Monthly Archives for fevereiro 2016

Yoga, uma prática milenar de integração do eu

Felicidade, Vida Saudável - Chirles Oliveira - 29 de fevereiro de 2016

 

Na Índia usa-se o masculino, então seria o Yoga; aqui no Brasil é comum nomear como feminino, a Yoga. Mas, isso não é o mais importante, e sim entender e praticar esse ensinamento milenar que nos conecta com nossa centelha divina, com a natureza, com o todo. O verdadeiro objetivo do Yoga é a evolução integral do homem e o alcance de níveis superiores de consciência, possibilitando a vivência da liberdade e da felicidade.

Ultimamente, tenho participado do encontro de Yoga e Zen Budismo em Ubatuba. Adoro ouvir os ensinamentos do Zen Budismo com a  Monja Coen. Ela nos inspira em seus livros e em suas preleções a sermos humanos mais amorosos, mais generosos e mais focados em nossa incessante busca pelo que é essencial por meio da meditação Zazen.

Mas o que tem feito meu coração se encantar com seus ensinamentos e meu corpo descobrir o prazer do relaxamento, da quietude e do silêncio é o Yoga. Sou uma simples aprendiz desse manancial filosófico, que nasceu na Índia e se espalha pelo mundo como um estilo de vida, uma disciplina, uma técnica que conecta e traz equilíbrio físico, mental e emocional.

Yoga significa encontro, união entre o externo e o interno, a sintonia do que está na periferia com o centro, o elo entre o eu e a Vida. O Yoga coloca o praticante na posição de observador perspicaz, capaz de sentir e observar o próprio corpo e a mente. Por isso, é possível sentir após uma prática de Yoga uma sensação que mistura prazer pelo relaxamento, contentamento, quietude, calma, paz.

 Como filosofia de vida ela é integrativa, repleta de preceitos valorosos para o bem viver e seu objetivo é a evolução integral do homem e o alcance de níveis superiores de consciência, culminando em um estado de liberdade e felicidade. Pela prática, disciplina, estudo e dedicação, compreenderemos que o Yoga poderá nos conectar, cada um a seu tempo, com o que sempre existiu em nós, que não está fora e que É o princípio de tudo.

Assim, como diz  Swami Kuvalayananda:  “Yoga tem uma mensagem para o corpo, para a mente e para a alma humana” e a disciplina, persistência e dedicação farão com que aos poucos, nós consigamos evoluir do grosseiro (corpo) para o sutil (mente), num progredir dos asanas (posturas) para a meditação. Por isso é possível afirmar que em última instância Yoga é meditação.
o Yoga não é uma prática mas uma visão revolucionária e um estilo de vida que nos mostra a felicidade que somos.
E se a vida estressante está solicitando uma pausa, um relaxamento, mais saúde e bem-estar, que tal experimentar uma aula de Yoga? Procure na sua cidade espaços que oferecem aulas de Hatha Yoga. 
Em São Paulo indico os espaços:
 Para mim, Yoga é sinônimo de tranquilidade, encontro, entrega, descoberta da nossa força interior, reconexão, união”
Abraço Fraterno
Namastê
 Chirles de Oliveira

 

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Não se machuque

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 26 de fevereiro de 2016

O que pensar sobre essa frase: o fim não é o fim.  Simplesmente é compreender que por mais difícil que pareça uma situação, por mais cansado que estejamos, por mais triste que nos sintamos, por mais desanimados que estejamos, sempre é possível perceber que não é o fim, porque temos a oportunidade, a cada dia, de transformar tudo, reconhecendo uma das mais sutis verdades da vida: se tudo passa, porque se machucar e se preocupar tanto?

Já pensou que você está, constantemente, preocupado com as contas a pagar? Com o presente para o próximo aniversário de alguém querido? Com a ideia de que terá que se reinventar – perdendo muitas vezes sua identidade -, para caber no colo de um alguém que, na maioria das vezes, não tem a mesma preocupação com você. Ou tem? Será, então, que não há um exagero de ansiedade e preocupação dentro de seu coração?

É preciso romper velhos hábitos, como a crença mais desprezível de que sua felicidade só pode vir de mãos alheias. Por que está se machucando com esses pensamentos? Quem lhe disse que você nasceu incompleto? Que história é essa de acreditar que você não é bonito (a) o suficiente se ninguém notar sua roupa nova?

Todos temos potencialidades divinas e naturais, mas será que as usamos para nosso aperfeiçoamento?

Você pode amar, apoiar, zelar, cuidar, assoprar o machucado, mas nunca determinar o que é melhor ou não para este ou aquele ser humano que faz ou já fez parte da sua vida. Saber por quê? Porque cada um experimenta, no seu devido tempo, aquilo que se faz necessário para seu crescimento pessoal. E quem somos nós para dizer que deve ser ao contrário ou que a nossa maneira é mais útil e sabia?

Não desvie sua atenção se preocupando desesperadamente com o outro, porque há muito em seu interior para ser revisto e mudado. Por isso, não se distraia, negando a si mesmo a oportunidade de mudar as circunstâncias atuais, pois com esse pensamento, melhor, com as sabias palavras de Gandhi, – Seja a mudança que você quer ver no mundo -, tenho certeza de querer mudar os outros é o maior mal que fazemos a nós.

Então, por favor, não se machuque.

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Métodos Construtivos Alternativos

Sustentabilidade - Luciana Murakami - 25 de fevereiro de 2016

Divulgação/Todd Ziegle

Construir uma casa com um método alternativo ao convencional está cada vez mais fácil, empresas especializadas em bioconstrução, startups com novos materiais e muita imaginação surgem nos quatro cantos do mundo.

