Tornar-te a roupa que veste?

 
 
Pensamentos, ações, desejos, hábitos, destinos… Esse é o caminho ditado pela indústria cultural, pelo consumismo, e por essa tal pós-modernidade. Será que tudo isso é um grande exagero? Não, essa é uma grande e complexa realidade contemporânea.
 
Se hoje as coisas são efêmeras, quebradiças e opacas, como fazer para nos assegurarmos de nossa própria essência? Como se é possível não desafinar a melodia – sustentabilidade de alma e corpo -, quando estamos, por todos os lados, rodeados pela indústria dos sonhos e do marketing violador de identidades? É isso mesmo, são agressivos e nos levam a crer que somos o que nossos pés calçam e nosso corpo veste. Isso quando não afirmam – discretamente -, que somente com esse ou aquele produto conseguiremos atingir o sentimento de pertencimento social.
 
Esse sentimento que angustia os habitantes desse século, no qual mesmo sendo a era das evoluções tecnológicas é também, de alguma forma, a era das desconstruções de identidades – identidades literalmente pautadas pelo consumismo -, porque se a cada dia vemos surgir um novo produto, é a cada dia que se inicia a luta para tornar-te aquilo que esperam de nós, quando na verdade estamos sendo mais consumidores do que cidadãos sustentáveis. Papéis invertidos ou utopia?  
 
Não quero aqui – nem me formei em advocacia -, condenar ou absolver aqueles que compram oito cores diferentes do mesmo sapato, mas trazer alguma, leve ou profunda, reflexão sobre o que estamos fazendo com nossas identidades, uma vez que as mesmas estão intrinsecamente ligadas com o consumismo. Sendo assim, é preciso perceber que o que somos não pode estar e se manter tão líquido, porque se assim for, seremos moldados de acordo com as curvas do capitalismo. E vejamos: esse não parece ser um bom propósito, pois o hábito de querer antes de ser, pode anestesiar nossa consciência sobre a sustentabilidade.
Ainda é preciso, diante do horizonte de querer cada vez mais, compreender que não podemos ser movidos apenas pelos impulsos ou pelos inocentes sorrisos das vitrines, assim como não é louvável construirmos nossas identidades, quase nossas digitais, sob as vontades da pós-modernidade. Fica a questão: que mundo é este em que somos mais desejos do que LIBERDADE? 

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