Monthly Archives for junho 2015

Mergulhar ou ficar a margem?

Colunistas - Jared Amarante - 26 de junho de 2015

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Por que nos sentimos, na maioria das vezes, tão culpados? Por que nos permitimos magoar de maneira excessiva? Por que temos dificuldades em mudar nossa postura diante do que a vida apresenta? Perguntas infindáveis servem para nos trazer reflexão. Mas o quanto queremos refletir sobre o amor? Sentimento esse, que rege todas as coisas do mundo ou, pelo menos, deveria.
 
Não deveríamos nos martirizar por não saber tudo sobre o amor, mas nos esforçarmos por conhecer esse sentimento capaz de proporcionar experiências que, certamente, podem fazer com que amadureçamos, ao invés de nos apegarmos a idéia de que não sabemos o que é o amor e de que, consequentemente, não precisamos saber, levando-nos, assim, a nos culpar por tantos desencontros na área afetiva.
 
O amor não é algo que, subitamente, chega e nos desperta de um sono profundo chamado solidão e auto-piedade, e sim um sentimento que só existe se for aceito, lapidado, entendido, compreendido, respeitado e, principalmente, alimentado, pois o amor não é um fenômeno encantado, ou seja, é preciso, a cada dia, cuidar dos corações que nos carregam. Ou as plantas sobrevivem sem água e sol?
 
É imprescindível que se aprenda a dar amor, mas é preciso tê-lo para ofertar, pois quanto maior for o entendimento – desse sentimento complexo -, maior será a capacidade e habilidade para amar. Mas quantos de nós temos a disposição para isso? Todos possuem a capacidade para amar, no entanto, a falta de disponibilidade para aprender faz com que tenhamos o sentimento de conformismo como sentido para a vida.
 
Mas será que o desejo de ser perfeito ou de encontrar alguém perfeito não é justamente o que tem feito com que fracassemos nos relacionamentos? Queremos, quase sempre, negar nossos tombos e, assim, justificá-los, isto é, não queremos admitir diante da vida e, sobretudo, daqueles que nos cercam, nossas escolhas imaturas, cruas e, essencialmente, precipitadas; escolhas equivocadas que nos levam a tantas quedas bruscas.
 
O que é preciso lembrar, antes que seja muito tarde, é que podemos nos permitir caminhar pelas beiradas do amor, claro, sabendo que podemos nos ferir, mas, de alguma forma, podemos, também, evoluir. Ter medo de sofrer talvez seja uma forma de negar o amor! Você já pensou assim?
 
É inerente, melhor, quase impossível, que não sejamos feridos nessa vida. Mas não estamos, nós, em algum momento, ferindo? Excelentes oportunidades de crescimento pessoal passam despercebido pelos nossos olhos magoados, justamente por estarmos, exaustivamente, preocupados com quem já nos “usou”. Mas o pior é saber que nada fazemos a respeito, nem mesmo mudar o foco do pensamento, e nada pode ser tão angustiante!
 
Ás vezes, ou quase sempre, magoamos os outros, e quando não é mais triste, magoamos a nós mesmos. Por que preferimos experimentar sentimentos de raiva, ódio, rejeição, medo, e piedade a ter que olhar para nossa alma e, urgentemente, buscarmos a origem de nossas dores emocionais? Sem dúvidas, ou de maneira geral, a nossa negligência, o medo de mudar, o conforto do conformismo, a indisposição de fazer durar, são fatores que podem, quase sempre, nos tornar criaturas baratas diante de nosso próprio potencial de amar, simplesmente por estarmos, exaustivamente, criando expectativas. 
 
Por isso, por favor, não podemos esperar seduzir e transformar os outros para, então, sermos felizes, pois pensar assim, de certa forma, é a melhor maneira de ser infeliz.
Mágoas podem travar potenciais e impedir relacionamentos de durar. Mas não são os sentimentos – amor – como o ato de mergulhar num oceano? Veja bem: se mergulhamos, podemos apreciar a beleza, mas podemos nos machucar lá no fundo. Em contrapartida, se evitamos o mergulho, evitamos, também, nos machucar, mas perdemos, de alguma maneira, a beleza do fundo do mar. Sendo assim, estamos diante de uma pergunta intimista. 
 
Mas, agora, vale refletir: você quer mergulhar ou ficar a margem?
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A sua relação vale a pena?

