Monthly Archives for maio 2015

Licença Poética

Colunistas - Rodrigo Vieira - 30 de maio de 2015

Eu prefiro, tão bem, viver uma licença poética crônica. Viver de licença, da licença de não ter que pedir nada a ninguém. Nada ao tudo, já que as grandes coisas, que dão para a vida, surgem como que numa cartola mágica. Espontaneidade, agradeço.
A poética é caso de poucos, pra poucos. A poética é um turbilhão bobo, um evento banal e corriqueiro, pintado à mão de criança. Sim, a poética é um estilo de vida completamente pueril. O que está nessa inocente graça são coisas que não sabemos usar, esquecemos, deixamos para trás. Vem desde um passado recente, de qualquer bala que adoçava o dia, ou do gesto carismático de mandar beijo para alguém, suscitando outra comoção sem sobrenome.
 
Licença, isso vem de nós. Isso é um rompimento, quebra de silêncio, uma anistia à falta de virtude. Que duro é se permitir, que duro é se deixar, que duro é ser alguém. Licenciar-se, não tem a ver com outrem, tem a ver com nós. É como esmagar as convicções que não servem, os preceitos do mau-humor, é mostrar o dedo do meio para um lado negro que se joga feito pessimista.
 
E de licença poética é cozinhado o jargão “Viver a vida”. Entendo, sendo desses dias chuvosos que nos encharcamos sem querer, segurando uma risada altissonante, feitos meninos e meninas chutando a poça que reluz. E vai saber se o que gente precisa é realmente tomar um banho de chuva. Ou se a gente precisa por o som no último volume, saltar pela casa com um microfone imaginário: “Tomando o mundo feito coca-cola”. Mas a gente pode precisar de um par, alguém para dançar, mesmo não sabendo, de encontrões que deem em nariz no nariz.
 De toda essa licença, quero esquecer meu tempo perdido com trabalho, com amor não correspondido, com carteira vazia, com a última conta que está pendente desde a semana passada. Quero mesmo é me perder, encontrar-me noutro canto que aparenta ser estranho, mas que me faça outra existência. Deixar de ser eu, ser um eu – lírico mais fantasioso do que factual. Ou seja, o que quero é um nome sem pronúncia, que eu não sei pronunciar.
 Do tempo, só quero o que é meu. Honestamente, é só isso que quero. Ainda assim cobro tim-tim por tim-tim, por que minha vida é pouca, e ainda sinto o mundo como uma bola gigante que não sei chutar. Por isso que acho perda de tempo a neurose com dieta, café sem açúcar, megalomania em encontros esporádicos, estar de mal como no “prezinho”, deixar para depois o que faz bem, ou toda aquela encheção de institucionalizar o que é ser “bem-sucedido”.

 

Quero licença, quero poética. Quero ser o contrário do que dizem de mim, não por revelia adolescente, mas por maturidade de quem vislumbra o sentido disso aqui. O sentido disso aqui que nos deixa confuso, que não sabe se fazemos certo ou errado, se estamos indo bem. O sentido disso, cunhado como “vida”, pela qual, cada vez mais, associo a uma grande asa que – em nós – não voa como deve.
Permito-me rascunhar em mim,
Permito-me dar de louco e de troco,
Até topo escutar os absurdos que falam de mim com tamanha paciência de minha ironia.
Mas eu quero mais, algo como pegar a lua e colocar num pote de vidro, feito pirilampo.
Algo como pegar alguém que me vire de ponta-cabeça…
Acho que é por aí que está…
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Quando devolvem o amor-próprio?

