Que venha o outono com sua riqueza e sabedoria

Que saibamos apreciar a riqueza de cada estação e o novo ciclo

É tempo de observar a natureza. Observar os ciclos da terra. Observar a sabedoria das árvores e a riqueza do solo. Que recebamos o outono com sua riqueza e sabedoria.

É hora da transição entre a euforia do verão para o recolhimento do inverno.

É tempo de colheita, de acolher, de guardar para o frio, e de agradecer por tudo que nos foi dado até aqui. De honrar nossas conquistas, nossa família, nossos antepassados, nosso ser com suas dores e sombras, luzes e paz. É momento de introspecção e silêncio. É tempo de ventos, ventanias, de brisas e de movimentos sutis. É hora de ir para caverna e encontrar o conforto nos braços da Grande Mãe.

É hora de entrega, de desprendimento, de deixar as folhas cair e nutrir o solo para o que estar por vir. Entramos no outono e temos muito o que aprender e reverenciar.

Quando aceitamos com gratidão as fases da vida, sofremos menos, pois não estamos identificados com os apegos, mas com o flow das fases, ou seja, com o fluir que está intrínseco em todas as facetas da vida. Como as ondas, ora estamos por cima, na crista, ora estamos no vale, navegando em ambientes menos favoráveis. Mas em todos os momentos, podemos observar o aprendizado e enriquecer nossa experiência.

Assim como são os ciclos da natureza, são os ciclos da nossa vida. Ora estamos iluminados como o sol, irradiando a intensa alegria do verão. Vibramos, brindamos, celebramos cada minuto com tamanha força e coragem;

Mas logo depois chega o outono, época em que as folhas caem para alimentar o solo, e nos recolhemos com a certeza de que fizemos o trabalho necessário para colhermos os frutos e estocarmos as sementes; Os dias são claros e mais frios e o entardecer revela uma beleza e luz próprias dos mais belos postais. É tempo de deixarmos ir com o vento as folhas secas para que a árvore se fortaleça para a chegada do inverno. Que fique apenas o necessário!

No inverno, observamos o fim da vitalidade das manifestações do que foi plantado na primavera. É um período de analisar a morte do ano e observar o que não é saudável em nossas vidas e nossos relacionamentos. O entulho velho é queimado e utilizado para fertilizar o solo para o plantio da primavera. Há muita beleza e sabedoria em todas as fases, e se soubermos respeitar, honrar e aprender com cada uma delas, haverá mais sentido e equilíbrio na vida.

E eis que chega a primavera majestosa, quando a Terra renova seu ciclo de nascimento e ressurreição. Logo, as plantas enterradas no solo durante o inverno imprimem sua força, levantam suas cabeças, e as folhas aparecem nas árvores trazendo as cores vivas das flores que embelezam as cidades, os campos e nossos corações. Para mim, a primavera é a estação mais bela, leve, frugal, exuberante. É um brinde de celebração para quem soube acolher no outono, esperar no inverno e florescer na luminosidade de dias encantados.

Ao praticarmos a humildade e a gratidão podemos aprender muito com a natureza, afinal seus mistérios se revelam sutilmente aos que tem amor e sabedoria para captar.  Ao observamos a natureza, percebemos como tudo está conectado e é interdependente.

Sábias palavras do querido Satish Kumar, fundador da Schumacher College e autor do meu livro de cabeceira Solo, Alma e Sociedade.

“Ao vivenciar a natureza, desenvolvemos um sentido profundo de empatia e amor por ela e, quando amamos algo, cuidamos desse algo, conservamos e protegemos o objeto de nosso amor”. (KUMAR, 2017)

Acredito que um dos problemas atuais é estarmos desconectados, sem um propósito maior. Não cuidamos direito de nós, nem do próximo e muito menos da natureza. Entretanto, ela é tão sábia e nos dá tanto. Vamos ampliar a consciência de que somos apenas um “microcosmo”, de que somos parte de “algo maior”, de que somos filho da Terra, parte de uma Terra Viva, e assim, em sinergia, ampliar o sentido de que todos os seres são importantes e de que estamos conectados na teia da vida. Isso é um viver sustentável!

 

                                                               Árvores

Penso que nunca verei um poema tão encantador como uma árvore. A árvore cuja boca faminta se aperta contra o seio doce e abundante da Terra; A árvore que contempla a Deus o dia inteiro, e ergue suas mãos verdejantes para rezar; A árvore que no verão às vezes se enfeita com um ninho de passarinho nos cabelos; sobre seu seio a neve repousa com ela a chuva vive intimamente; Os poemas são feitos por tolos como eu, Mas só Deus pode fazer uma árvore.               (Joyce Kilmer)

Abraços Fraternos,

NAMASTÊ

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