Colunistas, Felicidade - Paula Lima - 24 de junho de 2015

 


Relacionamento significa algo completo, acabado, fechado. O amor nunca é um relacionamento: amor é relacionar-se – é sempre um rio fluindo, interminável.” Osho

 

Ao mesmo tempo em que a existência do outro incomoda ela também é importante, pois suscita descobertas.  Já pensou como se relacionar é complexo?
Há situações em uma relação que incomodam, chateiam, irritam e que por alguma razão desmotivam.  Você já viveu alguma situação que provocou algumas destas sensações?
É possível pensar que se afastar desta situação é resolver a questão, contudo, distanciar-se do problema não necessariamente significa resolvê-lo.
Resolver a questão é compreender o que no outro desperta em você tal incômodo, o que na relação com este indivíduo é revelado sobre você mesma? Queria ser reconhecida e não foi, queria ser amada e não foi, queria ser considerada e não foi, queria ser escolhida e não foi, queria ser compreendida e não foi, etc.
É na relação com o outro que surge a possibilidade de entrar em contato com as próprias fragilidades, fraquezas, limitações, podendo sentir a falta e a ausência do que não se tem, do que se quer, do que se deseja.  Dependendo da maneira como se lida com as fragilidades é comum perceber dois tipos de comportamentos mediante situações que trazem estes conflitos:
a) fazer de conta que estes incômodos não existem, ignorando qualquer compreensão a respeito da situação
b) explodir como vulcão, reagindo aos impulsos das emoções
Muitas vezes, alternarmos nossas respostas em relação a esses dois tipos de comportamentos, mas chega um momento que é muito desgastante viver as relações através destas polaridades, ora no oito, ora no oitenta.
Existe uma relação em que é possível se sentir nutrida, preenchida, satisfeita, grata, realizada, feliz? Sim, existe! Ela existe dentro da complexidade que é se relacionar. Ela existe no dia-a-dia e não somente em datas comemorativas e eventos especiais em que todos arrumados e bonitos registram-na através de fotos e vídeos.
Ela pode acontecer quando se descobre mais sobre si mesma, quando se pode revelar ao outro o que na relação é possível, o que não é possível, o que se pode fazer, o que não se pode fazer, o que gosta, o que não gosta, o que se dispõe, o que não se dispõe, o que faz sozinha, o que precisa de ajuda, o que sabe, o que não sabe, aprendendo assim discutir sobre quem é, sobre o que pode, o que espera, o que deseja.
Nessa relação construída sobre esse alicerce é possível viver um encontro onde existe crescimento, onde há gratidão, onde há aprendizados, trocas e compartilhamento. Neste encontro acontece uma relação de verdade, que não significa uma relação perfeita ou somente de flores, mas uma história que é construída a partir das descobertas de si e do outro, das transformações, das reinvenções e do amor que se nutre e não somente do que supre e do que suporta.

Uma relação de verdade e que se sustenta é aquela que vale a pena para ambos.

Um abraço a todos !
Paula Lima atua como Personal & Professional Coach com certificação internacional pela Behavioral Coaching Institute e Nacional pela Potenciar, federada pela FEBRAP, nos segmentos individual e corporativo.
Practitioner na arte da programação de neurolinguística pela Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.
Terapeuta Corporal com formação Neo-Reichiana.

Linkedin: paulalimacoach
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Por gentileza