Colunistas, Felicidade - Jared Amarante - 29 de maio de 2015

banco de imagens Pixabay
Há quem diga que ter um ‘’grande amor’’ é importante. Mas há quem afirme que viver sem esse ‘’grande amor’’ é mais importante ainda, porque, talvez, antes de nos entregarmos para alguém, precisamos nos devolver para nós mesmos. Mas o que é isso? Devolver-se é perceber que não pode deixar de ir ao cinema só porque não está acompanhado, pois o filme será lindo da mesma forma. Devolver-se é, também, compreender que mesmo a cama de casal sendo maior, ela é perfeita para seu descanso, pois, muitas vezes, temos o lado esquerdo preenchido e, mesmo assim, nos sentimos sozinhos. Não faz muito sentido, né?
Carecemos por acreditar que as pessoas devem ser nossas de qualquer forma, assim como pouco compreendemos sobre o amor. E se esse sentimento for subjetivo? Cansaremos o coração buscando por definições daquilo que é indefinível?
Nos falta perceber e aceitar que os relacionamentos de hoje – não deveria ser assim -, são como os fast-foods, ou seja, o outro me serve até quando outro não for mais atraente. Mas, claro, isso até quando o próximo não for ainda mais interessante. Percebem como somos inconstantes? Por isso, urgentemente, precisamos buscar por gente que, ao invés de bater a porta em nossa cara, volte, sente, dê as mãos, fixe o olhar e diga: nós podemos reconstruir, afinal, sempre que se pode recomeçar é por que antes se teve a oportunidade de destruir e, às vezes, destruir é a única maneira de ser fazer inteiro novamente. Mas, quem tem essa coragem?
É preciso – diante das mais loucas aventuras já vividas -, entender que ninguém é uma ilha, mas também ninguém precisa se envolver por medo da solidão, porque a solidão pode ser algo tão subjetivo quanto o amor. Já pensou quantas pessoas namoram, se casam e ainda se sentem sozinhas? E quantas que, mesmo solteiras, sentem-se abastecidas de amor? Ainda que digam que, em algum momento de nossas vidas, todos precisarão do cobertor num dia frio, é preciso gritar para si mesmo que ninguém necessita de alguém que deseja nos consumir e depois se alimentar em pastagens alheias. Poucas coisas ferem tanto!
Antes de querermos nos envolver, é imprescindível que saibamos o tipo de relacionamento que gostaríamos de ter. Queremos a pessoa que na primeira briga diz que não somos o sonho que ela imaginou? Queremos uma pessoa que ao cruzar a esquina abaixa o vidro do carro e solta uma cantada barata para aquela de curvas atraentes? Queremos uma pessoa que nos veja como um barranco de escora ou queremos aquela que, quando nos ver cair, vira nossa âncora? Queremos uma pessoa que reclame das roupas que usamos sem perguntar quais são nossas prioridades?
Não quero dizer que encontraremos a pessoa perfeita, mas podemos buscar por aquela que compreenda nossas imperfeições. O mais bonito nos relacionamentos é saber à hora de ir embora e à hora de continuar. Sim, é isso mesmo. Desistir pode ser um ato de coragem, isso diante de sustentar um relacionamento onde as pessoas estão numa bicicleta de dois assentos, no entanto, cada um prefere seguir por uma direção. Como um casal sobrevive à tempestade se cada um está mais preocupado com qual roupa vai molhar primeiro? O verdadeiro amor não tem vaidade e deixa essas vestes encharcarem, fazendo com que ambos suportem as trovoadas, acreditando que ainda existe um sol; um sol chamado compromisso.
Que as pessoas são livres, isso é incontestável, ainda que tal liberdade nos fira. Mas, será que pensamos que muitas vezes fazemos pelas pessoas coisas que elas não nos pediram? E depois, bem depois, o coração quer ser juiz e fazer um acerto de contas, querendo receber o que ofertou. É por isso que devemos nos preocupar em viver a reciprocidade, para que não tenhamos frustrações tão agudas, porque frustrações sempre teremos, sobretudo quando se faz parte de um planeta onde o efêmero é mais especial do que os laços. Porque é sempre mais fácil desistir do que lutar. É sempre mais descolado comprar mais um tênis quando já se têm alguns empoeirados por falta de uso. É sempre mais instigante possuir ao invés de apreciar. E como tudo isso nos assusta, ou não?
Tem gente que sabe que amar pode ser o maior dos desafios humanos, porque tem que ser aprendido, tal qual se aprende a usar as pessoas. Será que não podemos escolher a primeira opção? Não há dúvidas de que nos decepcionaremos muito, porque as pessoas, independente do quão amorosas podem parecer, em algum momento nos machucarão, e vice e versa, pois, se pararmos para refletir, ninguém, nesse vida, fere ninguém, as pessoas apenas mostram como são imperfeitas. O que precisamos entender é que, às vezes, colocamos expectativas demais naqueles que estão acostumadas a comer fast-food, ao invés de buscarmos por aquelas que sentam nos restaurante e apreciam até a decoração. Que tipo de companhia você quer?
Há gente desistindo da gente, enquanto, se formos verdadeiros, perceberemos que estamos fazendo o mesmo. E talvez isso aconteça porque estamos desorientados quanto a acreditar que, desesperadamente, é preciso ter alguém, pois não conseguimos nos bastar com nossa própria companhia. Poucas coisas são tão destrutivas! Essa não é uma visão egoísta, mas uma ação de proteção para com tantos devoradores contemporâneos. A relação que queremos construir com alguém só dará certo se, muito antes, for sólida dentro de nós, para que não usemos pessoas que são feitas para experimentar cumplicidade, ou seja, todos nós.
Essa é a era cuja maioria dos seres têm o talento de ferir, mas não possuem o dom de consertar. Porém, podemos ser diferentes, isto é, se percebo que não estou mais cabendo no cenário, crio coragem para ir embora, porque o outro não é minha propriedade, ainda que eu o ame com todas as forças que tenho. Mas, se vejo que vale a pena lutar – e o outro enxerga pelo mesmo prisma -, decido que posso respirar mais fundo, ficar, abraçar e dizer: eu te amo, mas para ficar, agora, aprendo a me amar na mesma proporção.
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Compostagem: Bom para o planeta, ótimo para sua saúde!

