Monthly Archives for maio 2016

De repente, saudade

Colunistas, Felicidade - Rodrigo Vieira - 31 de maio de 2016

Do alto dos meus vinte e poucos anos já lido com sentimentos constantes, como a saudade. E isso é a você, a mim, trinta, quarenta, cinquenta, mais. De repente dá nisso: saudade.

A saudade é um querer resgatar o tempo, que rasga lá trás os anos que se foram tão rápidos. Saudade também advém de uma insatisfação momentânea, não se encaixa com o tempo presente. Creio, sobretudo, que seja a força humana pela busca do que faz feliz. São as caras, os gestos, os sóis vistos a dois, o cheiro de perfumes antigos, tudo isso vem na saudade.

Vê-se que os anos acumulados geram mudanças – crescimento e retrocesso por área de atuação. Entretanto, algo se prende ao que ficou, que foi deixado não por escolha, mas por nexo da existência. Os brinquedos que corriam pela casa, a coberta rasgada predileta, o ritual do “boa noite”, ou aquele conselho chato pela manhã.

Há quem sinta saudade daquele tempo vago, ao mesmo tempo tão completo. Onde as horas eram jogadas a esmo, numa ilha de bate-papo e gesticular manso, perfeitamente cabido ao ocaso reinante. Alguns caíram no frenesi urbano, e isso se faz entediante quando o relógio controla os passos corridos. Um alento, a saudade nos sobra.

Outros de sua liberdade adolescente, onde nada havia muito compromisso quanto responder à chamada na aula. Há saudade nisso, também. Daquela época em que se ficava o dia, tarde e noite na rua, juntamente com aqueles que porventura julgamos ser eternos amigos. Saudades dos meus dramas, pieguices no espelho com a primeira espinha.

Lá na frente sentirei falta até mesmo da loucura profissional, quem diria. Diga com propriedade quem deixou de acordar às 5 da matina, tomar um café requentado enquanto ajeita as vestes do dia. Transporte congestionado, ida e volta, junto às preocupações rotineiras de um escritório quadrado. Isso também concebe saudade, por incrível que pareça.

Já sinto saudades do que ainda não senti, vi, vivi. E isso é possível quando se considera a vida em seu máximo grau. Contemplo os amigos, cada familiar, meus lances românticos, na certeza latente de que um dia nossos momentos se irão, como eu… Pela distância, circunstância ou morte. Tudo vai, a saudade fica. Bom-senso é o cuidado por construir boas realidades que ficarão na memória, nossas lembranças são relicários.

Ao término deste espetáculo seremos órfãos do tempo. Ao mesmo tempo de beleza, que por ora vira crueldade, e dita a nós o limite de sermos quem somos…

Forasteiros efêmeros, desbravadores ingênuos, andarilhos de rotas falsas. Caminhamos rapidamente, vagarosamente, e ao redor tudo passa – cama bagunçada e danças sem par – e nada fica no lugar do primeiro encontro…

É aí que de repente, saudade.

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Calma, toda dor passa

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 31 de maio de 2016

Qualquer rompimento traz uma dor. Uma saudade. Um luto. Mas será que quando isso acontece você se deita na primeira cama que lhe oferece carinho? Será esse o remédio? Por que estamos tão imediatistas e não esperamos a ferida cicatrizar e ficar bonita? Saiba que quando alguém “morre” para nós, esse mesmo alguém continua vivo para o mundo, para as oportunidades, para a vida. E assim é com você também, ok? Por isso, calma que toda dor passa.

Situações de perdas e ganhos sempre farão parte da vida, principalmente quando falamos de relacionamentos, ou você tem a frágil ideia de que as coisas são para sempre? E quando esse para sempre, como dizia Cássia Eller, acaba, você se desespera e acha que a vida perdeu o sentido. Mas, calma, não é assim que as coisas funcionam.

