Somos tão tecnológicos. Somos tão solitários

Vamos viajar no tempo? Naquelas épocas em que nossos antepassados sentavam-se à mesa para escrever longas cartas onde queriam registrar seus sentimentos para alguém que, de tão longe, esperava aquele papel, que poderia significar uma esperança, uma alegria, um motivo a mais para sonhar ou, simplesmente, uma verdade: ainda existe alguém que se importa comigo em um mundo tão grande.

Você continua tendo essa sensação, de que em meio ao excesso de tecnologia alguém verdadeiramente se importa em parar um pouco e lhe doar tempo, atenção e abraços calorosos?

Se não há ninguém, há os aparelhos – amparados pelas escandalosas mensagens publicitárias –,  para lhe fazer sentir acolhido e menos sozinho. Mas será que eles podem suprir a companhia de alguém que pode te olhar nos olhos e demonstrar com o coração que estará ao seu lado sempre que precisar? Quais são mesmo os valores dessa sociedade? Quais são as nossas certezas e vontades quando estamos sozinhos?

Os walkmans prometiam que as pessoas nunca mais estariam sozinhas nas capitais, mas será que, assim como todos os aparatos tecnológicos de hoje, garantem a felicidade? Lamentavelmente estamos na era em que ser veloz é mais importante do que caminhar com mais calma e apreciar passo a passo. Tempo sempre será dinheiro, e isso torna carente nossa intuição, vontades criativas e nos deixa, quase sempre, reféns do tempo e de um capitalismo apocalíptico.

Não abomino a tecnologia, muito pelo contrário. Porque sei que ela pode abençoar muito nossas vidas, mas deve ser usada moderadamente, pois há coisas importantes que existem fora da tela do celular ou computador.

Será que não temos percebido isso? Na palma da mão temos um mundo onde podemos ser quem desejamos, em contrapartida esquecemos quem somos e quem são aqueles que, às vezes, só querem um minuto de nosso sagrado tempo.

Caminhamos pelas ruas conversando com milhares de pessoas, em qualquer parte do mundo. Mas será que todas elas se importarão conosco se um dia estivermos em um leito terminal? Será que podemos ligar para elas às três da manhã diante de uma crise existencial? Será que podemos pedir dez reais a essas pessoas para completar uma conta de luz? Ou será que somos especiais apenas para conversar coisas boas, fofocar, trocar fotos e compartilhar ideais que se restringem ao mundo digital? Então, quem são realmente essas pessoas?

Disseram para nós que as redes sociais nos aproximam. Será mesmo? Talvez sim. Mas se aproximar não significar estar próximo. Já pensaram sobre isso? Disseram que devemos viver a praticidade, que ao invés de gastar tempo encontrando com alguém você pode chamá-lo no facebook e conversar.  De verdade, não estamos juntos!

Por trás de muitos sorrisos nas fotos das linhas do tempo de todo o planeta, há milhares de corações despedaçados e medrosos. Mas vivemos na época da aparência, do culto à beleza, do fast-food, da velocidade e não da apreciação. Sendo assim, o que é melhor do que a tecnologia para fomentar essas questões?

Sabe o que você poderia fazer? Poste um poesia ao invés de uma selfie. Poste conhecimento ao invés de mostrar onde você fez check in. Diga para si mesmo que a vida faz muito sentido fora do universo digital. Mas nunca se esqueça, infelizmente, porém sabiamente, do que disse Willian Shakespeare: Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes. Mas, ainda assim, você pode fazer diferente!

*Foto principal do banco de imagem Pixabay

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