Sustentabilidade - Luciana Murakami - 27 de maio de 2015


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Foto: Luciana Murakami


Segundo dados da prefeitura, todos os dias na cidade de São Paulo são gerados 20 mil toneladas de lixo, sendo que deste total 12 mil toneladas são de lixo domiciliar. Acredito que cada um de nós é responsável pelo seu próprio lixo e não adianta achar que nossos governantes conseguirão resolver todos os problemas que nós diariamente ajudamos a criar.


Há algumas décadas já se fala em reciclagem e muitas pessoas separam o lixo orgânico dos materiais que poderão ser transformados e reutilizados. Mas, infelizmente, a cidade recicla apenas 2% deste percentual e apesar de existir um plano municipal para ampliar este valor para 10% isso só acontecerá em 2016. Enquanto isso, toneladas diárias de lixo continuarão sendo jogadas nos poucos aterros sanitários disponíveis.


Então o que fazer? Além de reciclar, evitar o desperdício é algo que pode ser trabalhado em nosso dia a dia. Precisa imprimir? Use os dois lados da folha. Vai ao mercado, leve uma sacola retornável. Compre produtos que possuem menos embalagem, e se não tem como evitar a embalagem, recicle. Que tal adotar uma caneca no trabalho? Você sabia que irá economizar pelo menos 3 copos diários, e que ao fim do mês serão menos 60 copos descartáveis indo para o aterro?


E o que fazer com o lixo orgânico? Este possui uma solução que nossos ancestrais sempre sábios usavam muito no campo: a compostagem.


“Compostagem| s.f. Processo biológico que consiste em deixar fermentar os resíduos agrícolas e urbanos (gorduras domésticas), misturados ou não em terra vegetal(Priberam Dicionario)


Os aterros sanitários utilizam este sistema de compostagem, em grande escala, mas é possível fazer o mesmo processo em casa, apartamento, condomínio, escolas e empresas.
No ano passado, a prefeitura em parceria com a Ong Morada da Floresta lançou um programa piloto que distribuiu 2.000 composteiras domésticas para cidadãos e eu consegui a minha.

 

As composteiras domésticas consistem em 3 caixas plásticas retangulares empilhadas, nas quais se coloca um pouco de terra com minhocas e, diariamente, o resíduo orgânico que iria para o lixo (cascas de frutas, vegetais, etc)  é depositado dentro e coberto com um pouco de serragem ou folhas secas. As minhocas pré-existentes na camada de terra irão se ocupar da decomposição destes resíduos.

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Composteira GG completa após 30 dias
Foto: Luciana Murakami
O processo para completar 1 caixa dura cerca de um mês e são necessários mais 30 dias de descanso. Neste período, a segunda caixa começa ser preenchida e ao final de 60 dias, ao invés de gerar 20 kg de lixo, você gerou 20 kg de húmus, um adubo super potente para utilizar nas suas plantas e quem sabe na sua nova horta sem agrotóxicos.