“Sofrer por amor” embaça a visão. Faz tudo parecer que é o fim. Deixa os alimentos sem gosto. Torna o céu límpido em trevas. Porém, essa é uma fase necessária para você aprender e adquirir sabedoria, ou seja, aceite e entenda o que diz o autor Jonh Green: a dor precisa ser sentida.

Sendo assim, sinta o que está acontecendo dentro do seu coração e não ache que um sofrimento momentâneo deve determinar toda sua vida e sonhos. Ah, não seja tão estúpido consigo mesmo!

Quando sofremos temos pressa de paralisar a dor, no entanto não se trata de mágica. Por isso, extraia conhecimento dos acontecimentos. Não confunda dependência com amor, e saiba perceber que é saudável ficar um pouco quieto e colocar as coisas no lugar, juntando os fatos e se recompondo. Ninguém precisa, após um término, se atirar nos braços do primeiro que lhe convidar para um chopp. Ao contrário, jante com seu amor-próprio.

Não ignore as sensações que estão dentro de você, porque elas poderão retornar e estragar seu futuro envolvimento. Ninguém estará inteiro em um relacionamento novo quando o anterior ainda está na mente e lhe deixa em pedaços. Reveja conceitos. Reveja sentimentos.

Se nosso coração está magoado, espere o tempo suficiente para essa mágoa virar aprendizado e você se ver capaz de, mais uma vez, dar as mãos. Do contrário, se ame em sua própria companhia. Não colecione relacionamentos fracassados. Se cure de um para depois procurar outro, ou se baste sozinha pelo tempo que achar necessário.

Não existe um atalho para que a dor passe do dia para a noite. No entanto, deve existir vontade para fazer a vida valer a pena, porque não somos propriedades das pessoas e nem elas nossas. Por isso, calma, toda dor passa.

Até a uva passa… (eu sei que você riu)

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Ela decidiu investir em si mesma…

Felicidade - Chirles Oliveira - 25 de maio de 2016

“Eu acredito que o ordinário conhece o extraordinário todos os dias”.

Essa frase não saiu mais da minha cabeça desde que assisti o filme “Joy: O Nome do Sucesso” (2015). Um filme inspirado na trajetória de uma mulher que, mesmo tendo passado por inúmeras dificuldades e grandes desafios na vida, jamais desistiu dos seus sonhos.

(fique tranquila, não vou contar o filme)

História real em que prevalece a trajetória de uma família sob as perspectivas femininas, focada em quatro gerações de mulheres: a avó materna, que sempre a incentivou a ir atrás dos seus sonhos; a mãe, uma mulher deprimida que evita fazer escolhas; Joy Mangano, a protagonista da história que deixa seus sonhos para trás para conciliar a jornada de mãe sozinha com o trabalho e cuidados com a família; e sua filha a quem ensina a mulher que ela pode ser.

Fazer tudo por todos, e para os outros, também fez parte da vida de Joy até que, motivada pela necessidade e, o sonho de uma vida mais plena, a história ganha um novo sentido quandoela decide investir em si mesma… 

Investir em nossos sonhos não significa “abandonar” tudo e todos ao nosso redor. Mas, faz com que a gente se valorize mais e perceba que se não estivermos na condução de nossas vidas, muito provavelmente, nossos sonhos não se realizarão.

A vida pode não ser “um mar de rosas todos os dias” como dizia minha avó materna; mas ela pode ser extraordinária!

Os desafios mudam à medida que escolhemos os nossos caminhos. Não que eles se tornem mais fáceis, mas, certamente os desafios de investir nos seus sonhos, se tornam muito mais “aceitáveis” do que aqueles que se apresentam quando deixamos a vida “escolher”.

Meu caminho foi se apresentando aos poucos, e continua a se desdobrar dia após dia…. Os desafios que enfrento hoje, são muito melhores (mas não menos desafiadores) do que aqueles que, há pouco mais de sete anos, eu vivi – antes de escolher investir em mim mesma.