Recentemente vi o caso do pedreiro Ed Mauro que construiu sua casa com cerca de 11mil garrafas pet e ainda utilizou pneus para fazer o arrimo.

pedreiro-constroi-propria-casa-11-mil-garrafas-PET-1

Uma outra técnica que utiliza pet na sua composição, mas tem um prazo de execução bem mais curto é da startup mexicana EcoDomum que fabrica painéis modulares com plásticos reciclados.

Foto: EcoDomum

Foto: EcoDomum

Do Brasil colonia varias construções de adobe e  taipa de pilão ainda resistem comprovando que este tipo de construção é tão durável quanto o famoso concreto e alvenaria. A terra é a base para ambos os tipos construtivos, assim como a técnica de terra ensacada (super adobe), solocimento e o COB.

Casa em Adobe Foto: Francisco Arroyo Matus

Casa em Adobe Foto: Francisco Arroyo Matus

A matéria prima normalmente é abundante no local, afinal terra está por todos os lugares.

Casa em Terra Ensacada (Super Adobe) Foto:Jose Andre Vallejo

Casa em Terra Ensacada (Super Adobe)
Foto:Jose Andre Vallejo

Casa em taipa de Pilão Foto: Ecocasaportuguesa

Casa em taipa de Pilão Foto: Ecocasaportuguesa

O interessante é que você pode mesclar técnicas de acordo com sua necessidade.

A casa abaixo está sendo construída no interior de São Paulo, a arquiteta Samantha Orui responsável pelo projeto e obra utilizou um sistema de construção misto, que emprega varias técnicas em conjunto.

Casa em solocimento

Casa em Solocimento

A fundação é de paralelepípedo de demolição, as paredes com tijolos de solocimento (Construvan), as lajes e vigas foram feitas no método convencional de concreto e um pórtico de entrada está sendo executado em adobe.

Para os mais modernos o uso de containers tem sido um bom caminho para construir de forma rápida e com custo enxuto. São utilizados containers antigos que passam por pequenas adaptações para dar conforto térmico e acústico aos moradores.

Casa de container

Casa de Container

Construir pode ser mais sustentável e inovador, basta pesquisar a técnica que melhor se adapta ao seu gosto e bolso!

Até breve!

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Como acreditar que eu podia ser feliz salvou minha vida!

Felicidade - Chirles Oliveira - 25 de fevereiro de 2016

Por Luc Bouveret*

Luc Bouveret

Abrir-se para a felicidade é abrir-se para a abundância, para a cura, para a humanidade!

Todos nós temos algo a curar. Um sofrimento da infância, uma doença ainda não entendida, uma neblina que nos impede enxergar a nossa missão e o nosso talento. Para ser feliz precisa querer e para querer precisa saber o que é a felicidade.

Me lembro de quando eu tinha vinte dois anos. Um dia, após um encontro profundamente amigável, eu senti uma alegria tão grande no meu coração que eu percebi pela primeira vez o que era a felicidade. Eu descobri ao mesmo tempo que eu estava num estado de depressão desde muito jovem. Foi nesse dia que saí da doença e descobri que o mundo podia ser feliz. A depressão é uma gigante carência de amor.

Muitas vezes nem olhamos para o sol que vem nos acariciar amorosamente, nem olhamos para as árvores que encontramos no caminho. Nem sequer nos olhamos mesmo por dentro para nos lembrarmos de quem nós somos verdadeiramente. Este planeta traz todas as experiências e as oportunidades possíveis para evoluir rapidamente, para fazer novas descobertas, para vibrar…

Nos contentamos com a maneira em que estamos vivemos por falta de experiência. E temos tanto a experimentar com a vida, o planeta e a humanidade. Mas apenas podemos experimentar a felicidade e transformar nossas vidas se entramos com profundidade em contato com todos ao nosso redor. “Entrar com profundidade” é tirar seus medos e entregar seus melhores pensamentos, a sua atenção para o outro.

O medo é a falta de fé que reduz o ser humano a apenas sobreviver, em vez de viver plenamente. Transcender ao medo é entrar na freqüência da união com o planeta e com todos os seres humanos. É a vibração da renovação contínua e do movimento: é a chave da cura.

Cada um de nossos pensamentos cria a nossa vida: nada vem de fora. Somos responsáveis pela existência que vivemos.

Se experimentarmos acreditar que tudo dará certo em nossa vida, exercitando o nosso trabalho interior e fizermos os passos necessários com coragem para superar os nossos medos, não pode ter outra consequência a não ser a felicidade.

A VIDA É UMA SOMA DE ESCOLHAS

Existem 3 pontos que eu considero muito importantes que todos tenham em mente:

1 – Todos temos a livre escolha. O verdadeiro privilégio é ter a liberdade de criar a nossa própria vida, e deixar o Universo nos acompanhar para criar conosco.

2- E a nossa verdadeira liberdade é poder escolher o que queremos viver, a nossa felicidade depende de nossos pensamentos. O que acontece para nós é um reflexo da nossa mente.

3- Tudo o que pensamos e sentimos cria vibrações, elas se concentram em nosso coração. Nosso coração, por sua vez, emite permanentemente ao nosso redor ondas que refletem esses pensamentos. São essas ondas que atraem as pessoas, constroem os eventos do dia a dia e formatam o nosso cotidiano.

Por isso, se vivermos alinhados com a nossa luz e a dinâmica do planeta, podemos criar a nossa própria realidade, e também mentalizar tudo o que queremos. Se os seus desejos contribuem de verdade com a sua plenitude e se você realmente acredita no que acontecerá, Deus, a Consciência Maior, ou como você quiser chamar a energia do universo, virá trazer tudo o que você deseja.