 

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Resultado da compostagem: Adubo para a horta (e minhocas felizes e alimentadas…)
Foto: Luciana Murakami
Todo o processo é bem simples, não gera cheiro e os resíduos são processados no mesmo local em que foram gerados e isso significa o cidadão se responsabilizando por aquilo que produz.


Os números do programa ainda não foram oficialmente divulgados, mas já se sabe que a participação trouxe um aumento de consumo de frutas, legumes e verduras, além de incentivar a adoção de hortas domésticas e maior contato com a natureza.


Minhocas felizes, famílias saudáveis, mais verde na cidade, menos lixo no mundo… Não é uma boa receita de felicidade?


Ficou interessado em começar a compostar? No grupo Composta São Paulo no facebook é possível conseguir informações de como fazer sua composteira em casa. Você também pode pesquisar no site da Morada da Floresta a composteira mais adequada ao tamanho da sua família.
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Hoje eu só quero que o dia termine em Carpe Diem

Colunistas - Rodrigo Vieira - 23 de maio de 2015

           

 

Hoje eu quis uma nova vida. Hoje eu abri a janela, o céu estava azul (de novo, e não à toa), a cortina dançou na manhã. Hoje eu quis mudar, deixar para trás o que não serviu, rasgar o casulo. Hoje eu quis Carpe Diem, ao menos só hoje.

E o que de mim fica é o que impede, é o que retorce, de que nada adianta permanecer assim. São minhas perdas, fracassos, a desistência de um amor não recíproco, um bilhete amassado de mentiras. Outros gestos, o que não fui, o que não deveria, o que amordaçou, calou, doeu. Todavia, hoje não poderia ser assim.

Acho que o agora é pra brinde. Um brinde solitário, solidário comigo, talvez por piegas, ou acreditar que ainda estou vivo. Que seja. Quero música, um ritmo cadenciado, embevecido, com êxtase nos passos da sala, onde eu posso ser louco sem par. Mas, de igual, quero silêncio. Silêncio para uma prece, uma prece de recomeço, mesmo acreditando que não estou preparado. Isto é fé, que eu tenha fé.

Fé em minha vontade, no que há de bom, no que tenho de bom. Fé em Deus, fé na vida, nas pessoas certas. E se muito me falta, pouco tenho; se pouco tenho, devo multiplicar num milagre. Afinal, vida sem milagre é um conto tão vazio. Das tantas histórias do que quero, quero um fim de dia diferente, quase pueril, quase novidade, quase como último, quase como o adeus. Encanta-me um plano sobre ele, transcende-me o não esperado, o que para alguns é acidente, para venturosos é sorte.

Será que meu dia vai acabar em “Eu te amo”? Será que vai findar no atraso do poente? Será com uma ligação de saudades? Não reclamaria se viesse com uma notícia boa, quão menos se vier num suspiro contento que lhe faz sonhar como na noite passada. Poderia ser com um grito, um beijo na boca, na bochecha, na testa. Poderia ser na bagunça de uma criança, entreolhares, um esbarrão, uma velha piada, uma remota lembrança. Poderia ser no quarto, na rua, na estação. Poderia, e eu nem imaginaria outras coisas.

Contudo, tem que ser pra hoje. Clamo para que o hoje me salve, puxe-me pelas mãos, onde não sei mais andar. Não, não quero mais esperar, não quero resignar, ou aguardar na fila de espera. O agora é meu eleito, minha sorte preferida, sem borracha em seus traços, em sua grafia dadivosa. Eu quero para hoje, eu quero para já, eu quero sorrir sem mentir, eu quero dizer do que se foi com uma simplicidade que liberta.

De tudo, não preciso de motivos. Quero dos acontecimentos inesperados, de desencontros felizes, quero estar com o rabo virado pra lua. Se virá da esquerda ou direita, não me importo, que caia do céu e me derrube. Hoje eu quis que o dia terminasse assim, só espero o amém. Espero que valha, de graça, sem papel.
  
Quanto ao que ficou, que fique.
Hoje o dia é meu, só pra mim, mais ninguém.
Que seja passado o que não me é presente…
Hoje eu só quero que o dia termine em Carpe Diem.
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Você tem medo de mudança ou encara qualquer desafio?

