são conectados com tudo o que está acontecendo nesse novo mundo que surgiu e está cada vez mais forte. E me faz refletir como quem vive e circula dentro dos muros da cidadezinha do velho mundo, nem percebe que esse mundo existe. Continua com seus lamentos trabalhando em empresas que não lhe dizem mais nada e sonhando com outras formas de vida, como se isso fosse um sonho não realizável.

A mudança não precisa ser drástica mas precisamos abrir espaço e sair dos muros do velho mundo. Nos conectar. Nos informar. Sair da área de conforto. Hoje há inúmeras opções para ir tomando conhecimento e apreendendo novas formas de operar no sistema colaborativo. Cada um no seu tempo. Mas o tempo só começa a contar quando damos o primeiro passo.

Está a fim de começar sua semana com novos ares? Veja aqui algumas sugestões que fazem bem a alma, arejam e nos instalam nesse novo mundo:

1. Alimente sua alma assistindo o espetáculo Homem de la Mancha, com meu querido Arizio Magalhães: “sonhar mais um sonho impossível“, e comece a sonhar. Faz bem a alma, acredite. Sábado fui pela segunda vez assistir e saí dela leve e sonhadora (clique aqui).

2. Apoie uma iniciativa através do crowdfundign, e se conecte com uma causa e movimento que leve você a construir uma visão comunitária da nossa sociedade. Pilar desse nosso mundo novo. Por estarmos conectados recebemos vários projetos por semana, aqui selecionei os mais atuais e que me tocam (entre nos sites dos principais crowdfunding e descubra a causa que toque seu coração):

Paulista#360, filme do meu querido Leonardo Brant que busca a celebração da diversidade cultural” e que a Av. Paulista tem de sobra e pratica há décadas (clique aqui).

E o Mar não Existe, peça teatral de jovens atores que questiona justamente o poder. Com meu ator revelação Felipe Vargens e sua turma que espera de nosso apoio para colocar a peça em pé (clique aqui).

Contra o femicídio. Ajude a Joana a continuar seus estudos sobre violência de gênero. Há 3 anos na Inglaterra chegou a hora de dar um salto para poder voltar ao Brasil e contribuir na criação de políticas públicas que diminuam esse tipo de atitudes e comportamentos sociais (clique aqui)

ACasa, a reconstrução. Iniciativa de meu querido Thiago Saldanha e seu grupo que criaram ACasa onde resolveram viver, mesmo tendo suas próprias casas e famílias, na busca de vivenciar a vida em comunidade na cidade urbana. Virou um centro de divulgação de ideias no Rio de Janeiro com impacto social, por isso foi aceito no cowdfunding Benfeitoria. Assaltados duas vezes, precisam agora reconstruir o espaço (clique aqui).

3. Faça aula ou participe de cursos e palestras sejam online ou ao vivo como as Confrarias dos Repensadores, da qual faço parte, que mensalmente oferece palestras abertas e gratuitas sobre diversas temas que discutem e apresentam esse mundo novo. Venha se arejar e informar com a gente. Esta semana o tema será O Futuro da Educação, pilotado pelos meus queridos Béia Carvalho, futurista e Alexandre Sayad, especialista em educação (clique aqui).

4. Ande mais a pé. Redescubra a sua cidade, seu bairro. Conheça pequenos comércios, fale com as pessoas. Saia do muro que o carro cria ao nosso redor.

5. Tome contato com a arte, seja qual for sua expressão, especialmente aquela fora do sistema velho e que consegue trazer novos olhares.

6. Busque o belo na vida. A beleza engrandece a alma. Use a beleza para se guiar pelo novo. Olhe a beleza na arquitetura, nas ruas, nos parques, na natureza e nas pessoas. Ofereça gestos belos para os outros. Entregue o olhar negativo para uma pedra e jogue-a ao rio.

7. Fique, nem que seja um pouco menos, fora do muro que as redes sociais também geram e veja e vivencie in loco a vida na sua cidade. Se for muito difícil, aceite pessoas que pensam diferente no seu timeline. Velhas e conhecidas visões de mundo dificilmente irão nos levar para o novo.

8. Saia do gueto que costumamos criar nas grandes cidades para nos sentir mais confortáveis e conheça novas pessoas, converse e discuta positivamente, com pessoas que pensem diferente, que tenham outras formas de ver a realidade. Tenha a coragem de colocar em xeque suas verdades.

9. Se provoque e programe sua próxima viagem – ou pelo menos parte dela – num local que te tire do conforto. Que abra possibilidades. Que faça você se reorganizar de outra forma. Que coloque dentro de seu peito o instigante desconforto de se saber em território desconhecido, aquele que nem sempre nos oferece foto para postar mas nos faz compreender que há mais terra além do mar.

Navegue, expanda, busque novos horizontes. Pratique, exercite a nova forma de viver e se relacionar que caracterizam esse admirável mundo novo. Não é fácil a mudança, então, precisamos começar. Só quem ficou dentro do castelo não percebeu que o mundo estava mudando.

Mulher, peruana radicada no Brasil desde 1985, casada pela segunda vez, sem filhos por opção, embora considere que a maternidade lhe faria uma pessoa melhor; dona de casa e empresária, viajante inveterada, espiritualista, admiradora da espécie humana e toda sua idiossincrasia. Da publicidade, sua profissão original, trouxe a criatividade para romper com formas e padrões da pesquisa tradicional aprendidos em quase 30 anos como pesquisadora; da pós graduação em marketing e administração, trouxe a estrutura para empreender no Brasil, criando a Behavior em 1997.

Esse texto foi compartilhado em parceria com a Behavior

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