Somos os mensageiros da energia vital. Ela nos preenche a cada momento para podermos manifestá-la através do nosso talento. Cada um tem algo estimulado pela energia vital a oferecer, cada um tem um coração do qual as vibrações vão tocar todos ao seu redor e irradiar até o coração do Universo.

Assim, o Universo, que veio nos chamar, recebe de volta o nosso chamado. Quando você entra na sintonia e no fluxo do movimento, ele ativa a sua intuição e guia você no caminho do amor onde não tem volta.

A partir deste momento, seu talento naturalmente se desenvolve porque as oportunidades chegam milagrosamente até você. É um novo mundo de prosperidade, abundância e amor que se abre imediatamente em sua vida.

A maioria do tempo esquecemos que somos bem mais do que pensamos que somos. Somos uma infinita possibilidade de criar, transformar e gerar felicidade dentro e fora de nós, esquecemos a nossa verdadeira identidade: SOMOS ENERGIA CRIATIVA.

Cabe a nós escolher! Porque irradiar amor é apenas uma questão de escolha, mas é a única chave para a nossa felicidade e abundância.”

Texto publicado em parceria com site  www.nowmaste.com.br

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Um bate-papo com a Monja Coen

Felicidade - Chirles Oliveira - 24 de fevereiro de 2016

Há algum tempo, um amigo me chamou para ir ao Zendo Brasil assistir uma pequena palestra daMonja Coen. Eu a havia visto no filme Eu Maior e gostado muito da sua forma de falar, então topei. Vê-la ao vivo reforçou a minha primeira impressão. A de que se tratava de uma pessoa muito especial, com muita sabedoria, lucidez e eloquência.

De lá para cá, li muitos textos, assisti outras palestras, participei de sessões de zazen (meditação) no Zendo e de alguns outros encontros com ela. No meio do caminho, fiquei sabendo pelo meu pai que somos primas (o nome da Monja Coen é Claudia Dias Baptista Souza; sua mãe era prima-irmã do meu avô), o que aguçou ainda mais o meu interesse.

Procurando mais informações descobri, então, que a prima Monja tem uma história de vida riquíssima e cheia de transformações. Como estou começando a trilhar minha pequena história de transformação resolvi bater um papo com ela e, quem sabe, pegar uma dica ou outra.

Peguei várias e ainda descobri a sua faceta mais incrível, a sua humanidade.

Aqui vai!

monja e eu

Mudar não é uma tarefa fácil, né? Não só pela mudança em si, mas também pelo apego que temos a quem somos quando fazemos aquilo que estamos deixando de fazer. Estou em uma fase de mudanças muito boas, mas, mesmo assim, em alguns momentos, já pensei: “putz, eu não quero deixar de ser quem eu sou…”. Dá um friozinho na barriga. Mas daí, quando você menos espera, você já está mudada.  Pelo que li a seu respeito, as mudanças na sua vida foram bem radicais. Como foi essa transformação da Claudia para Monja Coen?

É interessante a mudança. Ela não aconteceu em um momento apenas. Ela foi acontecendo.  Eu não decidi mudar. A mudança foi acontecendo junto com o que eu estava vivendo. A experiência no jornalismo (antes de ser Monja, Claudia era jornalista) foi muito intensa e levantou muitos questionamentos sobre o que é a vida, o que é a morte, o que nós estamos fazendo aqui. O que eu posso fazer.

Eu tinha vinte e poucos anos, vivendo numa sociedade que estava me parecendo muito injusta, muito desigual. O que eu posso fazer? Um dia, fiz matérias sobre sociedades alternativas e percebi que havia outras formas de viver, existia outro caminho. Mas foi só muito mais tarde que eu comecei a fazer meditação de forma sistemática e pude perceber que a meditação realmente é um caminho transformador.

É interessante isso que você disse, sobre o medo. Uma vez encontrei uma senhora que veio da Suíça para o nosso mosteiro em Nagoya e ela dizia isso, que ela quando fazia zazen ficava com muito medo, pois parecia que ela iria perder a identidade. Mas eu acho que não tive esse medo de perder a identidade, pois era uma identidade que eu já estava meio cansada.

Na minha época de jornalista, a gente saia do jornal e ia para o bar. Nós bebíamos muito. Havia uma espécie de insatisfação com a existência, uma dificuldade em lidar com a dor de estar em contato direto com as pessoas que estão sofrendo. É diferente de você ler ou ver na televisão. Como jornalista, você conversa com as pessoas que estão sofrendo. Somos seres empáticos, doía muito e a gente não sabia o que fazer com aquilo, então saíamos a noite para comer e beber e falar do jornal. E ser o jornal.

Eu tive um acidente de carro por causa disso. Acho que já foi um alerta: “o que você está fazendo?”. Outros incidentes também começaram a me fazer pensar: “Puxa, será que é isso que eu quero? Como é que estou vivendo minha vida?”.

Acho que foi aí que eu quis essa mudança. Eu preciso mudar. Do jeito que está indo não está bem.

Eu tive até uma tentativa de suicídio. E imagina que o remédio que eu tinha em casa eram antibióticos! (risos) Era uma sensação de querer ir embora daqui, “chega, tá chato”.  Acho que esse foi o ponto de mutação. Meu psicólogo, na época, ficou muito bravo comigo. Acordei fazendo lavagem no hospital e ele disse para mim: você quer dormir? Vou levar você para uma clínica onde você vai poder dormir bastante e repensar a sua vida. Eu fui achando que seria uma coisa muito elegante ser internada, mas aquilo começou a ficar muito chato (risos). Eu não aguentava mais dormir.

Foi aí que eu fui repensar a minha vida. Eu tinha vinte e poucos anos e houve em mim um grande movimento de mudança de “chega disso”. Eu estava tendo um relacionamento na época com um jornalista que era uma pessoa muito inteligente, mas que bebia muito. Era uma relação muito conflituosa, de paixão e de briga. E isso tudo foi mexendo muito comigo. Até chegar em um ponto em que eu disse: “não quero mais”.