Colunistas, Vida Saudável - Paula Lima - 20 de maio de 2015

O quanto sou resistente à mudança? Gostaria de convidá-los a refletir sobre este tema a partir da sua experiência.
Quando se pensa em mudança o que vem a mente? Qual é a sensação que aparece? Insegurança, entusiasmo, motivação, angústia, desconforto, curiosidade, medo.
Segundo Heráclito, filosofo pré-socrático, a única coisa permanente é a mudança, portanto, este é um processo inerente à condição humana. Sejam todos bem-vindos a esta experiência.
Quantas vezes lutamos contra uma mudança ou quantas vezes resistimos a ela? Por que isto acontece?
O conhecido é um lugar que acalma, que tranquiliza, que traz conforto, traz sensação de poder. Mas sem dúvida é também um lugar que aprisiona, pois o torna blindado ao novo, ao que se pode revelar.
A mudança traz a todo o momento a abertura para o não saber.  O quanto é possível tolerar o não saber em uma sociedade em que ter controle e saber de tudo a todo momento se faz tão valorizado? Como é  perder ou sair do controle?
Uma mudança possibilita a oportunidade de se rever, de avaliar o que não serve mais em nós, de retomar algo que estava adormecido, de perceber se estamos de acordo com quem somos ou com quem gostaríamos de ser, enfim, de se reinventar.
O que na maioria das vezes nos move é o desconforto, a mudança, pois é ela que nos mobiliza construir novos repertórios, ampliar reflexões, expandir vivências e projetar algo para o futuro, possibilitando refletir nossa própria história durante a transição.
Um caminho para lidar com a vulnerabilidade que a mudança sugere é compreender a vivência, olhar para dentro, acessar os desconfortos, descobrir os significados e a maneira possível de lidar com a situação de mudança naquele momento.
Casar, ingressar na faculdade, finalizar um trabalho, construir uma casa, iniciar um namoro, ter um filho, mudar de país, encerrar uma relação, são exemplos que mobilizam em nós mudanças.
Somos formados pelo nosso passado e também pelo futuro que se projeta a partir de como consigo lidar com as mudanças no agora, podendo descobrir gradativamente mais de quem eu sou, de quem eu não sou mais e de quem eu gostaria de ser.
A maneira como você lida com as mudanças vão revelando ao longo do tempo a sua maturidade, possibilitando saber o quanto você está aberto ou resistente às mudanças.
Finalizo com a pergunta: E você, como tem lidado com as mudanças?

 

Desejo a todos um ótimo mês!
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Quanto custa o seu tempo?

Colunistas - Jared Amarante - 15 de maio de 2015

 

O que é mais importante para nós nessa vida? O que será que temos feito com os sonhos?  Será que estamos deixando-os nas gavetas do medo? Até onde nossos olhos de bondade alcançam as almas solitárias? Já pensamos se, também, não somos essas almas? Se pararmos, por um minuto, em frente ao espelho, perceberemos que há um vazio em nós, nessa geração, nesse planeta. Mas que espaço não preenchido é esse? Dizem que é a ausência de um sentido para a vida.
 
Mas e como se acha esse sentido? A primeira maneira de encontrá-lo é, muito antes, querer achá-lo, ou seja, todo tempo, oportunidade e energia, nos foi dado para mudar tudo para sempre. Mas e quando o efêmero parece mais acolhedor e correto?
 
O que vemos, atualmente, é uma enorme confusão, principalmente quando nos deparamos com aquilo que queremos, em face do que realmente precisamos. Isso quer dizer, se ao menos nos esforçarmos para clarear as ideias vendidas, que queremos chocolates e roupas da moda quando, na verdade, precisamos de alimentos. Dizemos precisar do último carro lançado, quando precisamos é de pés mais fortes; fortes para fugir de tantas vitrines da ilusão. Ninguém precisa da maior casa do bairro, mas de um lar onde se possa achar refúgio das ideologias comercializadas para almas que, por medo de dizer não, aceitam o que o vento soprar. E esse vento é o capitalismo, o modismo, o quase novo Deus de um planeta carente de ações sustentáveis.
 
