Não tem graça rir sozinho: Capitalismo e novas formas de consumo.

Assim começou o meu dia:

– Mãe, quanto você acha que valem esses sapatos? Só usei  4 vezes, disse minha filha.

– Eu indaguei – Por quê?

– Ela respondeu: Porque eu vou vender no brechó da faculdade via Facebook.

Três dias depois. –  Mãe:  já vendi os sapatos, obrigada, o preço estava bom, vendi rapidinho, vou entregá-los amanhã.

Esta cena tem sido recorrente em casa e no mundo hoje em dia. Preste atenção, não é modinha do momento e um padrão de consumo que está mudando o comportamento dos jovens e da sociedade.  Ainda é um movimento tímido, mas presente e tem tudo para ser a nova cara do consumo, divertido, descolado e fácil.

México, Chile e outros emergentes, (incluso Brasil) bem como os países da OCDE, organização que reúne as nações mais industrializadas do mundo estão noticiando uma desaceleração no crescimento desde o ano passado. Entretanto, países, digamos que seguem outro padrão de organização econômica, tem registrado resultados bem diferentes, por exemplo, o PIB do Vietnã cresceu 5,98% em 2014, depois do crescimento de 5,42% no ano anterior. Pesquisadores dizem que o Vietnã é um exemplo de crescimento com sucesso e igualdade, ao contrário da China que cresce com desigualdades intensas.

Nesse momento de crise é onde existem todas as possibilidades do “novo” surgir, é no caos que o novo prospera.

Você já ouviu falar de Economia Compartilhada?

Vamos imaginar a seguinte situação. Você precisa ir a São Paulo. Em vez de ficar num hotel, você decide alugar um quarto no apartamento da Cintia. Para se deslocar, você pega a bicicleta próxima ao metrô ou o carro da Adriana. Detalhe: você nunca os viu antes. Você vai num café com o Wifi livre e paga quanto quiser, o quanto acha justo pela refeição, serviço, ambientação. Sim, isso já acontece. Tudo se baseia na reputação e na rede de recomendações que surge na internet e se fortalece fora dela. E essa relação entre desconhecidos, comercial e ao mesmo tempo pessoal, em que consumidor e fornecedor se confundem, é a base da chamada economia compartilhada.

Acredita-se que o capitalismo tenha chegado ao seu fim, esgotado esse modelo de economia, em que se produz socialmente e se ganha individualmente e o resultado é apenas de alguns.  Modelo que já dá as caras de que não se sustenta, basta de tantas crises.

Então, que venha o novo, as novas economias, as trocas solidárias, comunitárias, as cooperativas, as startups, as empresas de compartilhamento como Airbnb, RelayRides, Uber, Netflix e as redes sociais Whatsapp, Facebook, Instagram, Twitter que possibilitam a informação, a recomendação, o endosso e a avaliação dos usuários e,  muitas outras realidades que ainda estão encubadas nessa geração que diz que não vale a pena dar risada sozinho.

A natureza do ser humano é viver em comunidade […]. Quem tem prazer ao compartilhar vive melhor. Leila Salomão Tardivo, professora doutora do departamento de psicologia da USP

Mas, não seria justo cuspir no prato que come? Vivemos sob esse regime do Capital por anos, gerações e nos fartamos dele até o pescoço.  Agora sejamos sinceros, dá uma olhada ao seu redor, observe-se do lado de  “fora do shopping” o mundo que vive, e por um minuto apenas, me diga:  Dá para falar mal do Capitalismo?

O consumo […] vai valorizar cada vez mais a sensação, a experiência, a socialização, a relação humana. Ricardo Abramovay, professor titular do departamento de economia da FEA-USP

Leia mais sobre esse assunto:

Revista Galileu

Projeto TAB – UOL

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