O fato de querer morrer… No Zen a gente fala: “eu quero morrer para essa identidade”. Não é que eu quero matar esse corpo, mas essa identidade que eu criei para mim não está mais me satisfazendo e eu quero me livrar dela. Em vez de ter medo, eu me atirei em outra coisa.

Quando comecei a fazer práticas meditativas, fui tomar LSD. Eu estava procurando alguma coisa e nessa procura o LSD trouxe algumas respostas sobre o que é Deus. Eu não tomava LSD para fazer festa ou para namorar como algumas pessoas faziam. Era para responder uma pergunta filosófica e existencial. O que é isso? Para o que serve? O que é vida e morte? Eu não acreditava de jeito algum na imagem de Deus criada pela Igreja Católica, não cabia na minha cabeça.

Essas experiências foram muito interessantes. Eu estava com um grupo de escoceses e tinha um líder espiritual que guiava a gente. Foram encontros muito fortes com o que a gente vai chamar de “essência da mente” no Zen, e ele falava: “isso é Deus e ele está conversando com você”. Então foi uma coisa muito bonita, muito agradável. Uma sensação de pertencimento e de alegria de viver que tinha reaparecido.

Mas depois disso eu parei com tudo e voltei ao Brasil e o meu lugar no jornal estava a minha espera. Eu tinha muita saudade da minha filha, havia ficado mais de dois anos sem vê-la, mas não estava muito segura. O jornal não era um lugar para ter filhos e eu queria ficar com ela. Então resolvi dar aulas de inglês. Mas a questão continuava…

Um tempo se passou e acabei conhecendo um norte-americano e fui morar na Califórnia. Lá, com a ajuda de um livro, comecei a meditar em casa. Daí, para começar a fazer meditação no Zen Center, foi um pulo. Quando eu cheguei lá eu pensei: “Nossa é isso aqui! Não precisa de droga, não precisa de LSD, de haxixe, é só o ser humano.”.

Com essa experiência eu pude perceber também como o álcool é prejudicial, ele amortece a mente. Ele é um remédio para a dor que não procura a causa da dor. Nunca mais me interessei por bebida. O zazen foi a cura completa.

Meu marido, na época, trabalhava com música e as pessoas ainda fumavam muita maconha. Teve um marco para mim que foi um retiro de 7 dias que eu fiz. Quando meu marido foi me buscar e colocou uma música alta que a gente gostava e eu pensei “nossa, que música forte”. A mudança aconteceu assim. Eu disse, puxa essa música está alta demais.

Houve um desgaste completo do personagem que eu estava vivendo, que era muito inteligente, muito ágil, ganhava prêmios, era muito bem recompensada financeiramente e tinha muito sucesso. Mas é a tal historia, não é só isso. Havia um desgaste emocional, um questionamento existencial que aquilo não respondia.

Teve alguma coisa que foi difícil deixar para trás?

A questão da minha filha sempre foi a coisa mais difícil. Quando eu pedi uma licença no jornal para ficar seis meses fora, o que foi difícil foi isso. Eu nunca havia me separado dela. Ela estava com 7 anos e eu lembro que esse voo foi o mais difícil que já fiz, porque eu queria levá-la comigo e a minha família disse não, primeiro você se estabelece e depois venha buscá-la. Então foi muito sofrido.

O meu relacionamento com ela até hoje tem um pouco disso. A gente tem uma saudade que não acaba. De não ter convivido numa época que não volta.

Foi isso que eu renunciei. Uma coisa que é muito sagrada, que é a convivência com os filhos. Foi a coisa mais dolorosa em toda essa história e não é recuperável.

Agora, eu encontro com ela, mas ela é um personagem que eu não conheço direito. Eu conheço aspectos dela, mas tem outros que são estranhos para mim. Foram muitos anos separadas. A gente se encontrava uma vez por ano, nas férias. Então, nós tivemos poucos atritos e poucas brigas que mães filhas tem, porque somos meio estranhas uma para outra. Embora exista uma grande intimidade por um lado, por outros tem um certo distanciamento que a gente não consegue romper completamente. Brigas e conflitos trazem uma intimidade muito grande. A gente tem algumas pegas de vez em quando.

Como a sua filha te descreve?

Ela fala “ainda bem que minha mãe medita por que senão ninguém ia aguentá-la”. Ela acha que eu sou muito nervosa e muito brava e se não fosse pela meditação eu seria uma pessoa muito difícil de conviver. (risos)

E ela está certa?

Eu acho que sim. Nós temos uma genética que é meio brava, né? Uma genética de desbravadores, de pessoas que se arriscaram muito, com muita luta e muita violência. Pessoas que não tem medo e se atiram. E as histórias que meu avô contava é de que as mulheres da família eram assim também. Fui alimentada com muita história de valentia.

Como a Monja se separa da Claudia?

A Monja tomou conta. A parte da vida monástica absorveu aquela menina, aquela jovem. Até mesmo no relacionamento com a filha. Por que muitas vezes eu tenho que ter uma atividade profissional e ela quer sair comigo, que almoçar e não dá. Ela fica magoada, ofendida. Eu não posso fazer nada.

O meu voto faz com que a Monja seja a prioridade. Filho, família, por mais que eu goste, não é prioridade. E isso ela sente e se ressente.

Quando eu voltei do Japão, eu falava; venha meditar. E ela dizia: “não vou, essa Ordem tirou minha mãe de mim”. Não foi a Ordem que tirou, porque a Ordem chegou depois. Mas ela tinha esse ressentimento. Levou dez anos para ela vir praticar. Daí ela passou uns dois anos o tempo todo comigo, ia em todas as palestras, ficava o tempo todo comigo. Até as amigas dela se preocuparam, achando que ela ia virar monja.