Posso dizer que foi a escolha mais importante e acertada da minha vida!  Isso se reflete em todos os campos: relacionamentos, vida pessoal, familiar e profissional.

Quando escolhemos passar para o “banco do motorista”, assumir nossas vidas, nossas escolhas e todos os resultados disso faz com que a gente perceba claramente que temos um papel essencial a cumprir na construção dos nossos sonhos.

Você é única e ninguém poderá assumir o seu lugar no mundo.

Porém, escolher uma vez apenas não é garantia de uma vida bem-sucedida.

São as escolhas (conscientes) diárias e constantes que fazem com que o ordinário conheça o extraordinário todos os dias!

Escolhi colocar minha energia e meu tempo na criação e na construção de um novo projeto, em que você e eu poderemos estar mais próximas. Sim, é um desafio. Mas um desafio que está alinhado com as minhas escolhas, com aquilo que eu acredito e com o que me inspira a agir todos os dias.

Isso não significa que eu tenha “todas as peças do meu quebra-cabeça”. Mas acredito, por experiência própria, que a cada novo dia adquirimos novos pensamentos e novas habilidades/força para seguir em frente.

A vida é cheia de desafios que se aproveitados com criatividade e responsabilidade transformam-se em oportunidades.

O que te inspira a criar o extraordinário todos os dias?

Por Cristina Cipolla, colaborado do site Nowmastê que é nosso parceiro aqui! Isso é que é uma rede colaborativa!

Acesse também a página do FB do Nowmastê

Quer saber mais sobre a autora?

Aqui o link do site: http://www.mulheresconectadas.com.br/
E a Página do FB: https://www.facebook.com/MulheresConectadas

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O paradoxo da nossa era

Vida Saudável - Chirles Oliveira - 22 de maio de 2016

Temos casas maiores mas famílias menores; mais conforto, e menos tempo.

Temos mais diplomas, e menos bom -senso; mais conhecimento, e menos juízo;

mais remédios, e menos saúde.

Fomos até a Lua e voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua para conhecer os novos vizinhos.

Construímos mais computadores que comportam mais informação,

que produzem mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação.

Nós crescemos em quantidade, mas encolhemos em qualidade.

Esta é a época de alimentos rápidos e digestão lenta, de homens altos e de pouco caráter;

de lucros exorbitantes e relacionamentos superficiais.

É um tempo em que há muita na janela, e nada no quarto.

Sua Santidade o 14º Dalai Lama

Texto retirado do livro Bússola Espiritual – Satish Kumar

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Permita-se, agora, por favor

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 20 de maio de 2016

O que será que a vida espera de nós? O que você tem feito para ter uma existência mais feliz? Qual legado deixará para aqueles que ficam? Quantas perguntas, né? Talvez sejam difíceis as respostas, mas não impossível. Tenha coragem para se livrar daquilo que não lhe faz feliz. Não acumule estresse desnecessário. Não lamente todo dia e toda hora, pois isso pode arruinar sua energia para transformar.

Então, para hoje, permita-se, por favor.

Permita-se comer com mais calma e sentir o sabor das comidas, das frutas, das mais diferentes maneiras de preparar um alimento. Besteira? Não, isso pode lhe ajudar a perceber quantas coisas deliciosas existem que a sua pressa não permite degustar. Por isso, acalme-se. Permita-se ouvir as músicas que gosta, para senti-las, refletir sobre a letra, e deixar a melodia invadir cada poro do seu corpo, e assim perceber que a música pode amenizar. Permita-se ler o que te de prazer, só assim conseguirá ver a magia das palavras, e o quanto elas são poderosas para aliviar dores emocionais.

O que custa você se permitir a coisas tão simples, mas que podem mudar sua agitada rotina? O que custa tirar cinco minutos para observar o céu e agradecer pelo sol, lua e estrelas? Esse olhar lhe fará compreender que uma escuridão nunca dura para sempre, e que o sol se levanta para quem sabe reconhecer que existem apenas duas pessoas: as que lamentam e as que lutam. Quem é você, querido?

