Será que precisamos de tantos cosméticos?

É uma linda manhã. Você acorda, vai ao banheiro e entra no banho. Usa shampoo, condicionador, sabonete. Se enxuga e passa o desodorante. Ah, e escova os dentes, porque bafo amanhecido ninguém merece. Sendo homem, faz a barba – usa espuma e loção pós-barba, dando aquele trato. Se der um tempinho, põe um pouco de talco no pé para amenizar o “chulézinho” básico de cada dia. Arruma o cabelo – os mais vaidosos usam um pouco de gel ou mousse para deixar o penteado estiloso. Para finalizar: uma borrifada de perfume e pronto para a rua.

Muitos…

Em um período de 15 a 20 minutos, dez cosméticos foram usados. Agora… se a descrição fosse de uma mulher, esse número de produtos poderia facilmente triplicar. Seriam inclusos na lista: hidratante corporal, máscara capilar, creme para pentear, tônico, esfoliante, hidratante facial, hidratante labial, primer para o rosto, primer para olhos, base, corretivo, pó compacto, blush, iluminador, lápis labial, batom, lápis para olhos, delineador, primer para sombra, sombra (muitas!), rímel e ufa… a lista pode não ter fim.

É claro, sei bem que as mulheres têm necessidades diferentes. E não questiono esse fato. Mas, as perguntas que vêm me tomando o pensamento há algum tempo são: será que precisamos mesmo usar essa avalanche de cosméticos? Para onde estamos indo com essa prática?

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Tão poucos…

Minha mãe sempre me conta que quando ela era criança (isso na década de 50/60), todo mundo lavava o cabelo com sabonete. E só. Claro, ficava aquela coisa eriçada, com vida própria, porque o sabonete era ruim. Mas era o que se podia comprar e tinham poucas marcas disponíveis no mercado. Era sabonete, ou se usava o sabão feito em casa, reaproveitando o óleo de cozinha – que é ótimo, mas definitivamente não é a coisa mais cheirosa do mundo para um banho.

Foi só em 1974, quando minha mãe já era moça, que surgiu o famosíssimo Neutrox! Lembram dele? Bom, eu usei… Na época era o único condicionador do mercado. Batom? Minha mãe tinha apenas um brilho, que também era usado como blush e dividido (claro, à contragosto) com as irmãs. Ela diz que aquela época não era fácil. Mas, ao mesmo tempo, ela não se sente confortável e fica perdida com a infinidade de opções que temos atualmente.

Muitos cosméticos e tão pouca felicidade…

Em um período de 30 a 35 anos partimos de poucos cosméticos para “trocentos”. E na maioria das vezes caríssimos. Gastamos fortunas com produtos, que, na maior parte das vezes, nos confundem com fórmulas esquisitas e não cumprem o que prometem. Investimos em cosméticos sem nos darmos conta de sua real necessidade. Não percebemos que, em longo prazo, eles podem prejudicar – tanto a saúde e o bem estar quanto o bolso. E no final, acabamos frustrados por não encontrar uma solução.

Em meio ao caos do mundo moderno, palavras como: “simples”, “sustentável” e “equilibrado” parecem fazer cada vez mais sentido e convergem para um ideal comum. Essas tendências têm ganhado muitos adeptos e podem ser encontradas na alimentação, no vestuário, na organização, etc. E porque não nos cosméticos também?

Veja bem, o que estou questionando não é o ato de cuidar de si mesmo (e muito menos o boicote ao banho – para a decepção de alguns rs), mas sim o consumo exagerado. E toda a indústria que o sustenta.

Não estou dizendo que todos os produtos industrializados fazem mal (nada de radicalismo aqui, por favor!), mas sim que precisamos ter mais conhecimento (científico inclusive) sobre o que usamos diariamente, para fazermos melhores escolhas. E que sim, é necessário pensar sobre o que é mais saudável – para nós e para o planeta.

 

Um vídeo para entender e pensar mais a respeito:

 

Obs: Essa foi a minha estreia aqui no Felicidade Sustentável! Foi uma honra ser convidada a participar deste projeto bacana, coordenado por uma pessoa mais bacana ainda!

Gostou desse tema? Tem sugestões? Críticas? Dúvidas? Me escreva!

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