Colunistas - Chirles Oliveira - 22 de junho de 2015

 
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Por gentileza, um pouco mais de gentileza,
No dia a dia, um tanto a mais de franqueza.
Meia dúzia de sorriso, uma piscada em seu cumprimento,
Um rosto simpático, dois terços de um “boa sorte” bem dito.
Desmanche, desencana dessa cara fechada,
Dê uma careta com graça, uma palavra cantada.
Sai da maioria, não entra nessa fria da vida,
Pois viva quente, aquela estampa que vibra.
Brilhe, simpatize, entregue, recicle uma flor,
Rabisque bilhetes, deixe na mesa contra a dor.
Colore alguém, recolore a si, faça alguém sorrir,
Diga que está linda (o), dê a liberdade para ir e vir.
Dê lugar, passe a vez, engula a pressa,
Para onde vai? Se não sabes, sai dessa.
Por paciência, ensine; por gozo, aprenda,
Dependa de alguém, um ego sem legenda.
Enquanto isso o mundo muda com a gente, vem nessa conosco,
Uma conta de multiplicação, em que este ou aquele é convosco.
Assim que é, dê a mão e o pé, tire do bolso,
Aceite o convite, deixe o relógio, vai de novo.
Tenta ser alegre, faz o alheio alegre,
Agradeça, deixe o orgulho em xeque.
Reconheça, não duvide, exclame o que for bom,
Para gente azeda, o melhor remédio é bombom.
E nas mínimas coisas, peça abraço,
E nas máximas coisas, use o braço.
Para estreitar afetos, para ter lembrança,
Junte razões boas, releia tuas esperanças.
Faça mais gestos, também… Escreva mais histórias, também,
Permita que o outro contribua, empurre ele para mais além.
Pegue carona no sonho terceiro, encoraje primeiro,
Dê parabéns a um estranho, dê um aperto certeiro.
Tomem café, ponha açúcar na xícara dele outra vez,
Abra a porta, deixe ela passar primeiro que vocês.
Não deixe um corte novo de cabelo passar em branco,
Nunca deixe um semelhante esperar horas no banco.
Deseje “Bom dia”, “Boa tarde” ou “Boa noite” quando se verem,
Treine o positivo “Vai dar certo”, “Vai passar”, para longe viverem.
Despeça como se fosse a última, pergunte como foi o dia como da primeira,
Tente ser um pouco melhor, tente melhorar o dia ruim com uma bananeira.
Dessa, tente melhorar o uso do tempo,
Deixe de crítica, dá cá um papo lento,
Sai da fofoca, vá caçar minhoca,
Se fica de lorota, plante mandioca.
Não destrua, reconstrua,
Sem chorumela, vá e arruma.
Seja assim comigo, contigo.
Dê, receba dele ou dela.
Faça diferente, tire o “des” e fique contente…
Já é hora de pedir a conta, E o que quero?
Mais de mim… Mais de você…
Por gentileza.
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Uma dose de solidão, por favor.

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 19 de junho de 2015

 

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Competitividade, correria, dívidas, cobranças, quantas dessas palavras não nos asfixiam todas as manhãs? Vivemos num ciclo vicioso de querer ter o controle de tudo e, quando percebemos a inutilidade disso, lamentamos por ver que a nossa conexão com o ambiente está fragilizada pelo excesso de informação. Por isso, também, estamos rompendo laços, pois a globalização, parece, proporcionar a mesma leveza de um olhar face a face ou de um abraço real. Nada pode ser tão enganoso e desumano!

 
Nesse dia a dia, onde correr é sempre inevitável, precisamos parar, em algum momento, e dizer para nossa alma que temos urgência de solidão. Sim, é isso mesmo. Solidão que faz com que encontremos a sanidade, adormecendo, então, as ideias vendidas, ou seja, precisamos dar conta de tudo, porque do contrário seremos fracos. Ah, que absurdo! Fracos não são aqueles que temem 1 minuto de solidão porque temem, ainda mais, o espelho das dores e dúvidas internas?   Não encaram seu próprio reflexo porque, também, carregam o medo de mudar e preferem o conformismo? Há, sem dúvida, uma avalanche de perguntas rondando nossas ações rotineiras, o que é importante para a reflexão.
 
No entanto, é preciso compreender que não estamos fazendo apologia à reclusão, mas a valorização dos momentos de passos mais vagarosos, haja vista, quando não se tem o que fazer, o sentimento de inutilidade e culpa nos ataca, fazendo com que pensemos que é preciso estar em constante movimento, acompanhado tudo e todos.
 
Não! Não! Não! A velocidade nunca será mais prazerosa que a calmaria, pois as coisas mais lindas desse mundo – como o casamento feliz, a carreira bem sucedida e a saúde equilibrada -, são mais possíveis de serem alcançadas pela paciência, acompanhada de muitas doses de solidão, ao invés de nos doparmos com as ideologias da ditadura do capitalismo, isto é, produza, faça, ganhe, compre, se perca, se esqueça, e jogue fora. Mas, não é esse o destino de todos nós? Não! Nosso destino só pode se encontrado nas conversas com nossa alma, numa intimidade que só é alcançada longe das buzinas dos carros, das músicas estridentes e, principalmente, das pessoas negativas. Pessoas que por desistirem de ser feliz, esperam que você faça o mesmo. Poucas coisas traduzem tanto desperdício de potencial!
 