Nosso tempo é o que temos de mais precioso. No entanto, o que tem sido chamado de precioso é o que está à venda, ao invés de ser o que podemos oferecer, isto é, nosso tempo em prol do aperfeiçoamento humano.
 
Daqui alguns anos, talvez, estaremos sentados em uma inescapável cadeira de balanço. Haverá rugas por cada parte de nosso corpo, enquanto a alma buscará por semelhanças com o planeta, ou seja, tudo estará – ou talvez já esteja -, se deteriorando. Será por que escolhemos comprar mais do que reciclar? Será por que nossos pensamentos seguiram mais os impulsos do que a vontade de construir relacionamentos, amizades, e carreiras s
sólidas?
 
Um dia o tempo será nossa maior ambição, essencialmente se hoje consumir for nossa maior necessidade. Por isso, espero que estejamos preocupados com o que faremos hoje e amanhã, pois o ontem já é uma história escrita pela irresponsabilidade e incoerência daqueles que aqui habitam.
 
E essa incoerência está alicerçada sob a vontade de querer ter tudo ao mesmo tempo, sem perceber que não adianta querermos nos exibir com produtos e vestimentas, porque corremos o risco de sermos invejados, assim como querer receber aplausos daqueles que estão por cima, também é uma insanidade, pois, de qualquer forma, nos olharão com superioridade.
 
Será que agora compreendemos que posição não nos leva a nada? O que estamos fazendo sentados ao invés de usar o tempo que temos para construir um coração sustentável e assim distribuir o amor que há nele? Dizem que dessa forma, dividindo, se pode tornar um arquiteto da igualdade. Não é justamente isso que nos falta, mas que as vitrines tentam vender?
 
Mas não falo dessa igualdade passageira e sem propósitos – de ter o mesmo celular que todos -, e sim das mãos unidas pela consciência, consciência de que precisamos uns dos outros, para proporcionar qualidade de vida ao mundo que nos foi dado e as pessoas que nos são emprestadas.
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Rir é o melhor remédio, então ria de mim!

Colunistas - Rodrigo Vieira - 13 de maio de 2015

 
 
Foi quando reclamar parecia mais sensato. Quando o desespero servia como possibilidade plausível. No instante em que a sorte negou suas virtudes. Pedi ao meu Eu: “Ri de mim”.
 
Verdade que dias, ou menos dias, aparecem com mais aborrecimentos que contentamento. Mais tédio que entusiasmo. Vontades de chorar que salgam o abrir largo da boca num sorrisão. É a grana curta, o problema familiar que dói mais em nós. O amor mal resolvido, o amanhã que vem indeciso. Tantos são os motivos que abalam, a trazer preocupação quanto aos seus desfechos. Ri.
 
Ri, sim. Falseei as intenções, não havia alternativas. Estava mais para suicídio de expectativas que propriamente redenção de felicidade. O início era desvairado, mas a única alternativa restante. Rir. Já havia ouvido que rir de tudo é desespero. Então vamos lá, quem sabe uma deprê com mais cores transforma a solidão em carnaval.
 
Ria dos meus risos, mal sabendo que a cura da secura espiritual está na alegria. Ainda que temos de reanimá-la constantemente. Rir de tolices próprias, como algumas que nos fazem levianos (quem sabe briguinha juvenil seja exemplo). Rir das atrapalhadas que fazem corar o rosto, de tão estúpidas que revelam ser. Rir até mesmo dos fracassos, por mais que doam e ressoem na memória.
            
O mundo anda frígido, não há espaço para entusiastas. Tidos como loucos! Logo, nosso status natural é convertido a paradigmas externos, o desespero e a desistência formam o lema que empurra a falange. Imersos a problemas reduzimos nossa inteligência, porquanto negligenciar o próprio bem-estar é ato ignorante. Burro será, burro caminhará.
           
As lamúrias não apagarão nossas provas, é avaliação da vida, dignificando nossa permanência sob seus cuidados. E de que valeria a vivência sem espinhos, enquanto as flores mais nobres os têm? É tempo de deixar caprichos, sujar-se com resoluções, compreender as dores que preparam o amadurecimento da conquista. Rir faz parte.
            