Feche os olhos e comece, passo a passo, a caminhar em direção aos seus maiores sonhos. Experimente essa sensação. Se permita a imaginação. Aguce seus instintos. Desperte seus pensamentos. Materialize desejos. Pequenas atitudes podem mudar uma vida, e às vezes pode mudar para sempre. Você acredita?

Permita-se ver a importância que as pessoas têm em sua vida. Permita-se abraçá-las mais. Permita-se perceber o quão bem fazem aqueles que estão ao seu lado, sejam os amigos, um grande amor, a família ou os colegas de trabalho. Cada pessoa tem um papel fundamental em nossa vida. Há uma história em cada uma delas, por isso não devemos julgar ninguém.

Permita-se arriscar, mesmo que esteja morrendo de medo, porque você nunca sabe o que lhe espera. Pessoas de sucesso tiveram mais coragem do que medo. E imagina se tivessem desistido? Não teríamos tantas descobertas na ciência como vemos hoje. Muitos gênios um dia já foram considerados tolos e, alguém, em algum momento desacreditou deles. Mas eles se permitiram.

Permita-se ser gente, e gente de carne e osso sabe que tem hora para chorar e sorrir. Desmoronar e se reconstruir. Permita-se não se culpar de tudo. Permita-se livrar-se de pensamentos que você acha serem pecados. Pecado é não se permitir. Permita-se ver que a vida é um milagre cotidiano e que você faz parte disso. Guie-se com sabedoria. Tenha calma, mas não pare. Grite se achar necessário. Volte se desejar, mas não perca seus valores. Permita-se ser quem realmente sente que é. A vida passa rápido demais para você ser um colecionador de lamentações. Então, querido, permita-se, por favor.

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Por que falamos tanto em empatia? Por que ela é tão importante?

Colunistas, Felicidade - Chirles Oliveira - 15 de maio de 2016

“Empatia é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele” Carl Rogers.

Você já se colocou no lugar do outro? Compreendeu como determinada situação afetaria este alguém? Como bem disse Carl Rogers, já olhou o mundo usando as lentes de outra pessoa?

A perspectiva com que observamos os problemas e as situações varia para cada pessoa e varia com o posicionamento que tomamos na vida. Conseguir perceber o mundo pelos olhos do outro é poder enxergar o que ele enxerga em seu posicionamento, que é diferente do meu.

esculturaTome como exemplo esta fotografia. Para quem olha a estátua deste ângulo, a moça que está de pé toca os seios da outra. Mas, para quem observa a escultura de frente, perceberá que, na realidade, a moça toca o ombro da segunda mulher. As reações para cada ponto de vista serão, certamente, bem diferentes, concorda?

“A empatia diz respeito à capacidade de compreender o outro através do seu ponto de referência”. Cormier, Nurius e Osborn (2009)

O QUE É EMPATIA?

Chamamos de ‘Empatia’ a capacidade que um indivíduo tem de ver e sentir o mundo pelos olhos do outro. Significa, portanto, a capacidade de distanciar de seus próprios interesses, ponto de vista e necessidades, para entender, aceitar e promover os interesses, ponto de vista e necessidades dos outros.

Empatia também costuma ser confundida com os conceitos que fazemos de ‘simpatia’ e ‘identificação’. A simpatia “envolve a atenção aos próprios sentimentos e à semelhança existente entre eles e os da outra pessoa” e, por sua vez, a identificação implica em “atribuir os próprios desejos e atitudes ao outro, pelo desejo de ser como ele” (Palhoco, 2011). O que se distingue aqui, principalmente, é o foco da atenção:

Empatia –> Foco no outro, compreendo e sinto o que ele pensa e sente.
Simpatia –> Foco nos meus sentimentos e no que há de comum com os sentimentos do outro.
Identificação –> Foco em mim e atribuição dos meus desejos e sentimentos ao outro.