É engraçado como, no geral, as pessoas não querem que a gente mude…

É exatamente. Elas acham que você está ficando séria. Uma senhora me disse que estava perdendo as amigas, pois as festas que elas iam e as conversas que tinham já não estavam interessando mais.

Mas gente muda nesta vida, podemos criar novos amigos. Se você não consegue levar a sua mudança e o seu crescimento para o grupo onde está você vai criar um novo grupo. Quantas pessoas estão vivendo o que já não é uma alternativa, é um momento de discernimento claro do seu papel na realidade.

Não é apenas o que eu faço que vai me dar um bom salário e uma boa posição social, mas isso me preenche? Se preenche, tudo bem. Agora, se não me preenche, se está faltando alguma coisa, a gente tem que ir atrás.

O que você guarda da Claudia?

O ficar brava atoa, a impaciência. O meu papel agora é de ser professora, orientadora; e eu espero que as pessoas aprendam com muita rapidez. Mas, às vezes, elas não aprendem com rapidez e eu fico um pouco impaciente e isso acaba afastando algumas pessoas.

A pessoa começa a fazer a coisa errada e eu vou ficando irritada e, sem querer, eu solto uma. O mais adequando é esperar que a pessoa cresça e aprenda. Então eu tenho uma certa impaciência com a vida, com as pessoas a minha volta. Eu acho que elas já deviam estar fazendo, já deviam ter percebido, mas elas criam uma coisa que eu não gosto muito que é uma dependência de mim. Eu percebo um medo da responsabilidade e medo da crítica, “a Claudia vai ficar brava, a Monja vai dizer, ah bem, vamos ver” (risos)

Ontem eu falei com a minha superiora no Japão e sempre falar com ela é uma delícia, pois o que eu tento trabalhar em mim para me tornar uma pessoa melhor, mais tranquila, é o que ela inúmeras vezes me sugeriu. Coisas assim: mantenha uma face alegre, não seja tão exigente com os outros, sorria. E ela nunca ficou brava para dizer isso, nunca alterou a voz, nunca falou uma palavra rude. Ela repetia como se fosse a primeira vez. E, às vezes, eu pensava: “nossa, será que ela já se esqueceu que me disse isso”. Ela não se esqueceu, mas se a pessoa não está pronta para receber a mensagem, eu vou falar de novo como se fosse a primeira vez. Esse é o meu aprendizado de agora. O que tento fazer. Como vou falar para as pessoas, mesmo que eu já tenha falado 10 vezes, se não foram capazes de ouvir, eu não vou perder a paciência e falar com mais rudeza, vou procurar trazer de uma maneira amorosa, de fazer com que a pessoa acorde, desperte. Por que é o outro que tem que despertar, não sou eu. Essa é minha dificuldade.

Você parece exercer um encanto sobre as pessoas? Será que é a careca? Você imaginava que teria tanto sucesso?

Tem duas coisas que acredito que justificam. Primeiro, quando cheguei ao Brasil, tinham poucas mulheres carecas. Notei que, quando eu aparecia na televisão, e viam uma mulher careca, o pessoal parava para olhar. Fui chamada muitas vezes por grupos oncológicos para falar com mulheres que estavam perdendo o cabelo para dizer: é legal ficar careca, não é feio. Isso deu uma visibilidade maior.

Segundo, acho que pelo fato de ter sido jornalista, eu acredito muito na mídia, sei que ela é importante. Enquanto tem muitas pessoas que quando vão dar entrevista ficam com muito medo do que vão falar, de serem mal interpretados. A gente sabe que muitas vezes as coisas são mudadas nocopy desk, quando faz corte de matérias pode selecionar uma frase que, solta no ar, tem outro sentido, mas isso é um risco que temos que correr. E é melhor do que ficar em silêncio e não transmitir uma coisa que a gente acha que é preciosa. Então eu sempre me coloquei muito disponível. Porque acredito e sei como é importante o papel de você informar, de dizer, isso existe.

Você não acha que a sua história pessoal de transformação também tem um apelo? Tipo: se a Claudia virou Monja eu tenho chance de melhorar um pouquinho?

Faço muita brincadeira sobre isso. Quando fui morar em Los Angeles eu trabalhei no Banco do Brasil e essa semana mesmo eu fiz uma palestra para bancários no Nordeste e eu disse: “trabalhar em Banco faz a gente virar Monge com muita facilidade”; e todos bancários concordaram, porque a vida de bancário é difícil, você lida com pessoas indignadas, pessoas que querem empréstimos e você não pode dar, ou que já tem um e não podem pagar e você tem que cobrar os juros. Então os relacionamentos são difíceis. Eles acharam muita graça.

Recentemente eu vi um documentário sobre o professor Hermógenes em que perguntam a ele no final da vida, aos quase 100 anos: “qual o seu maior aprendizado”? E ele diz: “Que esse Hermógenes ainda me dá muito trabalho”. Como é a sua relação com o o Ego?

A gente está sempre nesse auto-observar e a perceber que falta. Eu não chegarei a um estado absoluto para dizer sou um ser perfeito, nenhum de nós chegará. Aquele que diz isso está criando uma imagem de si mesmo que é perigosa até. A vida é um processo contínuo de aprimoramento e de perceber que “nossa ainda tem pontinha que achei que não tinha, achei que já tinha arredondado este pedaço, mas, de repente vem uma fisgada que gostaria que não existisse”.

É um processo contínuo. Cada vez que releio textos para os meus alunos percebo que ainda não tinha compreendido tudo. Cada releitura é um aprendizado. Não é dizer, puxa já li esse texto tantas vezes que já sei de cor. Não adianta saber de cor, por que o sentido muda e vai mudando conforme o seu estado.

