Felicidade Projetada?

 
 
 
Alguém, algum dia, em algum lugar, já ouviu a palavra projeção. Mas será que parou para pensar em seu significado? Esse verbo é uma ideia vendida pelo Marketing para nos acolher? Será uma utopia dos filósofos e psicanalistas para criticar nossas escolhas? Ou será que, simplesmente, projetar-se é a literal necessidade de cada um?
 
Diante desses questionamentos, nascem centenas de dúvidas que permeiam a era das eras, a globalização pela massificação falsificada, o exibicionismo pelos cifrões e, tragicamente, à vontade de ser o outro e ter o que ele possui. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.
 
Todavia, não se pode esquecer de quem fomenta essa realidade, isto é, nossa Indústria Cultural – fábrica de heróis-, que sapateia em cima das mais frágeis, melhor dizendo, do mais quebradiço e inescapável instinto humano: a luta incansável pela projeção.
 
Talvez projetar-se não seja um transtorno contemporâneo, e sim o quanto de energia despendemos para isso, porque é inerente que, ao se projetar no ‘’estranho’’– literalmente cobiçando a vida do outro, e esse outro pode ser desde um esmalte até um carro -, automaticamente nos perdemos um pouco, pois passa-se a desejar a casa alheia, as roupas, o cabelo, os talentos e, o mais triste e almejado, a felicidade.
 
Felicidade essa ‘’trazida’’ pela indústria cultural, mas que termina – isso para os viciados em depender do efêmero para sorrir-, no momento em que a revista de corpos esculturais é fechada, o Cd do ídolo chega a sua última nota musical, ou quando o botão do controle remoto apaga tudo, trazendo as dependências que não teriam sido tão anestesiadas se, antes de termos o desejo de ser o outro, nos bastássemos com nossa própria companhia, compreendendo que a felicidade de mãos alheias inexiste.

 

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