Não há, sequer, aqui, a intenção de falar que devemos nos alegrar por estar só, porque isso é uma hipocrisia. Mas, também, é importante reconhecer e viver momentos de quietude, para que sejamos arquitetos de nossas mentes aflitas, ou seja, saibamos refletir sobre quem somos, de onde viemos e, principalmente, com quem e aonde queremos terminar nossa vida. Por que adiar essas reflexões?
Nunca estaremos realmente sós, isso é um fato. Porém, a maioria de nossas angústias se agigantam quando temos a crença de que nosso valor, perante a sociedade, é pouco ou, por vezes, esquecido. Quando isso acontece, buscamos, desesperadamente, por apoio externo, que pode ser o excesso de trabalho, a necessidade de atenção, a busca pelas sacolas abarrotadas e, quando não é mais triste, buscamos a felicidade em coisas que escorrem pelo ralo.
 
Será que dói mais ouvir o canto dos pássaros ou ser surdo? Será que cansa mais acordar cedo e dar atenção a quem amamos ou entregar flores no túmulo dessa pessoa? Será que é uma perda comprarmos o que é mais barato ou é melhor ver uma roupa custar mais que o nosso amor-próprio? Será que é mais prazeroso mergulhar em nossos sonhos ou vermos rugas de arrependimento amanhã?  
 
São muitas perguntas para pouco tempo, mas não para algumas doses de solidão. Será que é disso que estamos precisando hoje? Se tudo está correndo, e se nos obrigam, de alguma forma, a ser parte dessa corrida, que sejamos a parte que caminha mais devagar, porque nada pode ser mais trágico do que irmos embora – porque todos vamos -, sem sentir que a vida é o espetáculo mais lindo. Mas por que insistimos em ficar de olhos fechados? Por que queremos dançar mais rápido que a música? Por que tememos um pouco de solidão se, por meio dela, podemos mudar tudo? Oferte seu tempo, mas, muito antes, viva. Não temos outra oportunidade para voltar. 
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Monja Coen fala sobre Felicidade e Meditação

Felicidade - Chirles Oliveira - 18 de junho de 2015

Minha alegria e gratidão pela Monja Coen. Uma estreia incrível e inspiradora!

A Monja Coen com muita sabedoria e amor estreia como nossa primeira entrevistada, o que nos trouxe muita alegria, contentamento e gratidão. A partir de agora, nossos leitores também serão agraciados com conteúdo em nosso canal no Youtube. 

No blog, bem como no Youtube, nós queremos oferecer aos leitores/seguidores entrevistas e histórias de vida que inspirem a um viver com mais qualidade de vida, equilíbrio, saúde, bem-estar, paz interior, pois acreditamos na felicidade como uma busca, um propósito, uma escolha.

Entendemos a felicidade como a Monja Coen bem explicou, como algo que frutifique, que gere bons frutos, sejam eles pensamentos, uma disposição para enfrentar os desafios de cabeça erguida, uma mudança de atitude na direção do que realmente importa. Cada um sabe a sua medida, a sua necessidade, a sua hora de mudar.

Há muitas histórias boas para contar e aos poucos vamos liberando-as. Em nossos canais de comunicação você sempre encontrará receitas saudáveis, dicas de sustentabilidade, informações de como fazer algo diferente no seu dia-a-dia. Às vezes, uma mudança só precisa de um empurrãozinho, de boas informações, ou mesmo, de uma inspiração.

Nós agradecemos de coração a todos que nos acompanham e, principalmente, a Monja Coen pela força, incentivo e alegria ao nos conceder a primeira entrevista para nosso canal no Youtube. Pedimos desculpas, pois a qualidade do áudio não ficou muito boa, mas prometemos melhorar a cada novo conteúdo. Obrigada a Luciana Murakami, nossa colunista que ajudou na produção do vídeo e ao querido Raphael Scarcelli pela edição!

Lindas palavras de incentivo para o blog!
Abraço Fraterno!
 #gratidaoinfinita #felicidadesustentavel

 

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Frio, àquele que dá na barriga

Colunistas - Rodrigo Vieira - 15 de junho de 2015

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Frio na barriga, o alento que ainda pulsa. Àquilo que dá lá dentro, borboletas a voar, um lado intenso a rebentar. É tudo àquilo que dá em sonho, na vontade, na vida que ainda balança em cada “nós”.
 
 É para quem perdeu a fé de vista, e de repente a vê ascender num recomeço incipiente. A quem largou numa esquina o que não conseguiu tentando, quando noutro dia a sorte lhe resolve bater à porta com um cartaz de cartolina no qual está escrito o que é teu. Para todo àquele que dormiu, olhando no céu a iminência de um brilho que está longe a chegar. Destes, por estes que vivem o frio que esquenta a emoção, na chegada de algo bom, ou mesmo coisa má. A quem se faz mexer o lado selvagem que ainda se mantém instintivo.
 