O professor Hermógenes dizia uma coisa que eu adoro, ele dizia que estava criando uma nova religião que chamava “desilusionismo”. Acho isso uma glória. Cada vez que temos uma desilusão, estamos mais próximos da verdade. Por isso, que a gente agradeça. Acho isso muito precioso mesmo.

Tem uma história, não sei se é São Francisco ou Santo Antônio, é um desses cristões medievais que dizia o seguinte: “Quando eu caio na neve e estou sozinho e não tem ninguém que me ajude e me machuco, é nesse momento que estou mais próximo de mim”.  Quer dizer, quando você não tem nada, só dor e sofrimento e não tem quem ajude, eu sei que tem alguma coisa que me protege, me ajuda e me leva adiante. Esses encontros são sempre extraordinários mesmo.

A prática do zazen é uma prática que exige um pouco de desconforto físico, de persistência, de paciência. Acho que isso para mim foi muito importante. O não desistir. Por que se você desiste, você não chega lá. Não chega nesse encontro que a gente vai chamar com a essência do ser, com a natureza Buddha. Mas você precisa passar pelas fases.

Às vezes a gente quer um atalho. Como é que eu chego lá sem passar pelas dificuldades? Mas as dificuldades são o próprio caminho. E quando você as acolhe, em vez de querer lutar e acabar com elas, é que há mudança. E, às vezes, no dia a dia, a impaciência vem e ela impede que você possa fluir. É um treinamento incessante.

Qual o grande ensinamento que você recebeu da vida até hoje?

Respire conscientemente. Eu chamo de presença absoluta. Trabalhar a presença absoluta. O que estou sentindo agora, como isso pega no meu corpo, onde começa e onde termina. Assim você não é aprisionada pelas sensações, emoções e sentimentos. Eles acontecem, são importantes, são lindos, mas não te aprisionam.  Você é livre para sentir e deixar passar.

Tinha um mestre no Japão que dizia assim: “Abra suas mãos e nela cabe todo o Universo. Segure uma só coisa e você se torna prisioneiro”. O tempo todo é isso, treinar como abrir as mãos. Eu vou percebendo que me pego numa coisa, depois em outra. É um exercício contínuo, mas é gostoso (risos). É bom!

Cristiana

*Cristiana é economista e jornalista, trabalha como planejadora financeira pessoal e é sócia do Nowmastê. Nas horas vagas seu maior prazer é viajar e contar histórias.

Parceria com o site www.nowmaste.com.br

Fanpage:Nowmaste

Instagram: @nowmaste

 

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Menos lixo e mais cuidado com o que você come!

Sustentabilidade - Laila Rezende - 22 de fevereiro de 2016

Todos os anos 8 milhões de toneladas de plástico são jogadas no mar em todo o mundo ( Plastic Ocean, 2016) e os cientistas alertam que em 2050 haverá mais plástico que peixes nos oceanos*. O plástico nos oceanos confunde os animais marinhos que os engolem e morrem, além de gerar inúmeros desequilíbrios ambientais (digitem no youtube “plástico e oceanos” e vejam o tamanho do problema).

É uma situação preocupante. Mas o que tudo isso tem a ver com a minha alimentação?

Tudo! Tudo o que você compra, alimentício ou não, vem com embalagens que não são recicláveis ou recicladas, esgotando os recursos naturais do planeta, além de poluí-lo.

Cada vez mais embalagens são utilizadas para agregar valor ao alimento, deixando-o mais atrativo para o consumidor, mas também mais caro e menos ecológico.

alimento_embalagem

No meu dia-a-dia procuro comprar alimentos que possuam a menor quantidade de embalagens possível, e, de preferência, não possuam plástico ou isopor na embalagem.  Prefiro as embalagens de papel ou papelão, sempre.

Outro modo de contribuir para o planeta através da alimentação é comprar alimentos regionais e de época ( que estão na safra). Alimentos que estão na safra são mais baratos, de melhor valor nutricional, e geralmente tem grandes perdas em supermercados e locais de distribuição, pela diminuição no valor de venda devido à grande produção.

Os alimentos regionais são produzidos no local onde são consumidos ou em suas proximidades. Foram transportados a pequenas distâncias, gerando menos CO2 para a atmosfera. Os alimentos regionais ainda fomentam a economia local e as vezes podem vir de pequenos produtores.

E que tal ficar um dia da semana sem comer carne? A indústria da carne é grande poluidora e responsável por grande parte dos desmatamentos da Amazônia. Uma refeição rica em vegetais e grãos como grão de bico, soja, ervilha, quinoa é uma refeição rica em fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes e fitoquímicos, que podem trazer grande benefício para sua saúde.

E não podemos esquecer  que quase um terço dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, seja na produção, transporte, venda ou consumidor final. Isto gera um custo enorme para o planeta e para a economia mundial.

Pois é, quem diria que dava para ajudar o planeta comendo? Pois dá sim, e muito! E o futuro está na mãos de cada um de nós.

*(dados divulgados no Fórum Econômico Mundial de Davos)


				
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Será que precisamos de tantos cosméticos?

Vida Saudável - Nádia Salmeron - 21 de fevereiro de 2016

É uma linda manhã. Você acorda, vai ao banheiro e entra no banho. Usa shampoo, condicionador, sabonete. Se enxuga e passa o desodorante. Ah, e escova os dentes, porque bafo amanhecido ninguém merece. Sendo homem, faz a barba – usa espuma e loção pós-barba, dando aquele trato. Se der um tempinho, põe um pouco de talco no pé para amenizar o “chulézinho” básico de cada dia. Arruma o cabelo – os mais vaidosos usam um pouco de gel ou mousse para deixar o penteado estiloso. Para finalizar: uma borrifada de perfume e pronto para a rua.