A empatia também pode ser definida tanto por uma perspectiva emocional quanto cognitiva. Empatia cognitiva consiste numa percepção da realidade do outro a partir do seu ponto de vista, é a compreensão intelectual e racional do outro. Enquanto a Empatia emocional consiste na capacidade de sentir com ele e de identificar seus sentimentos, emoções e experiências afetivas.

POR QUE SER EMPÁTICO É IMPORTANTE?

A capacidade de ser empático é fundamental no estabelecimento de relações interpessoais, pois constitui fundamento essencial à regulação das necessidades dos outros, tal como acontece, por exemplo, entre as mães e seus bebês recém-nascidos, ou entre os terapeutas e seus clientes em psicoterapia (Palhoco, 2011).

mae-e-bebe

fonte de imagem: paroquiavila.com.br

Quando a mãe vê seu bebê chorando, é empática ao reconhecer seu estado interior e busca dar-lhe o que necessita. Assim, esse reconhecimento permite abrandar os medos e agressões do outro. Cria-se um clima de acolhimento entre os envolvidos, permitindo que os efeitos positivos se perpetuem. No outro exemplo, o terapeuta ao reconhecer os sentimentos do paciente, possibilita que ele desenvolva um sentimento de aceitação pessoal e compreenda que as suas emoções são válidas e fazem sentido.

Além disso, A EMPATIA NOS PERMITE: uma compreensão melhor do outro com o qual nos relacionamos; podemos adotar intuitivamente as experiências dos outros como se fossem nossas (aprendizagem); permite um intercâmbio de experiências; e também podemos conhecer a nós mesmos através do espelho da outra pessoa.

Contudo, a empatia não é um sentimento puramente humano. Ficamos encantados quando observamos animais demonstrarem comportamentos de empatia para com outros seres vivos. Por exemplo, um cão que salva um bebê abandonado por sua mãe em uma lata de lixo ou o leopardo que matou um macaco adulto e passou a cuidar de seu filhote órfão.

Os seres vivos que convivem em sociedade ou próximos de outras espécies, precisam ter uma boa capacidade de percepção mútua. Para sua segurança e sobrevivência é importante que possam reconhecer facilmente o amigo e o inimigo, os estados de amizade e hostilidade.

O que nos leva a questionar: Existe algo de biológico na característica da empatia?

Conhecemos ao menos uma base neurobiológica essencial para essa capacidade de participar emocionalmente da vibração de outros e adentrar intuitivamente em seu íntimo: Os neurônios-espelho!

“Sentimos os outros: sentindo seus sentimentos, seus movimentos, suas sensações e emoções, enquanto eles atuam dentro de nós”. Ana Rita Palhoco (2011)

NEURÔNIOS-ESPELHO – NEURÔNIOS DA EMPATIA

Tanto nós humanos, quanto outros seres vivos, somos facilmente contagiados pelas emoções dos que nos cercam. Em um jogo de futebol, por exemplo, milhares de pessoas gritam juntas ou sofrem juntas. Estão compartilhando suas emoções. Veja um exemplo nesse vídeo delicioso, onde uma pessoa começa a rir e contagia todos a sua volta.

Os neurônios-espelho foram descobertos, tanto nos cérebros de humanos quanto de outros animais. Eles “tornam as emoções contagiosas, fazendo com que os sentimentos que observamos fluam através de nós, ajudando-nos a entrar em sincronia e acompanhar o que está a acontecer” (Palhoco, 2011).
A relação entre os neurónios espelho e a empatia foi encontrada numa investigação realizada por Hutchinson e outros pesquisadores, onde foi possível verificar que existe ativação neuronal quando o sujeito antecipa a dor, mas também quando vê outra pessoa recebê-la, o que demonstra um sinal neural de empatia.

Estes neurônios têm por função refletir as expressões corporais e emocionais dos outros e proporcionar um funcionamento paralelo entre dois cérebros, permitindo assim que haja ressonância empática, pelo que parecem deter um papel relevante na capacidade de gerar empatia pelas experiências e pelas emoções dos outros.