Esse tal frio – que dá – ocorre quando nos confrontamos com os nossos desejos latentes, inexpressivos por um misto de desconfiança e incredulidade de finais felizes. No instante que antecede uma resposta, ensaiada por toda uma imaginação criada até chegar ali. Na linha tênue entre o sonho e a desilusão, que ainda faz arrepiar o mais maduro dos homens em toda sua utopia particular. Porque alguém sem utopia não é digno desse sentido, que faz suar, verdejar ao mesmo tempo do desalento.
 
 Na barriga e seu frio batem uma série de misturas que ainda atestam a importância no viver. É zelo demais, querer bem demais a si. É uma imanência cativa de se importar, de revelar a mais pura essência que ainda lhe faz admirar enquanto acordado. Próprio da pessoa que descobre uma emoção já vivida, a qual de tão bela recria novas percepções que desaguam num sentimento desbravador. É algo que se esconde, mas se pensa diariamente enquanto o dia desfila pela existência, secretamente e em retumbante presença.
 
Certamente são felizes aqueles que se deixam voar pelas borboletas que lá dentro alçam rasantes irregulares. O que dá nó na voz, num atropelo de coração e palavras. Pés que escapam do chão, racionalidade sufocada pela natural pujança da emoção. Olhar no olho e ver com o peito arfante; tocar sem pressa, esquecer a eloquência de discursos, fazendo da própria ingenuidade a súplica mais devota que se dá aos céus. Há ingenuidade ainda, a pureza oculta pelo descuido que os anos travam em cada estória.
Borboletas são na verdade o que faz arder, o que faz descambar lágrimas, e o que faz acreditar mesmo sem garantia futura. É dessas asas o vento frio que dá na barriga, levando à tona o que estava à deriva, cochilando. Desconfie do total equilíbrio, desequilíbrio é parte de gente comum, que sente insegurança, temor, entre outros choques a quem ainda sente a dádiva de sentir.
 
Sentir é a capacidade máxima de nossa saga. Sentir o que está perto, longe, até mesmo rascunhar o que sentir. Tudo o que se sente é o avesso da indiferença, condição real, extinta de sua totalidade…
Renunciemos toda superioridade, supremos entendimentos conservadores, para que em meio a tantos “tanto faz” se faça sentir o frio…

Àquele que dá na barriga.

 
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Quem é você, amor?

Colunistas - Jared Amarante - 12 de junho de 2015

Um dia me perguntaram o que é o amor. E a minha resposta foi o que talvez não descreva esse sentimento, mas que, de repente, nos aproxima de sua magnitude.  O amor é aquilo que não conseguimos ver, porque foi feito para sentir. O amor é o que pulsa dentro de cada um de nós, porém o segredo está em descobri-lo e reconhecê-lo como a força mais poderosa do universo. O amor é a vontade de abdicar de si para ver o outro feliz sem que isso o faça perder sua identidade.
 
O amor é a disposição para aceitar sacrifícios; renúncias que estão vinculadas a um sentimento tão sublime. O amor também se parece com a ideia de que não se pode aceitar tudo, porque se assim for, teremos ausência do amor e o transbordo de posse e insegurança. O amor, às vezes, deixa o outro ir, porque sabe que não detêm o direito sobre a vida de outra alma. E que, no fim das piores circunstâncias – as perdas -, o que fará a diferença é aceitar. Aceitar que podemos ter alguém sem possuir esse ser. Porém, nada traz mais saudosismo!
 
O amor é o que nos faz atravessar uma chuva torrencial em orações, porque a alma sabe que os sonhos não podem morrer. O amor é aquela voz gritando no fundo do coração, dizendo que ás vezes é necessário desistir, não porque se é fraco, e sim porque o amor deve ser aquilo que merecemos e não sentimentos implorados. O amor é a maior força que pode haver, porque através dele qualquer dor transforma-se em aprendizado.
 
E talvez cheguemos aos 90 anos sem conseguir definir o que é o amor. Mas, se nessa idade tivermos alguém que cuide de nossa alma e corpo, teremos a certeza de que o amor não precisa ser definido, mas vivido e compartilhado, pois o amor é o cuidado e a dedicação diante da inutilidade de um ser. O amor talvez seja uma mistura de sensações, ou, de repente, está presente em cada pessoa, objeto ou energia.
 