Muitos…

Em um período de 15 a 20 minutos, dez cosméticos foram usados. Agora… se a descrição fosse de uma mulher, esse número de produtos poderia facilmente triplicar. Seriam inclusos na lista: hidratante corporal, máscara capilar, creme para pentear, tônico, esfoliante, hidratante facial, hidratante labial, primer para o rosto, primer para olhos, base, corretivo, pó compacto, blush, iluminador, lápis labial, batom, lápis para olhos, delineador, primer para sombra, sombra (muitas!), rímel e ufa… a lista pode não ter fim.

É claro, sei bem que as mulheres têm necessidades diferentes. E não questiono esse fato. Mas, as perguntas que vêm me tomando o pensamento há algum tempo são: será que precisamos mesmo usar essa avalanche de cosméticos? Para onde estamos indo com essa prática?

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Tão poucos…

Minha mãe sempre me conta que quando ela era criança (isso na década de 50/60), todo mundo lavava o cabelo com sabonete. E só. Claro, ficava aquela coisa eriçada, com vida própria, porque o sabonete era ruim. Mas era o que se podia comprar e tinham poucas marcas disponíveis no mercado. Era sabonete, ou se usava o sabão feito em casa, reaproveitando o óleo de cozinha – que é ótimo, mas definitivamente não é a coisa mais cheirosa do mundo para um banho.

Foi só em 1974, quando minha mãe já era moça, que surgiu o famosíssimo Neutrox! Lembram dele? Bom, eu usei… Na época era o único condicionador do mercado. Batom? Minha mãe tinha apenas um brilho, que também era usado como blush e dividido (claro, à contragosto) com as irmãs. Ela diz que aquela época não era fácil. Mas, ao mesmo tempo, ela não se sente confortável e fica perdida com a infinidade de opções que temos atualmente.

Muitos cosméticos e tão pouca felicidade…

Em um período de 30 a 35 anos partimos de poucos cosméticos para “trocentos”. E na maioria das vezes caríssimos. Gastamos fortunas com produtos, que, na maior parte das vezes, nos confundem com fórmulas esquisitas e não cumprem o que prometem. Investimos em cosméticos sem nos darmos conta de sua real necessidade. Não percebemos que, em longo prazo, eles podem prejudicar – tanto a saúde e o bem estar quanto o bolso. E no final, acabamos frustrados por não encontrar uma solução.

Em meio ao caos do mundo moderno, palavras como: “simples”, “sustentável” e “equilibrado” parecem fazer cada vez mais sentido e convergem para um ideal comum. Essas tendências têm ganhado muitos adeptos e podem ser encontradas na alimentação, no vestuário, na organização, etc. E porque não nos cosméticos também?

Veja bem, o que estou questionando não é o ato de cuidar de si mesmo (e muito menos o boicote ao banho – para a decepção de alguns rs), mas sim o consumo exagerado. E toda a indústria que o sustenta.

Não estou dizendo que todos os produtos industrializados fazem mal (nada de radicalismo aqui, por favor!), mas sim que precisamos ter mais conhecimento (científico inclusive) sobre o que usamos diariamente, para fazermos melhores escolhas. E que sim, é necessário pensar sobre o que é mais saudável – para nós e para o planeta.

 

Um vídeo para entender e pensar mais a respeito:

 

Obs: Essa foi a minha estreia aqui no Felicidade Sustentável! Foi uma honra ser convidada a participar deste projeto bacana, coordenado por uma pessoa mais bacana ainda!

Gostou desse tema? Tem sugestões? Críticas? Dúvidas? Me escreva!

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Não seja herói. Seja humano!

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 19 de fevereiro de 2016

Mãe, pai, ou qualquer um que tenha me (nos) criado. Vocês sabem que hoje sou forte graças ao apoio nas horas de desespero? Agradeço por não terem me feito acreditar que as meninas devem ser princesas e os meninos super-heróis, porque, na verdade, esses dois não existem. O que existe são seres humanos, como eu e você, que cai e levanta, que se arranha e tem que passar Merthiolat. Afinal, a vida não é um eterno se rasgar e um eterno se costurar?

Então, graças à criação que tive – como espero que todos os pais sejam assim -, pude compreender que se me fosse dado tudo, talvez, hoje, eu não valorizasse nada. Aprendi que se machucar é normal, pois levantamos mais fortes.

Mãe, você me ensinou que é necessário se valorizar antes de entregar o coração. Pai, você me fez ver que trabalhar demais não mata, mas que dá atenção para a família pode fazer toda a diferença. Vó, consegui entender que todos, em algum momento, precisam de colo.

Eu nunca quis um castelo, e quem me criou sabia disso, pois fez exatamente como eu precisava, tornando-me grato pelo quarto que eu tinha, pois uma cama de mil reais tem o mesmo efeito que uma cama de duzentos reais. Não dar tudo aos filhos, mesmo quando se tem condições, é a maneira mais sabia de fazê-los compreender que o pódio da vitória deve ser construído com o suor do próprio corpo. Há coisa mais honrosa do que vencer após uma renúncia?

Sou grato (a) por ter aprendido que ficar horas em frente ao espelho não era mais importante que cultivar minha beleza interior. Sou tão feliz por ter percebido que fazer um macarrão pode ser tão bom quanto comer caviar, pois, sinceramente, o que vale mesmo é a gratidão que temos pelo que nos foi dado e, principalmente, por quem está ao nosso lado.