O que nos torna capazes de compreender o que se passa com aquele com quem interagimos não é de início a troca de ideias, a comunicação verbal. Percebemos o estado do outro através dos nossos sentidos de um modo natural e inconsciente. Nossas emoções são expressas, primeiramente, pelos circuitos dos músculos faciais, permitindo que os outros as leiam e por sua vez, os neurônios-espelho asseguram a experimentação instantânea do mesmo sentimento. Ou seja, as emoções expressas tenderão a ser percebidas e experimentadas pelo outro, que poderá compreendê-las. O contágio emocional pode então ser entendido como uma forma primitiva de empatia.

Com tudo isso percebemos a importância da empatia. Se não é possível viver em ambiente social sem interagir com os que nos cercam, tão difícil quanto é interagir sem compreender o que o outro sente ou como percebe nossas ações.

Referências Bibliográficas

MIGUEL, F.K., e NORONHA, A.P.P. (2006). Estudo da Inteligência Emocional em Cursos Universitários

NORONHA, A.P.P. (2006). Estudo da Inteligência Emocional em Cursos Universitários

PALHOÇO A.R.M.S. (2011). Estudo da empatia e da percepção de emoções em psicoterapeutas e estudantes de psicologia. (Dissertação de mestrado) Universidade de Lisboa, Portugal.

ROGERS, C. R. (1974). A Terapia Centrada no Paciente

VASCO, A. B. (2007). Quando Menos é melhor: A Arte de Comunicar em Psicoterapia

Texto compartilhado em parceira com o site Dialogopsi, de Júlia Maria Alves, Psicóloga e fundadora da Diálogo- Espaço de Psicologia e Qualidade de vida

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Você tem fome de amor?

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 13 de maio de 2016

O amor, até onde sabemos, é a força motriz que impulsiona a vida e nos faz acreditar que tudo pode ficar bem. Mas o que realmente é este sentimento? O sentido da existência? Uma necessidade de todos? Nossa busca infinita?

Parece que a sociedade tem essa fome de amor, mas uma fome desregrada, sem sabedoria, isto é, estamos muito famintos do amor que vem do outro, porque não nos achamos bons o suficiente, ou merecedores, para que esse sentimento tão lindo floresça em nós, cresça a tal ponto que transborde e, com muita maturidade, possa ser ofertado.

Amar nunca será suficiente, correto? Pois também queremos ser amados, desejados, apreciados e aplaudidos. O problema está em querermos, o tempo todo, amores acessos, fervendo, loucos, brilhantes e excessivamente coloridos, a ponto de nos tornarmos tolos e esquecermos de que onde tudo é aceito o amor é ausente. Entenderam isso?

Essa fome de amor está presente desde que nascemos, porque enquanto criança queríamos a aprovação amorosa de nossos pais. Quando adolescente, queremos o amor dos grupos sociais aos quais nos envolvemos por empatia. E quando adultos continua nossa busca pelo banquete do amor, porque muitas vezes nos esquecemos para satisfazer o outro, simplesmente porque esse outro nos prometeu o amor que tanto esperamos.

E é aí que existe o erro: diminuirmos-nos para caber no espaço de alguém que não é responsável por nos fazer feliz. Será que você percebe isso ou vai continuar com tanta fome?

A busca pelo amor às vezes faz com que passemos por cima dos nossos valores, princípios e essências, tudo pelo desespero de não morrer de fome. Ah, por favor, a única fome que mata é aquela vinda da ausência do amor-próprio. Os outros amores? Ah, querido, a gente vai encontrando e desencontrando. Lei da vida…

Se alguém precisa abrir mão de tudo, ou quase tudo que é, para agradar o outro e torná-lo o centro das atenções, tenha certeza de que isso não é um relacionamento saudável e vocês, com o passar do tempo, correm o risco de sentir ainda mais forme, ficando neuróticos por receberem apenas migalhas, que nunca sustentarão um relacionamento de verdade.

