Para viver a dois, antes, é necessário ser um

Que todos desejamos assistir a um filme com alguém debaixo da coberta, isso é fato. Mas e quando as cenas do enredo são tão tristes quanto a insegurança que a companhia traz? E quando não sabemos o real motivo de não nos satisfazermos em assistir sozinhos? Seria esse um mal-estar do frágil coração? Diríamos que, para simplificar esse possível medo de estar só, revelam-se, no dia a dia, entregas prematuras, que geram mal-estar à alma, desaguando no corpo.

Aqui, pretende-se falar sobre os nossos sentimentos, uma vez que eles determinam o que há no coração. Ah, sim… Mas e se houver dentro de nós uma pessoa que queiramos chamar de tesouro? Poderia ser ela mais valiosa que o amor-próprio?

Há quem diga que essas perguntas podem ser respondidas com mil argumentos. No entanto, prefiro apostar na ideia de que somos um oceano, e que nem todos os que nos acompanham terão disposição para mergulhar, porque alguns nasceram apenas para ficar à margem, isto é, trazem-nos a percepção de força, que nada é mais do que olharmos para nós e percebermos que, se o outro quer ir, é seu esse direito, mas não é meu o direito de desistir de mim, achando que sem o outro – que é apenas o outro -, não serei feliz.

Todavia, diante do que discorri, não pretendo colocar o amor no banco dos réus, mas as milhões de formas como chamamos esse sentimento, ou seja, há pessoas chamando noites avulsas de sexo, de amor à primeira vista, enquanto outras chamam a companhia da balada de príncipe encantado. Ah, e tem aquelas que ainda dizem, após uma semana de contato, que já não vivem mais sem a outra parte da laranja. E olha que, às vezes, a laranja é limão.

Acredito que cada um tem o direito de escolher onde deseja ancorar seu barco, isto é, entregar seus sentimentos, o que precisamos saber é até quando nosso barco precisa ficar na encosta para amadurecer. Mas e se isso não acontecer? Teremos coragem de nos retirar do cenário ou viveremos “ancorados” – dependentes -, por medo da solidão?

Sei que é importante amar, mas mais importante ainda é sentir que alguém nos ama tal como amamos a nós mesmos, porque hoje – sem sensacionalismo, mas coerência -, estamos na época cujas pessoas estão preocupadas em se relacionar, mas, em contrapartida, estamos também rodeados por aquelas que querem apenas o momento. Eis então a mais significativa solução: refletir. Sendo assim, perante todo esse horizonte sentimental vale lembrar do que Fernando Pessoa disse:

Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

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