Penso até que o amor seja a dolorosa e mágica descoberta de que as pessoas são livres para escolherem o que querem, mesmo que isso fira o amor que temos para entregar. O amor ultrapassa limites, mas se apóia na sabedoria. O amor suporta muitas coisas, menos a indiferença, porque se ela existe, logo inexiste o amor. 
 
O amor não é o que se enxerga com os olhos carnais. O amor não é

 

uma vitrine chamada corpo que alguns desejam por excesso de vaidade. O amor não está nas fotos exibicionistas de muitos casais. O amor não são aquelas flores que chegam junto com uma cesta de café da manhã. O amor é mais do que palavras trocadas em uma cama.

 

 
O amor vai além do prazer da pele. Mas, de repente, eu posso estar errado, talvez até incoerente, porém ainda acho que o amor é aquele rosto que tem marcas de um aconchego, é aquele toque que deseja mais que o momento, é aquela alma que sabe se mostrar. E mesmo que pareça loucura, não dá para negar que o amor é aquilo que nasce das imperfeições, que traz consigo a força para superar perdas. Perdas que chegam até nós ou perdas que construímos.
 
O amor é isso mesmo, um sentimento que não está acompanhado de posse, mas de apreciação, porque o amor verdadeiro é aquele que se renova ao invés de desistir, mesmo quando a inutilidade dos anos nos ataca. O amor é o sentimento que não se desintegra com as quedas da mortalidade, é aquele poder que ultrapassa lençóis, promessas e caixões.
 
O amor não busca o que parece perfeito e conveniente. Realmente, o amor é isso. Tão inexplicável quanto à força que se arrasta em nós quando esse sentimento faz morada. O que é o amor para você? 
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Algumas novidades do mercado orgânico e sustentável na 11ª Feira Internacional

Sustentabilidade - Chirles Oliveira - 11 de junho de 2015

 
Hoje tive uma experiência maravilhosa por causa do blog, pois há tempos não participava de um evento como jornalista ou assessora de imprensa e muito menos como veículo de comunicação. Divulgamos o blog para algumas marcas participantes  da Bio Brazil Fair / Biofach America Latina – 11º Feira internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia, que acontece de 10 a 13 de junho de 2015 no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo.
 
Foi impressionante ver a quantidade de estandes e marcas do mercado de orgânicos. Na verdade, são 122 expositores e centenas de opções como alimentos orgânicos in natura, congelados em geral, cosméticos, biojoias, confecções, acessórios, produtos pet, dentre outros. 
 
Claro que o mercado acompanha a tendência dos consumidores que buscam uma vida mais saudável, mais simples e natural, preocupados com o que vão deixar para seus filhos, ou mesmo para as futuras gerações.
 
Por isso é importante entender o que se ganha com a cultura da sustentabilidade, dos alimentos orgânicos, da agricultura familiar e local. Ganha o planeta pelo não uso de pesticidas e agrotóxicos e pela não contaminação dos nossos recursos naturais como água e solo. Ganha o produtor local que sobrevive financeiramente com sua família ou cooperativa, e ganha o consumidor que recebe produtos saudáveis à mesa, livres de venenos e toxinas no corpo.
 
Como veículo de comunicação, recebemos o press kit com material de divulgação e também com alguns lançamentos para experimentação, tornando possível conhecer novos produtos e perceber que ter uma alimentação saudável hoje em dia  ficou mais fácil com tantas opções no mercado. Agora vou conhecer o açúcar de coco, óleo de coco com limão da marca Copra, proteína concentrada de arroz integral germinado orgânico e ervilha amarela da Chocolife, zero glúten, lactose e açúcar, ideal para quem tem intolerância ou alergia a esse tipo de alimento.
 
Na verdade, conheci muitas pessoas interessantes e outras marcas que aos poucos vou relatando para vocês. Inclusive gravamos uma entrevista para nosso canal do YouTube falando sobre agricultura orgânica com o Sr. Eduardo da Associação Sítio Escola Portão Grande, aprendi muito com ele. Em breve o vídeo estará disponível.
 
Ter um estilo de vida saudável depende da nossa alimentação mais natural e menos processada, ou seja, menos industrializada. Depende também do modo como administramos nosso tempo para trabalhar, praticar alguma atividade física, dormir, ter um hobby, uma atividade voluntária e uma vida social com a família e os amigos.
 

 

Nossa primeira cobertura como veículo na feira de orgânicos. #feliz

 

Eu e a Soraia Zonta proprietária da Bioart trocando informações sobre nossas redes sociais

 

 

Embalagem super linda e criativa com instruções de uso na própria embalagem. (Foto Fernanda Kanasiro)

 

Foto by Marcelo Kanasiro
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Felicidade como artifício ou essência interior? Qual é o seu foco?