E um relacionamento de verdade é aquele onde as diferenças são tão bem aceitas quanto às semelhanças, porque ninguém é perfeito, ok?

Desta forma, não importa o quanto você deseja e espera pelo amor dos outros, antes é preciso se amar e nutrir sua fome pessoal. Então, alimente seus sonhos. Alimente seu trabalho. Alimente suas crenças. Alimente sua vida, e assim começará a atrair pessoas que invés de desejar arrancar suas esperanças, estarão dispostas a lhe fazer feliz. Porque cada um oferece o que tem. Cada um atrai o que pensa. Cada um constrói sua história. Cada um é o que acredita. E isso é tudo.

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Como desenvolver a intuição

Vida Saudável - Chirles Oliveira - 12 de maio de 2016

Via site Nowmastê

Afinal de contas: como desenvolver a intuição? De onde ela vem? Sri Daya Mata, discípula direta do mestre indiano Paramahansa Yogananda, autor de Autobiografia de um Iogue, nos ensina: Continuar Lendo

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Cafés, pelando, mais café

Colunistas, Felicidade - Rodrigo Vieira - 12 de maio de 2016

Sentamo-nos defronte, depois de um leve cumprimento inicial que precede o blá-blá-blá. Não, não havia puxado a banqueta estilosa para ela, como um bom gentleman faria. Entretanto, sorri ao perguntar:

– O que vai querer?

– Um café – respondia a mim e à mocinha que já atendia sem eu notar.

– Dois – complementava antes de a fulana virar as costas.

Volta e meia estamos nessa, encontros esporádicos de semana, no qual alguém cita “Quanto tempo!”, na tentativa de recuperar o tempo ausente, e realmente perdido. Mas isso ameniza. Nessa cara social, falamos sobre trabalho, discorremos sobre clichês, tudo o que encabeça a ambiência daquele ponto movimentado. Certo que havia outros entre nós na mesma condição.

Bom, o café chegou. Açúcar ou adoçante. Ela quis o adoçante, como a cartilha elegante de uma dama prediz, eu esvaziei um sachê de açúcar na xícara bonitinha.

– Você se lembra de quando…?

– Ah, sim… Verdade.

Eram conversas vazias, bestas mesmo. Era um protocolo de dois entes crescidos na urbe. Enquanto isso, o café fumegava lá dentro, sozinho naquele recipiente. Já ouvira sobre as combinações míticas de um bom café, rimas com amor, proseadas com poesia. Juro que acreditei, ou somente queria sair daquilo.

– Não é verdade? – ela apontava com o dedo mindinho a mim.

– É sim… – retrucava ausente, sem nem saber o que ela falou.

… Divagava com aquele café, tragado a poucos goles. De repente falava alguns absurdos a ela, como declamar uma frase manjada de algum escritor famoso. Nisso tudo ela se fazia de estranha, mas envolvida. Até que seus cabelos começavam a ter graça, seu sorriso agora era enigma e ela a esfinge que mais tarde me devoraria. Parecia alcoolizado, era só café, e tudo tinha mais graça. Melhor seria se falássemos das tais combinações: Ah! O amor.

– O amor é fogo que arde sem se ver?

Em meu solilóquio era só mais um, um a mais. Apenas alegrava-me o fato de o café ainda estar quente, e até que ele ardia sem eu ver. Depois de outro gole perguntei sobre seus amores, e ela demonstrara tormento ao reler seus fracassos. “Linda desse jeito?”, tentava recobrar a estima. Pois é, não estava tão feliz nos amores (pena que ela não jogava), sugeri que se permitisse mais, no entanto a recusa era clara em seu olhar reprobatório.