 

Eu ainda tenho muitos medos. Quem não tem? Porém, tenho base para enfrentá-los. Que nós tenhamos mais coragem a cada passo, sempre preparados para o que der e vier, mesmo que esse der e vier signifique ter que recomeçar todos os dias. Eu só não Eu só acho que ninguém, assim como eu, precisa ou deve acreditar em príncipes encantados. Só não quero ver meus sonhos se perderem. Só não quero ver a vida ir embora. Eu quero, simplesmente, vivê-la.

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Economia solidária: um jeito diferente de fazer negócio

Sustentabilidade - Sandra Almeida Silva - 11 de fevereiro de 2016

Hoje em dia fala-se muito sobre Economia solidária: um jeito diferente de fazer negócio e espero ser eu, a única solitária sobre o assunto. Confesso que não foi difícil encontrar boas pesquisas sobre o assunto, mas foi um pouco complicado pensar sobre um conceito tão simples e tão bonito.
Estamos acostumados com as complicadas coisas sobre economia tradicional e compreender esse conceito nos deixa confuso, foi assim que fiquei. Solidária ou Solitária? Mas vamos pelas beiradas já que na economia solidária a principal ideia é não complicar e sim democratizar.

Em princípio, a Economia Solidária é explicada como um modo de produção em que não há a clássica divisão da sociedade em duas partes: proprietária dominante e propriedade subalterna.   Como assim? Isso mesmo, as empresas solidárias estabelecem que todos os que detêm a propriedade necessariamente trabalham nela e, portanto, impossibilita ter uma classe que viva apenas dos rendimentos do capital sem ter trabalhado por ele.

Uau! Isso mesmo, na organização solidária, as pessoas com uma mesma produção (ex.: as rendeiras de Fortaleza) se organizam para viabilizar a melhor distribuição e divulgação dos produtos e depois de pagar as contas, o lucro é repartido igualmente para todos os integrantes da organização, são as conhecidas cooperativas.

Há outros exemplos dessas iniciativas: projetos produtivos coletivos, cooperativas populares, cooperativas de coleta e reciclagem de materiais recicláveis, redes de produção, comercialização e consumo, instituições financeiras voltadas para empreendimentos populares solidários, empresas autogestionárias, cooperativas de agricultura familiar e agroecologia, cooperativas de prestação de serviços, entre outras, que dinamizam as economias locais, garantem trabalho digno e renda às famílias envolvidas, além de promover a preservação ambiental.


 É muito interessante pensar que a prática democrática na tomada de decisões é de todos.  E o direito a voto é um fato na economia solidária, assim todos sabem o que acontece na empresa. Nesse modelo, cada trabalhador é responsável pelo que ocorre na empresa, nos prós e contras, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza e nos lucros e nos prejuízos. O objetivo é eliminar a solidão “das partes”, o individualismo “das classes” em busca de um crescimento solidário e sustentável “de todos”.


 A expressão economia solidária  refere-se a um movimento que ocorre no mundo todo e diz respeito a produção, consumo e distribuição de riqueza, com foco na valorização do ser humano. Além da visão econômica de geração de trabalho e renda as experiências de economia solidária se projetam no espaço público, tendo como perspectiva a construção de um ambiente socialmente justo e sustentável.


Fontes: Economia solidária e educação de jovens e adultos / Sonia M. Portella Kruppa, organização. – Brasília: Inep, 2005. 104p.

Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) –Acesso em 06.fev.20116 <http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=61&Itemid=57


 

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Vídeos

*Banco de imagem by Pixabay

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Viagens e consciência ecológica: unindo sonhos

Colunistas, Sustentabilidade - Laila Rezende - 10 de fevereiro de 2016

Viajar é motivo de depoimentos apaixonados: viajar é levar a alma para passear, é a única coisa que você compra e te deixa mais rico. Sempre tive dois grandes sonhos: conhecer o mundo e viver de forma consciente e sustentável.

 
Neste momento estou no avião voltando da Ecoaldeia Flecha da Mata, em Icarati, no Ceará. Difícil colocar em palavras a experiência magnífica que lá vivi. Não é a primeira vez que viajo para locais que tem foco na ecologia, sustentabilidade e permacultura, mas desta vez foi diferente. Fui sozinha, numa viagem de autoconhecimento, para passar um tempo vivendo o dia a dia de uma comunidade sustentável.
 
Fui experimentar, na prática, a vida em comunidade e de não agressão à natureza.  A energia é eólica e solar, os banhos são curtos, a alimentação orgânica e vegana e dormimos em tendas perto da mata. As construções são sustentáveis, feitas com técnicas de bioconstrução e todos ajudam nas tarefas da aldeia e uns aos outros quando é preciso, numa grande e feliz união. 
 
 
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Difícil descrever a alegria que é viver realmente em comunidade. O homem moderno perdeu o senso de irmandade e, principalmente, a noção de que a comunidade é a extensão de sua família e a Natureza, extensão de si próprio. Voltar às nossas raízes é tão profundo quanto emocionante. É se conectar consigo próprio e com a essência divina dentro de todos nós.
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Há momentos difíceis, claro. Pois, estamos muito acostumados com os luxos e a falsa abundância dos recursos da cidade. Mas a alegria da conexão é maior. A alegria de viver realmente a vida que eu busco e tanto acredito é inebriante. Uma vida de felicidade, de comunidade, de real abundância e amor de forma totalmente sustentável.
 

Esse é o meu primeiro texto para o blog Felicidade Sustentável e por isso, desejo que todos encontrem seus sonhos, assim como encontrei os meus. E caso seus sonhos estejam em uma vida sustentável e conectada com a felicidade, nos encontramos por aí. Feliz 2016! 


PS.: Quer saber mais sobre permacultura? Então, assista ao vídeo com entrevista exclusiva para o canal Felicidade Sustentável, da Amanda Frug, especialista em permacultura.





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