Habituar-se a sorrir cego aos olhos negros que escurecem a vista. O riso contagia, envolve o universo, seduz positividade. Gargalhadas não resolvem situações desfavoráveis, porém transferem tranquilidade para saná-las. Rir não envelhece, infantiliza – beneficamente – corações à procura de satisfação. Procurei rir de mim, zombar de meus insucessos, até virarem reminiscências. Apenas isso.
            
Talvez erremos nas medidas. Nos pesos. Quem sabe damos importância maior – imerecida – a tudo isso, quando na verdade nada é tão relevante, nada é menos relevante. Só existem para serem vividas – tudo o que há na existência. Entretanto, o temor pelo ridículo ainda nos assombra, e é fruto da vaidade querer regrar os acontecimentos, para que no final não haja escárnio. Assim perdemos ótimas oportunidades de divertimento, no fundo (no fundo) a maioria dos medos, ou tristezas, não passam de choques imaturos, do qual não possuímos domínio.
           
Pedi ao meu Eu que risse de mim, e tomara que ele não pare. Em breve, aprenderei que, seriedade excessiva no tratamento estraga a continuidade de emoções. Forma murmuradores, não caçadores de experiências.
  Ria de si, no oportuno e inoportuno, para que uma queda do salto alto não atrapalhe o dia.                            
                 Que seja mais uma razão para a coleção…
                        Igual àquelas que nos relembram o quão ridículos fomos até aqui. Ria de mim
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Estamos na Revista Universo Místico

Na mídia - Chirles Oliveira - 4 de maio de 2015

 

Como é bom ver nosso trabalho ganhando mais espaço na mídia. A cada nova divulgação conquistada de forma espontânea, sinto que o propósito do blog em propagar boas palavras, bons textos sobre a preservação do planeta, qualidade de vida e reflexões sobre a felicidade e outras questões tem agradado nosso leitor.

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Corações como mercadoria?

Colunistas - Jared Amarante - 1 de maio de 2015

Banco de imagem do Pixabay
Há quem diga que os relacionamentos são como produtos numa vitrine. Será? Se forem ou não, é inevitável dizer que, hoje, as pessoas estão desistindo de si, assim como desistem do outro com muita facilidade, o que nos iguala ao Shopping Center, uma vez que o mesmo traz, em seu poderio, o despertar dos impulsos para, após a compra, mostrar-nos o verdadeiro sentimento de nossas ações, isto é, ainda somos prematuros e deixamos o imediatismo ser o alimento do dia a dia.
 
Falando nisso, será que pensamos sobre a instantaneidade infiltrada em nossos corações impulsivos? Isso quer dizer – sem dramatizar, mas com  coerência -, que os envolvimentos contemporâneos são, de fato, como celulares que, uma vez considerados retrógrados, logo são trocados, sem remorsos pelo comprador.
 
Muitas vezes, ou na maioria delas, somos esses compradores, e quando não é pior, deixamos que nos comprem, nos seduzam, nos dominem.
 
Essas comparações – entre relacionamentos e mercadorias -, não são meras utopias e ambiguidades, mas realidades que podem ser encontradas em esquinas, bares e shoppings, porque estamos, de alguma forma, pouco preocupados com o que vai durar. Talvez por que o desejo de consertar exija mais maturidade enquanto o impulso satisfaz em minutos? Somos macarrão instantâneo ou autores da própria história?
 
Essa é a era dos impulsos, justamente por que nunca estivemos tão preocupados em sermos aceitos pelo grupo dos que trocam de celulares a cada ano, assim como das pessoas que substituem parceiros a cada novo corpo, e mais trágico ainda são aquelas que mudam de personalidade a cada vitrine que se mostra mais convidativa.
 
É imprescindível que reflitamos sobre o desgaste que é levar uma vida regada aos impulsos do capitalismo, pois corremos o risco de termos sede de consumir ou de sermos consumidos – se é que já não estamos bebendo dessas fontes -, ao invés de compreender que, se a vontade de carregar sacolas abarrotadas é mais importante do que desintoxicarmos nossos conceitos, sem dúvida, estamos à deriva, colocando nosso coração na prateleira, o que nos fará ficar a mercê de qualquer mão impulsiva.
 

Como queremos viver nossos relacionamentos afetivos? No amor líquido ou numa relação inteira, sustentada no amor próprio e no respeito ao outro? Fica a reflexão caros leitores e até a próxima sexta-feira!

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