Certamente que aceitaria uma tarde de amor, um café e um livro de poesias, jogado aberto a canto qualquer. Pegaríamos um violão, arranharia dois, três acordes, cantaríamos o refrão. Logo deitaria em meu colo, nós no tapete da sala, bebericando na mesma xícara, ouvindo o som do relógio – que sempre quer assustar. Acalentaria, faria ninar com cabelos despenteados, acordaríamos com a réstia do sol tramitando entre a cortina velha. E ela gentilmente ia à cozinha fazer outro café, até por que eu não sei.

Paradoxal como é, a vida não tomou esse rumo. Se ela soubesse como é bom, me inconformava com sua cara de nada, de vento, que já arrumava a bolsa com uma nota na mão.

– Tchau. Até mais.

Não tive tempo de responder, estava embalado por aquela fumacinha, que não existia mais no café frio. Outra, pude ver a marca de batom na borda. Restou-me rir, nem todo mundo fora feito para amores, poesias, cafés, uma música. Mais café. Nem todos sabem tomar café, poucos sabiam o que nele tinha. Iria perguntar para a mocinha, que viera retirar as xícaras, se ela me compreendia, mas deixei pra lá. Rimos os dois, sem saber motivo, desconfiei que ela soubesse do que estava falando. Eu pedi:

– Cafés, pelando, mais café.

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Acorde e vista-se para brilhar

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 6 de maio de 2016

Dizem que nascemos com um buraco no peito e buscaremos preenchê-lo de alguma forma e com algumas coisas: seja um amor, um presente caro, uma droga, umas desculpas, alguns medos,  algumas pessoas, dinheiro ou, até mesmo, com a triste ideia de que não somos bons o suficiente como o espelho mostra.

Será que não estamos nos preenchendo de vitimismo? Porque é sempre mais fácil desistir do sonho do que lutar por ele. É sempre mais fácil discutir com o seu grande amor, abrir a porta e ir procurar outro amor na próxima esquina. É mais fácil ganhar pouco, se matar de trabalhar, a ter que se desdobrar em mil para viver um sonho que, futuramente, lhe trará felicidade ao acordar e dormir. É mais fácil se contentar do que transformar.

Vemos na história exemplos geniais de pessoas que não tinham o que comer e depois desfrutavam de banquetes. Mas essa é a história destas pessoas, que pode ser um exemplo incentivador, porém a sua vida tem outras circunstâncias que só você pode mudar. No entanto, qual é o tamanho da sua disposição para isso?

Por que você se deixa perder diante do melhor que pode ser? Já se perguntou isso? A verdade, nem sempre será fácil de ser encarada, mas é necessário perceber que estamos, dia a dia, lutando contra a sutil e maquiavélica publicidade que nos mostra, incansavelmente, que nossos olhos estão feios e caídos, que nossas bocas precisam de um preenchimento, que nossas medidas não são as das princesas, que nós não somos bons o suficiente para essa sociedade.

Mas até quando aceitaremos que digam isso? Calma, não confundam vaidade com a insana busca proposta pelos comerciais. Sim, mais calma ainda, porque você precisa se preocupar com o tanto que sua alma tem sido afetada com esse bombardeio de informações. Use isso, passe aquilo, emagreça em duas semanas, se vista assim… Ah, que pena estarmos mais preocupados com o exterior.

Será que este é o drama que somos? O drama de sermos incompletos? Mas o que é realmente preciso ter para sentir-se completo? Para esse mundo capitalista, nada. Porque a ideia é: quanto mais se tem, mais você precisa. No entanto, que sejamos mais acumuladores de tesouros impagáveis como: o abraço na hora do choro, a atenção na hora do desespero, o consolo no momento do grito, o amor na hora da fé enfraquecida. Ao invés de sermos acumuladores de tudo aquilo que a alma não pode sentir.

Por favor, sejam diferentes e vistam-se para brilhar como são, ou seja, não se tornem artificiais e moldados pelo sistema, porque o mundo já está cheio de pessoas assim e, sinceramente, ficou tudo tão chato que concordo plenamente com Renato Russo: o mundo está ao contrário e ninguém reparou.

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