Felicidade - Chirles Oliveira - 10 de junho de 2015

Vivemos imersos num mundo que nos vende a toda hora a felicidade como mercadoria, uma aspiração ou, ainda, um sonho impossível. Como se fosse factível entrar em um supermercado, ir direto à prateleira mais próxima e levar para casa uma porção de felicidade. Será possível ser feliz comprando um livro ou mesmo fazendo um curso online que vende felicidade?
Isso não seria a transformação da felicidade em mercadoria, produto, estilo de vida? Sim, buscamos a felicidade, pois essa é uma busca infindável do humano. Desde a Grécia antiga, os filósofos clássicos como Homero, Sócrates, Platão, Aristóteles e Epicuro entenderam a felicidade como a busca primeira do homem. O fundamento maior, a essência.
Pois bem, vamos viajar no tempo? Vamos filosofar com os sábios?  
Para Homero, a busca da felicidade está ligada à tragédia da condição humana. O que caracteriza a mortalidade é a alternância entre prazer e a dor, a felicidade e o sofrimento. Ou seja, há uma alternância de sensações, momentos felizes e momentos tristes, fazendo parte da vida de forma natural. Mas o que faz do homem um herói é essa máxima:  “o herói não se embriaga de prazer, assim como não se desespera com a dor”[1].
Acredito que ainda vivemos essa alternância em nossos dias, essa balança entre prazer e dor, felicidade e sofrimento, conquistas e perdas. Vivemos essa dualidade e nos sentimos angustiados e sonhadores. O problema é que nós nos apegamos à dor e ao prazer e diferentemente do herói, nos tornamos prisioneiros dos sentidos e ficamos a mercê do apego, da ilusão.
Para os gregos, em plena expansão da democracia, o indivíduo só se realiza como tal numa cidade justa. A felicidade e a cidadania são faces da mesma moeda. A felicidade está ligada a virtude do cidadão, que pensa organicamente em uma justiça social. Nós evoluímos em muitos aspectos, sobretudo, nas ciências e tecnologia. Mas, talvez tenhamos perdido nossa conexão maior com o todo, com a cidadania e a felicidade da cidade justa.  Penso que esse seja o primeiro marco, o conceito embrionário da sustentabilidade, ou seja, da felicidade sustentável.
Em Platão, há uma relação próxima entre a harmonia interna do indivíduo e a harmonia social. “Se o que move o indivíduo é a busca da felicidade, torna-se imprescindível a construção de uma cidade em que essa felicidade se possa realizar”[2]  Quanta sabedoria dessa primeira civilização! Quando li essa afirmação me perguntei: Quando foi que perdemos essa conexão?

Se essa é a nossa busca primeira desde a antiguidade, por que estamos nos afastando da felicidade, nos enganando, colocando em seu lugar outros valores, batendo em portas sem respostas? Será que estamos ludibriados pela ilusão do individualismo e do prazer a qualquer custo e a qualquer hora? Será que perdemos o foco para o fundamento da nossa busca essencial de sermos felizes?!
Não há uma receita para a felicidade, mas podemos pensar que os desafios da vida exigem de nós uma postura e que o mais importante é saber COMO reagir a estes desafios, que podem ser uma doença, a perda de alguém querido, uma falta de sentido e de propósito de viver, uma solidão doentia, falta de amigos e de um amor.
Sócrates, autor da célebre verdade “Conhece-te a ti mesmo”, acreditava que o indivíduo sem a coletividade, não era nada. A busca socrática era realizar de forma coerente e harmoniosa, a relação entre felicidade individual e coletiva.  Para ele, aquele que sabe o que é verdadeiro age corretamente.  “Conhece-te a ti mesmo significa que a felicidade humana, a realização íntegra da excelência do ser humano, depende do conhecimento de si, isto é, do conhecimento do homem no plano da sua essência”[3].

Ao seguir o pensamento socrático, entendemos que não dá para ser feliz sozinho, pois para o filósofo a realização de uma vida feliz (moral, pessoal, cívica e política) tem como requisito o conhecimento essencial de tudo que diz respeito ao homem, individual e coletivamente.
Não seria esse o propósito dos que lutam pela sustentabilidade e dos que acreditam na felicidade do ponto de vista da igualdade, das oportunidades, da justiça social, da partilha do saber, da proteção do habitat natural, dos cuidados para consigo e com o próximo? Não seria esse o sonho e luta dos grandes idealistas como Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Dalai Lama, Papa Francisco e tantos outros?.
Talvez, tenhamos que voltar nosso olhar para a filosofia grega e aprender com os sábios os segredos de uma vida feliz. Talvez tenhamos que sair da nossa zona de conforto do individualismo e olhar para além dos muros das nossas casas, dos anúncios da TV, dos apelos do consumismo e plantar boas sementes em prol da coletividade!  Que a felicidade de um, seja a felicidade do Todo e vice-versa. 

 “Em suma: a felicidade é o anseio de todos os homens; somente a virtude proporciona a felicidade; somente o saber proporciona a virtude; a alma é a sede do saber e só por ela podemos adquiri-lo”.

Depois vem Platão… mas ele será a inspiração para um próximo texto! A filosofia dos sábios gregos parte II, aguarde!
Esse texto foi inspirado pelo livro Felicidade, de Franklin Leopoldo e Silva. Leitura que recomendo.

Abraço Fraterno!

Chirles de Oliveira


[1]SILVA, Franklin Leopoldo, 2007, p. 15.
[2] p. 18
[3]SILVA, Franklin Leopoldo, 2007, p..33
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Por um mundo mais gentil e bonito!

Colunistas - Rodrigo Vieira - 8 de junho de 2015

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Oi, pessoa bonita, queria dizer em secreto que lhe admiro. Queria afirmar que você me encanta, decretar que me inspira, você melhora meu dia. Não sei se sabe.
 
Não sei se sabe, mas seu jeito fácil me gruda feito imã. Essa parte me combina, principalmente nos mil mosaicos do seu sorriso. Sabes o que há em rir e sorrir, propriamente convida ao colocar em cada caso um ou outro jeito. Tiro de comparação a sua covinha da bochecha, porque já é demais; não enumerarei os pingos vermelhos de seu lado corado: já é fascínio.
 
Auto me considero um sujeito comum, entretanto me desliga essa coisa de feio e bonito, sabe? É, esse “feio” e “bonito”, o bullying mais antigo da história. Acho que pode ser efeito do tempo, não sei, hoje a educação me seduz mais que nunca. Essas pessoas que dizem “Obrigado”, “Por favor”, “Bom dia, boa tarde ou boa noite”. Essas pessoas que dão lugar, que abdicam de sua vez, que esperam a hora de falar. Ah, e aquelas que guardam o lixo até achar lixeira? Só por curiosidade, eu já reparei nessas, viu.
 
São pessoas de tom certo, entre o grito e o sussurro, naquela voz que lhe cerca a atenção. De abraços respeitosos, olhos sinceros, uma gentileza fora de hora. Sei que elas ajudam velhinhos pela cidade, devolvem troco a mais, inclusive se desculpam – com uma naturalidade de quem se conhece muito bem. Gente que dão e doam atenção, desde um fulano desconhecido que não sabe o endereço, a colegas de trabalho que não sabem determinado afazer (como um cálculo de mais e menos).
            
Andei vendo essa gente bonita, elas não temem não saber. Nem são sabe-tudo. Incrível o modo como pedem ajuda, com doçura que consente, com fragilidade que ensina que ora e outra somos professores e alunos. Elas não são do tipo que gosta de se aparecer a qualquer custo. São discretas, comunicam no olhar, ajeitada no cabelo, um pedido mudo, numa dica que soluciona seus problemas insolúveis. São assim, meio como estar e não estar, ser destaque sem folia, um exemplo que você relembra duradouramente.
          
Nada de confundir o chique com o simples. Nada de confundir com o comprado e o dinheiro. Até porque a elegância está na simplicidade que meio mundo esqueceu. E isso, gente bonita nos suscita leve e amena. Olho com olho, saudação com saudação, gratidão com favor, abraço com afeição, incentivo com desespero, silêncio com quem quer brigar. Tão fácil guardar quem sabe chegar, quem expõe e não impõe, quem sabe dizer, quem sabe a temperatura das relações.
            
Bom-senso a quem não tem! Que até o fim dessa carreira possamos nos comportar segundo a empatia e a simpatia, sabendo a tenuidade que lhes singulariza. Que possamos ser mais polidos, do volume do rádio a tomar – inutilmente – o tempo de alguém. 
Toda vez que me deparo com gente assim
– fina e bonita -,
conhecida ou desconhecida…
Realmente concordo: “Desculpe-me as feias, mas beleza é fundamental”.
Oi, pessoa bonita.
 
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